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Set 17

A EXPOSIÇÃO DO ESPAÇO CULTURAL SANTANDER EM PORTO ALEGRE

A EXPOSIÇÃO DO ESPAÇO CULTURAL SANTANDER EM PORTO ALEGRE

 

 

Recentemente, vimos uma exposição de obras, ditas de artes, serem expostas no Espaço Cultural Santander, em Porto Alegre, RS, patrocinadas com dinheiro público, através da Lei Rouanet, que chocaram a sociedade e nos conduzem a uma reflexão profunda, sobre o momento em que estamos vivendo.

Toda sociedade, ao longo da história, tem a sua fase de crescimento, apogeu e queda. Vide as grandes civilizações do passado, como a egípcia, persa, grega, romana ou os grandes impérios como o espanhol, ingles e americano. Todas eles, no seu final, passaram por uma profunda crise, de cunho moral, que destroem os alicerces de sua sociedade, e entram num processo autofágico, destrutivo, que causam a sua implosão.

A nossa sociedade moderna, nos últimos sessenta anos, passou, de um processo extremamente conservador, onde a mulher trabalhava em casa, como dona de casa, educava seus filhos, tricotava, fazia bolos e se preocupava nos mínimos detalhes com os afazeres domésticos. De repente, veio a revolução sexual, a pílula anticoncepcional, os movimentos dos hippies, o rock and roll e o movimento da igualdade dos direitos para as mulheres, com estas saindo para o mercado de trabalho, com sua busca por formação e a mudança do modelo familiar para um núcleo mais restrito, com menos filhos, com o divórcio e os vários modelos de família, com pais ou mães do mesmo sexo adotando ou criando filhos.

No Brasil, saímos de uma ditadura militar de 21 anos, onde tudo era proibido, onde o pensamento e a liberdade de expressão foram censurados, onde as universidades tiveram grandes expurgos, exilando pensadores e professores mais progressistas, que foram mortos ou mandados para outros países. A imprensa era censurada, apresentando materiais jornalísticos que passavam por crivos dos censores. Tudo que contrariasse os interesses ou valores desse status quo, era proibido.

De repente, passamos por um processo de redemocratização, que culmina com a ascensão ao poder de um líder metalúrgico, semianalfabeto, filho de retirantes da seca do nordeste, carismático, bom de oratória e do poder de convencimento. Este promove algumas revoluções, principalmente com o seu olhar voltado para as minorias, os homossexuais, os índios, os negros, enfim, para um extrato social que sempre fora marginalizado ou restrito a guetos, tiveram o seu grau de liberdade máxima, com o Estado promovendo ações de valorização dos seus atos.

O que a sociedade não percebeu, foi que a ascensão de Lula e do PT fazia parte de um plano orquestrado por todas as forças ditas de esquerda da América Latina, num projeto para instalar o comunismo ou o socialismo, com estampas renovadas, nos diversos países. Liderados por Lula e Fidel Castro, unido a Hugo Chaves e outras lideranças, o Foro de São Paulo tentou instalar um sistema totalitário, onde o Estado era uma extensão dos partidos no poder e onde toda a atividade política e de governo, foi feito para criar mecanismos que permitissem a perpetuação desse grupo, ad eternem, no poder.

Nesse processo, tanto os órgãos de imprensa, dependentes da verba publicitária das instituições governamentais, ou da troca pura e simples de favores, como o de salvar a Rede Globo do seu processo de falência iminente, através de empréstimos camaradas a fundo perdido, de verbas do BNDES, transformando a outrora conservadora rede de televisão numa empresa que vivia para enaltecer os feitos do governo petista.

No bojo de tudo isso, criaram uma tal Lei Rouanet, que despejou bilhões de reais em supostos projetos de arte, transformando os artistas em grandes defensores dessa visão socialista e dependente das benesses desse governo, dito progressista.

Estamos vivendo a ressaca dessa fase de liberação geral da sociedade. Toda vez que isso ocorre, os excessos e a falta de limite, fazem com que as pessoas percam os parâmetros, percam sua bússola e começam a achar tudo normal. Essa normose, faz com que tudo se resuma a liberdade de expressão, essa iconoclastia de destruir valores, faz com que atitudes como desconstruir valores religiosos e sociais seja considerado forma de livre expressão.

Mas, isso não é verdade. Passada essa ressaca libertária, a própria sociedade recomeça tudo da estaca zero, reconstruindo valores e voltando ao ponto de partida. Reconheceremos que essa suposta liberdade de expressão, na verdade se tornou um desrespeito, uma ofensa às crenças e a princípios sociais e religiosos.

A sociedade, quando passa por uma crise violenta, como a que estamos passando, carece do norte, principalmente porque as pessoas de bem se omitem, se calam e ficam num estado catártico, de assistir a tudo passivamente, permitindo que o mal se arvore de defensor da liberdade de expressão e da liberdade de pensamento.

Mas, sem querer cair no maniqueísmo do bem contra o mal, os meus valores precisam ser respeitados. Não posso considerar arte, uma obra que defenda a pedofilia, a zoofilia, o homossexualismo, o sexo grupal e, principalmente, que essas ditas obras sejam expostas para públicos de todas as idades, para crianças em idade escolar, que fizeram visitas guiadas por professores criando confusão na cabeça de seres que ainda não têm o senso crítico e de valor que lhes permitam avaliar se aquilo que estão vendo e assistindo é bom ou ruim, se ela deve aceitar e absorver aquilo como sendo realmente uma obra de arte. Não posso aceitar como obra de arte, escrever na hóstia sagrada, no pão que simboliza a presença de Jesus Cristo, palavras de baixo calão ou descrevendo órgãos anatômicos e sexuais. Isso passa a ser um total e completo desrespeito com a minha crença e com a minha liberdade de escolher uma religião. Não posso aceitar como obra de arte um Cristo crucificado, com várias mãos, segurando pênis, e outros órgãos sexuais.

Por isso, a sociedade precisa reagir. Precisa dar um basta em tudo aquilo que passa do ponto. Precisa dar um basta na corrupção, que grassou livre e solto durante muito tempo, parar de achar normal que um político receba comissão pela liberação de verba pública para uma determinada obra, como se fosse uma corretagem da venda de um imóvel ou de um carro. Não, isso não é correto!

A sociedade precisa se manifestar e resgatar seus valores éticos e morais. Não se trata de conservadorismo contra os progressistas e liberais. Podemos conviver com as pessoas homossexuais, respeitar suas escolhas, não estigmatizá-las nem colocar rótulos sobre sua opção sexual. Mas não posso aceitar que ele tente impor para mim o seu modelo de vida e que eu seja obrigado a tomar a mesma decisão e fazer a mesma opção. Ou mesmo que uma criança em idade escolar seja obrigado a fazer essa escolha, quando ela ainda não tem maturidade para tal. Podemos falar sobre sexo, sobre as diversas formas de se obter o prazer, sobre as escolhas que cada um pode fazer e se dispor do seu próprio corpo. Não cabe a mim julgar ou condenar o outro por essa escolha. Mas não tentem transformar a pedofilia, um ato, que o próprio Código Penal brasileiro considera crime, punido com a restrição da liberdade, em um ato normal. Ou dizer que isso é uma obra de arte! Quando alguém faz sexo com uma criança, aquele ser não estava preparado para tal. Tanto o seu corpo, como o seu espirito, não estavam preparados para a conjunção carnal. Isso é um ato de extrema violência, que causa traumas profundos e graves naquele ser.

Vamos lá, sociedade!!! Chega de ficarmos na zona de conforto! Vamos espernear, gritar, protestar, fazer a nossa parte, para não deixarmos o nosso mundo se afogar na escuridão e nas trevas!!! Façamos um movimento de união, em defesa dos valores que nos são caros!

Quero que meus filhos e netos vivam num mundo melhor, onde a liberdade de expressão seja total, mas sempre baseado no respeito com o próximo!

Que mais vozes se manifestem e deem um basta nesta bagunça em que transformaram nosso país! Chega, eu não aguento mais isso tudo!

Parem o mundo, que eu quero descer, parafraseando Raul Seixas!!!

 

publicado por drtakeshimatsubara às 16:22 | comentar | favorito
26
Jun 17

RUMIKA WATANABE, UM ANJO EM MINHA VIDA!!!

RUMIKA WATANABE, UM ANJO EM MINHA VIDA!!! Eu nasci numa família pobre, de imigrantes japoneses que há 64 anos, vieram do Japao, fugindo dos rigores de um país totalmente destruído pela guerra. Meus pais chegaram em 1953 e em 1962 eu nasci, 9 anos depois. Quando resolvi estudar Medicina, meu pai havia se aposentado e passado a responsabilidade da família para o meu irmão mais velho, Ryuiti, que havia se casado recentemente com minha cunhada Ritie. Eles eram agricultores e viviam do cultivo de batata e feijão, em Itaberá, interior de São Paulo. Quando fui aprovado na Faculdade de Medicina do ABC, Uma faculdade particular, após pagar a matricula, fiquei 3 meses sem conseguir pagar as mensalidades, pois a família estava passando por uma grave crise financeira. Quando fui fazer a prova de Anatomia, fui chamado para comparecer à Tesouraria, pois estava inadimplente e não poderia fazer a prova. Ao subir à minha sala um anjo, chamado Dona Rumika Watanabe, veio me socorrer. A Dona Rumika era uma senhora nissei de uns 50 anos de idade, que a vida toda sonhara em estudar Medicina. Contava-me ela que ela era a filha mais velha de uma família de agricultores e que seu pai havia morrido por causa de um erro médico, pois entrara no Centro Cirúrgico para realizar uma cirurgia sem maior gravidade, se não me engano, para operar da vesícula biliar e saiu morto. Como filha mais velha, ela teve que assumir o cuidado de suas irmãs e irmãos mais novos, tendo que largar os estudos. Casou-se e seu marido era dono de uma banca do Ceasa de São Paulo. Ela sonhava em estudar medicina, pois a morte de seu pai fora muito traumatizante. Ela queria a todo custo entender o que havia ocorrido e poder atuar como médica, para que pudesse salvar vidas. Era dona de casa e a família vivia uma situação financeira muito boa, morando numa mansão num bairro nobre de São Paulo, com uma garagem que tinha mais de oito carros estacionados. Ela tinha finalmente conseguido passar no vestibular de medicina, mas devido ao longo tempo que ficara sem estudar, tinha muita dificuldade para compreender as matérias do curso médico, tendo repetido por vários anos a primeira série do curso. Pois bem, quando eu voltei para a sala para pegar o meu material e voltar para casa, pois minha aventura como estudante de medicina acabava naquele instante, ela me chamou para um canto e perguntou o que havia ocorrido. Quando ela ficou sabendo do meu problema, foi comigo até a tesouraria da faculdade, pagou as mensalidades em atraso e uma subsequente. Eu me lembro até hoje que foi um cheque de 17 mil cruzados novos, que era muito dinheiro!!! Logo em seguida, fui aprovado no Crédito Educativo, um programa que financiava faculdades nos moldes do FIES de hoje. Como eu disse, se aquele anjo não tivesse aparecido, naquele instante, sobravam duas opções para mim: Trancar a faculdade, trabalhar, fazer um cursinho noturno e prestar vestibular para uma faculdade de medicina pública. Naquela época, isso era uma missão quase impossível, para um estudante que a vida toda havia estudado em escolas públicas de zona rural e posteriormente de pequenas cidades do interior. A outra opção seria fazer as minhas malas e voltar para casa, derrotado, vencido pelas dificuldades e pela falta de dinheiro. Voltar para Itaberá, terminar o colégio e me candidatar para ser professor ou bancário, do Banco Bradesco ou do Brasil. Como eu disse em texto anterior, eu tenho um sentimento de muita gratidão por várias pessoas que participaram da minha vida, em momentos cruciais. Mas a Dona Rumika para mim vai ser sempre um anjo, que teve uma participação num momento crucial de minha vida, que definiu todo o meu futuro, que me permitiu formar numa faculdade de medicina particular, que me permitiu alcançar o meu sonho de me tornar médico, fazer pediatria e ser este profissional totalmente realizado com o que faço, todos os dias. Eu perdi totalmente o contato com a Dona Rumika. Na minha formatura, fiz questão de procura-la, para levar o meu convite, mas ela não compareceu. Depois, ao longo dos anos, eu a procurei nos sites de busca, mas a informação que tive foi que ela falecera em 2002. Contei essa história para os meus colegas de faculdade, quando comemoramos 30 anos de formados. A minha família, principalmente os meus filhos, conhecem a história de cor, tantas foram as vezes que repeti a história para eles. A grande lição que ficou para mim é que Deus não abandona os seus filhos. Ele coloca anjos em nosso caminho, que participam em momentos cruciais e definem todo o nosso destino. Por isso, a medicina para mim é muito mais do que uma profissão, é um grande compromisso diante do nosso Pai, de sermos um instrumento Dele aqui na terra, para podermos ajudar Seus filhos, nossos irmãos, num momento de dor e sofrimento. O dinheiro? Ele é apenas uma consequência natural, na quantidade merecida, conforme o suor do nosso rosto, para pagarmos nossas contas e cuidarmos dos nossos familiares. Obrigado, Dona Rumika! Espero um dia poder reencontrá-la, no céu, para te agradecer por sua ajuda, por seu gesto cristão, que definiu totalmente o rumo de uma vida! E me permitiu participar de milhares de vidas! Muito obrigado, onde a senhora estiver!!!

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19
Abr 17

O FUTEBOL E A ÉTICA

O FUTEBOL E A ÉTICA Recentemente, durante um clássico paulista, entre os times do São Paulo e do Corinthians, pela semifinal do campeonato paulista, ocorreu um fato que motivou discussões acaloradas de jornalistas e especialistas em futebol. Durante um lance, o jogador Jô do Corintians e o jogador Rodrigo Caio do São Paulo estiveram envolvidos numa disputa de bola na área, com o goleiro do São Paulo Renan. O juiz viu falta do corintiano e marcou cartão amarelo em Jô. A prevalecer esta postura, o Corinthians perderia um de seus principais artilheiros, para o próximo jogo de volta. Porém, o jogador do São Paulo, Rodrigo Caio, conversou com o juiz e disse que não havia ocorrido falta e que na verdade, ele havia atingido sem querer o seu companheiro de time e que portanto, o cartão amarelo seria injusto. Num lance de fair play como há muito não se via no futebol, o juiz voltou atrás e retirou o cartão. Isso motivou uma série de reações em cadeia, fazendo com que o resultado do jogo ficasse em segundo plano, com técnicos, jogadores e jornalistas e comentaristas esportivos colocando-se contra e a favor da atitude ética do jogador Rodrigo Caio. Quando acontecem acidentes na estrada, onde caminhões carregados de objetos ou alimentos tombam, a turba para seus carros, ou aparece da vizinhança para assaltar e saquear esses produtos, como se os mesmos não tivessem dono e pudessem ser roubados sem que nada de errado estivesse ocorrendo, no conceito dessas pessoas envolvidas. Quando aconteceu o terremoto no nordeste do Japão, na região de Fukushima, seguido do maremoto que destruiu cidades inteiras e matou milhares de pessoas, um fato que chamou a atenção da imprensa foi a maneira cordata com que a população se comportou, aguardando de maneira disciplinada a distribuição de comida e água pelas autoridades, não ocorrendo um único caso de saque ou de roubo dos alimentos ou de roupas. Pessoas e famílias que tinham perdido tudo, ficado com a roupa do corpo, esperaram por dias a fio, com sede e fome, mas sem saquear, roubar ou queimar tudo, como estamos acostumados a ver por este lado do trópico. O amadurecimento de uma sociedade passa pela ação do fogo e da dor. A sociedade japonesa, que já tinha uma cultura milenar, baseada em rígidos códigos de moral e ética dos samurais, teve o país todo destruído pelas bombas americanas, que destruiu todas as cidades, principalmente as maiores, com um bombardeio diuturno pelas fortalezas voadoras, as temidas B29 da Força Aérea Americana, um quadrimotor a hélice que jogava toneladas de bombas sobre as cidades, destruindo tudo que estivesse em pé. Ao final da guerra, nos idos de 1945, o pais estava totalmente destruído, com todas as suas cidades e fábricas transformadas em montes de entulho. Com a ajuda do capital americano, em poucas décadas o país se refez totalmente, transformando-se na segunda economia do mundo(hoje, terceiro). Junto com isso, noções de disciplina e ética ficaram totalmente arraigados nos membros da sociedade, de tal maneira que todos os seus cidadãos têm claro para si, de que a coisa certa deve ser feita sempre, independente de ter algo ou alguém olhando ou fiscalizando. Para um japonês, as lojas têm seus produtos expostos, com a maior naturalidade. O comprador vê o preço, vai ao caixa, onde não tem ninguém, paga o valor correto, pega o troco e assim realiza a sua compra. Algo impensável em nosso país. A nossa conduta no dia a dia, é baseada na fiscalização. Se estiver dirigindo o meu carro e vejo um guarda de transito, paro de falar ao celular, diminuo a velocidade, coloco o cinto de segurança, enfim, na frente da autoridade, somos cidadão acima de qualquer suspeita. Ao virarmos a esquina, voltamos a cometer todo tipo de infração. Um dos grandes absurdos da nossa legislação de transito previa a obrigatoriedade de se avisar sobre a existência de radares e aparelhos de fiscalização, seja de velocidade ou de ultrapassagem do sinal vermelho, sem o qual, a multa era invalidada. Nos jogos de futebol pelo país afora, cansamos de ver cenas de jogadores ajoelhados no gramado, orando e pedindo a Deus para que Ele se torne parcial, que esteja ao lado daquele determinado time, em detrimento do outro time. Como cansamos de dizer para os estrangeiros, Deus é brasileiro! Deus tem lado! Tem preferencia, torce para um time A ou B. Quando aconteceu a tragédia em novembro de 2016, quando quase todo o time da Chapecoense perdeu os seus jogadores, vimos um gesto maravilhoso, vindo dos jogadores, torcedores e diretores do Atlético Nacional de Medellin, da Colômbia, que num gesto de extrema grandeza, abdicou do título que estava em jogo, a Taça Sul Americana e concedeu o título em disputa para o time que havia perdido os seus jogadores na maior tragédia do futebol brasileiro. Movido pelo mesmo espirito de comoção que tomou conta do cenário esportivo nacional, vários times brasileiros propagandearam que cederiam seus jogadores por empréstimo, com os salários bancados por esses times, para ajudar a reconstruir o time do Chapecoense. A grande maioria, ficou apenas na propaganda e na promessa. O grande gesto de fair play, veio da Colombia, num gesto de solidariedade e altruísmo, que faltou aos brasileiros. Por ser o esporte mais popular do país, o futebol reflete todas as características da sociedade. As boas e as más. Com isso, todos os comportamentos que caracterizam o famoso e malfadado “jeitinho brasileiro”, ficam escancarados, à mostra de todos. O gesto do jogador Rodrigo Caio do São Paulo, de assumir que ele havia tocado o companheiro de time e não o jogador adversário, era para ser o padrão de normalidade, numa sociedade mais amadurecida. Porém, foi manchete de jornais. Da mesma forma, fico indignado quando o Jornal Nacional noticia que uma pessoa devolveu uma mala cheia de dinheiro para o seu dono, em cadeia nacional. A grande maioria dos comentaristas esportivos, a maioria deles ex-jogadores de futebol, admitiram candidamente que eles não teriam tomado a atitude de Rodrigo Caio. Alguns , inclusive, criticaram a posição do jogador, dizendo que ela prejudicava o seu time, o São Paulo, que perdera a oportunidade de desfalcar um jogador adversário importante, diminuindo suas chances de lutar pelo titulo paulista. É extremamente preocupante que formadores de opinião tenham um posicionamento tão antiético. A sociedade brasileira como um todo precisa rever, urgentemente, os seus valores morais e éticos. Senão, de nada adianta ficar criticando os políticos, os grandes vilões do momento, dos numerosos escândalos de corrupção e desvio de verbas públicas. Pobre país, onde um jogador que toma a atitude certa, de ser ético, correto e honesto, é vítima da fúria de sua própria torcida. Depois, não adianta reclamar que o Brasil é um pais de corruptos e de pessoas espertas, que passam a perna em todo mundo.

publicado por drtakeshimatsubara às 19:32 | comentar | favorito
07
Abr 17

JOSE MAYER E O BRASIL

JOSÉ MAYER E O BRASIL O escândalo que explodiu esta semana com uma figurinista da Globo, Susllen Tonani, denunciando o ator José Mayer, de 67 anos, por assédio moral e sexual, repercutiu bastante. A nossa sociedade e a nossa cultura brasileira são muito jovens. Em pouco mais de 150 anos, saímos de uma sociedade escravocrata, para uma democracia moderna. Isso faz com que tenhamos certos resquícios de sociedade antiga se misturando com a modernidade. Existem momentos, em que a casa grande e a senzala se misturam com os arranha céus e o passado retorna com força total, misturando-se com o presente. Nesses momentos, esses traços da nossa sociedade patriarcal, arcaica e machista, arvoram e aparecem com força total manifestando o contraste que é a nossa sociedade. Li a entrevista da figurinista ao blog. Nela, ela fala de toda a humilhação de uma jovem de 28 anos, branca, bonita, cheia de sonhos, que foi trabalhar na maior rede de televisão do país, no Rio de Janeiro. A grande maioria dos crimes e infrações são cometidas por pessoas que apostam na impunidade. No caso do ator, estrela que atua como protagonista em filmes, novelas e seriados, a sua superioridade era inquestionável, em sua ótica, para poder prevalecer acima de qualquer menina que trabalhasse para ele, uma mucama, uma serviçal sobre a qual ele poderia exercer toda a sua autoridade, de maneira inquestionável. O Brasil está mudando a passos largos. As pessoas tem dificuldade de perceber que essas mudanças vêm para ficar. Quando a figurinista tomou a iniciativa de dar um basta em suas humilhações, muitas pessoas, inclusive mulheres, acharam a atitude errada. Algumas, questionaram dizendo que ela estava apenas querendo aparecer, ter seus quinze minutos de fama. Outras, não viam mal algum em a mulher levar umas cantadas, ser alvo de piadas machistas, de ser coisificada, transformada em objeto. Uma sociedade amadurecida e culta, é aquela em que as pessoas são donas do seu corpo e dos seus atos. Mas tudo, respeitando o limite do outro. Em alguns países da Europa, uma mulher pode usar uma microssaia, mostrando suas calcinhas, mas o homem que a olhar de maneira despudorada, será denunciado à policia, podendo inclusive ser preso por assédio sexual. O assédio moral e o sexual são dois atos que somente recentemente têm sido reconhecidos como crimes, tanto é que a legislação brasileira ainda não possuem leis federais que tipifiquem ambos e tenham uma apenação adequada. A maioria dos julgamentos são feitos por jurisprudências baseadas em leis estaduais ou municipais. Até a década de 80 do século passado, as manifestações ríspidas e repetitivas, de maneira a humilhar o seu subordinado, era tido como uma maneira de a empresa obter um ganho de produtividade. Após a Constituição de 1988, quando foram estabelecidos princípios sobre direitos humanos e sobre o respeito à dignidade humana, houve uma mudança total na compreensão desses atos. Passou-se a perceber que o chefe agressivo e assediador adoecia seus subordinados, com aumentos dos índices de quadros psiquiátricos, de ansiedade, depressão e até mesmo de suicídio. Que um ambiente agressivo e conflitante, diminuía a produtividade de todos, ao invés de aumentar, como se imaginara no passado. A partir dessa percepção, estudos começaram a ser feitos, e alguns Estados e municípios começaram a elaborar leis tipificando o assédio moral e transformando em crime passíveis de punição. Portanto, ao se lidar com o novo, muitos de nós nos sentimos perdidos, pois atitudes e condutas que eram tidas como normais no passado, hoje não são mais. Ao ouvir musicas e cantigas de ninar do passado, como “Atirei um pau no gato” ou “Boi da cara preta”, hoje achamos as letras politicamente incorretas, pois eram musicas que incentivavam a judiar dos animais ou a fomentar o medo nas crianças. Os humoristas do passado, tinham em seu arsenal sempre uma piada sexista, sobre homossexuais, pretos, judeus, japoneses e outros. Hoje, tais humoristas morreriam de fome, ou estariam presos, por homofobia, ou racismo. Neste processo, muitas pessoas têm dificuldade de rever os seus conceitos, de mudar suas opiniões, de mudar o seu olhar sobre fatos e sobre as pessoas. E com isso, temos incidentes como o ocorrido com o ator José Mayer. Toda mudança gera ansiedade e medo. Em toda crise, nós destruímos um modelo do passado e reconstruímos um novo modelo, baseado em novos valores. A sociedade brasileira terá que .adotar, em conjunto, essa postura de mudar, de avançar, de deixar o passado para trás, para adentrarmos o século XXI baseado em novos valores e com novos conceitos. Onde os traços de nosso comportamento machista, sexista, de exploração do trabalho escravo, fiquem no passado, nos séculos XIX e XX. Que hoje, tenhamos um novo olhar sobre as pessoas, respeitando as diferenças e a potencialidade de cada ser humano, o tempo de cada um, os limites e as limitações do outro. Obrigado, José Mayer, você serviu para nos mostrar o quanto nós ainda temos que avançar, se quisermos ser membros de uma sociedade moderna e progressista. Se a sua carta de pedido de desculpas foi sincero e suas palavras vieram do seu coração, parabéns. Se não foi, e se tratou apenas de uma peça de propaganda, você receberá o julgamento da história, e terá o seu lugar no panteão dos grandes vilões de nossa historia, como o anti-herói sem caráter, um velho que não percebeu queo tempo passou e mudou. Aguardemos o desenrolar dos fatos...

publicado por drtakeshimatsubara às 18:48 | comentar | favorito
11
Dez 16

RENUNCIE, TEMER!

RENÚNCIA JÁ, SENHOR MICHEL TEMER!!! Diante dos últimos acontecimentos, principalmente das denúncias das delações premiadas de empresários da Odebrecht, o governo de Michel Temer, que sempre esteve cambaleante, mostra que está nos seus estertores finais. Diante das provas que se avolumam no Processo da Lava Jato, fica evidente que apesar de um certo exagero dos petistas, de uma certa forma, houve um golpe de estado, que derrubou o governo Dilma Roussef. O capital internacional, através dos bancos e dos fundos de investimento, tem horror a qualquer indicio de instabilidade política. Acreditavam que derrubando Dilma e colocando Temer em seu lugar, o país poderia dar uma guinada para a direita e voltar a crescer e voltar a ser o paraiso do investimento do capital estrangeiro. Enquanto eles trabalham com taxas de juros baixíssimos, em alguns casos até negativos, em seus países de origem, o Brasil sempre foi um paraiso para os especuladores, pois a taxa de juros que o governo paga para tomar dinheiro emprestado é melhor do que o de qualquer agiota. Pois bem, diante das burradas e da incapacidade em gerenciar este país, Dilma Roussef foi mandada para casa. Mas era uma certa burrice acreditar que Michel Temer, presidente do PMDB, não estaria envolvido até o pescoço com todas as tramoias que vicejaram durante os 13 anos de governo petista. Juntamente com os políticos do PT e do PP, os políticos de todas as denominações, mas principalmente os do PMDB, deitaram e rolaram com o dinheiro sujo da propina que tomou conta do cenário nacional, numa volúpia e proporção dantesca. O povo brasileiro não havia engolido direito o processo de impeachment de Dilma, pois a taxa de credibilidade de Michel Temer sempre foi muito baixa, semelhante aos de sua antecessora, nos piores momentos da crise. Agora, que as delações têm engolido, um a um os principais ministros que compunham o núcleo do poder do governo Temer, a sujeira começa a atingir também o seu cabeça. Citado várias vezes por Marcelo Odebrecht e pelos executivos daquela empreiteira, o nosso presidente vê os seus índices de aprovação caírem dia a dia, num círculo vicioso, em que cada denuncia piora a avaliação popular. O gélido silêncio durante a sua participação nas exéquias fúnebres dos jogadores, dirigentes e jornalistas em Chapecó, foi uma prova eloquente do quanto o povo brasileiro despreza a sua liderança. A única forma do país sair do buraco em que se encontra, de buscar novamente o caminho do crescimento econômico e de aumentar o emprego, será convocar novas eleições diretas para presidente da República. Buscar um candidato que não esteja envolvido nas denúncias da Lava Jato é um trabalho árduo, mas necessário, para tentarmos uma nova liderança, que conduza o país no processo revisional que se faz necessário. Quiçá, com convocação de uma nova Assembleia Constituinte, para formularmos uma nova Constituição, pois a de 1988 já mostrou que apresenta muitos furos e muitos erros que precisam ser revistos. Precisamos de leis onde impere a noção dos deveres, pois nossos cidadãos só sabem exigir os seus direitos, esquecendo-se que em tudo no universo existe o equilíbrio e para termos, precisamos dar a nossa contribuição. Precisamos estabelecer a meritocracia em todos os setores, principalmente para a composição dos nossos tribunais superiores, para nunca mais termos arremedos de juízes, como Levandowski, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Rosa Weber, compondo a mais alta corte do país. A nossa Constituição em vigor estabelece o prazo máximo para 31 de dezembro de 2016 para mudarmos o governo. Se ficar para o ano que vem, o presidente será eleito por via indireta, pelos membros da Câmara e do Senado. Isto seria o fim do mundo, pois esses políticos que ai estão já mostraram que não merecem nenhum crédito da população. Por isso, fica o nosso apelo para Michel Temer: PELO BEM DO NOSSO PAÍS, RENUNCIE AGORA, MICHEL TEMER!!! SUMA!!! ESCAFEDA!!! DESAPAREÇA!!! VÁ PROCURAR SUA TURMA!!! TCHAU QUERIDO!!!!

publicado por drtakeshimatsubara às 22:08 | comentar | favorito
02
Dez 16

QUE PAÍS É ESSE?!?!

QUE PAÍS É ESSE?!?! Enquanto a sociedade brasileira se encontrava chocada, comovida com a tragédia que vitimou 71 pessoas no pior acidente aéreo da história do futebol brasileiro, levando à morte quase que todo o time de futebol da Chapecoense, todo o seu estafe, jornalistas, autoridades, tripulação, enquanto isso, em Brasília, na calada da noite, os deputados federais na Câmara Federal, legislavam em causa própria, desfigurando por completo uma lei que foi enviada por um movimento popular, que tentava corrigir diversos desvios e irregularidades, que conduzem à impunidade. Numa manobra traiçoeira, revanchista e sacana, os deputados se colocam contra os anseios de toda a população brasileira, que através de um abaixo assinado com milhões de assinaturas, tentava aprovar uma lei para tornar o país um lugar melhor, menos impune. Dizem que a democracia é o melhor sistema político, pois permite que a vontade popular seja representando por políticos eleitos pelo voto direto, que vão à Brasília para representar a vontade de seus eleitores. Não sabemos em que momento ocorre essa dissociação entre a vontade popular e a vontade de legislar em causa própria. Talvez os ares do planalto central, com seus 6 meses de seca, de ventos fortes e sem chuva; talvez a altitude de aproximadamente 1000 metros do nível do mar, do planalto central; ou ainda o isolamento, a distância relativa da cidade, de quase 1000 km dos grandes centros urbanos. Enfim, em algum momento, os políticos em Brasília se esquecem da sua principal responsabilidade, de legislar em prol do bem comum, e passam a se preocupar apenas em conseguir os malfadados retornos, o percentual em todas as verbas liberadas para construir obras em seus “currais eleitorais”, perdendo a noção do que é público do privado. E brincando de fazer leis, para se beneficiarem dos mesmos, ou para se protegerem quando correm o risco de serem pegos com a boca na botija. A sociedade brasileira é muito nova. Ela começou a se estruturar de verdade há menos de 2 séculos. Antes disso, éramos apenas um grande latifúndio, com fazendas enormes, movidas pela mão de obra escrava, em grandes monoculturas de cana ou café. Ou cidades pequenas onde se vivia de comércio e serviços. A era de industrialização tem aproximadamente um século. Com ela, veio o desenvolvimento de grandes metrópoles e com ela, o desenvolvimento cultural e cientifico. Pois bem, essa sociedade nova, traz de berço alguns costumes que são difíceis de serem mudados, como o compadrio, o favorecimento de alguns poucos amigos e parentes nos negócios que envolvem o dinheiro público. A nossa justiça, carrega ainda em seu bojo, favorecimentos, como prisões especiais para pessoas de nível superior, o tratamento diferenciado para o criminoso rico do ladrão de galinhas e o foro privilegiado para autoridades e políticos com mandato. nosso sistema político, é ainda muito recente, pois vivemos muitos anos de exceção e ditatura, que fizeram com que os partidos políticos, e as nossas instituições de fiscalização ainda sejam jovens e inadequados. Os nossos partidos políticos não têm ideologia política, sendo apenas um amontoado de letras que não significam absolutamente nada, sendo as pequenas legendas apenas para servir de aluguel no processo eleitoral. O processo que move a sociedade para o caminho do amadurecimento e do crescimento, passa pela necessidade de manifestação dessa vontade popular, seja em manifestos, seja pelas suas lideranças, ou, atualmente, pela internet e pelos sites de relacionamento e de mensagens. Tais mecanismos tem causado uma obsolescência dos meios tradicionais de informação, pela televisão, jornais e rádio. As pessoas estão conectadas umas às outras e as informações se espalham como um rastilho de pólvora, causando um estrago tremendo na imagem de autoridades e políticos. Nesses tempos modernos, quem não se atualizou e se conectou às novas tecnologias, perde uma grande oportunidade de se inserir nesse mundo digitalizado. Nesses termos, a impressão que nós temos é que nossos políticos não perceberam as mudanças que ocorreram. Gastar dinheiro, produzindo releases que são impressos em jornais ou nos noticiários dos rádios e televisão, não tem mais o alcance que tinham antigamente. As pessoas têm acesso a fontes as mais diversas de informações, muitas delas independentes e desatrelados dos interesses desses políticos. Os blogs, os sites informativos, os canais de notícias por assinatura, enfim, hoje, a informação é obtida de maneira muito mais democrática e livre. A Operação Lava Jato, que investiga as entranhas do sistema de corrupção que se instalou no país, após a ascensão do PT ao poder, configurou uma expectativa e um sopro de esperança nos corações dos brasileiros, já fartos de saber do sistema de enriquecimento estrondoso de políticos e burocratas pelo Brasil afora, através da institucionalização de esquemas de cobrança de propinas em praticamente todas as instâncias das atividades que envolviam dinheiro público. Em seu bojo, centenas de políticos estão entre os acusados de receber propinas e caixa dois de empreiteiras e de empresas, sob a cândida explicação de arrecadar dinheiro para pagar despesas eleitorais. Quando os deputados perceberam que de madrugada os jornais por assinaturas, os blogueiros e demais pessoas estariam descansando, ainda mais numa ressaca de emoções de um dia tenso, com o povo comovido pelas noticias da tragédia do acidente aéreo, os políticos de praticamente todos os matizes, principalmente daqueles que se encontram apoiando o governo atual, não tiveram dúvidas em propor emendas parlamentares que tentaram colocar as autoridades da Lava Jato sob pressão. A reação não se fez esperar,seja da Ministra Cármen Lúcia, uma sóbria presidente do STF, seja do Procurador Geral da República e dos promotores e procuradores da Lava Jato. A população, mais uma vez, está indignada com a vileza e a torpeza da classe política. Por isso, quando descobrimos que de nossa bancada de oito deputados federais, quase todos, com exceção de Mandetta, votaram a favor das emendas que desfiguraram o projeto de lei elaborado pela sociedade para combater a corrupção, isto serve de alerta para lembrarmos na próxima eleição, quando esses deputados baterem à nossa porta, para pedir o voto. Nós iremos nos lembrar com carinho de Zeca do PT, Dagoberto Nogueira, Tereza Cristina, Geraldo Resende, Carlos Marun e Vander Loubet nas próximas eleições!!! Nos aguardem!!!

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01
Dez 16

SOMOS TODOS CHAPECOENSE!

SOMOS TODOS CHAPECOENSE! O futebol é a grande paixão do brasileiro e um dos esportes preferidos pelo mundo todo. Quando assistimos a uma tragédia como esta de hoje, 29 de novembro de 2016, que vitimou todo o timo do Chapecoense, começamos a perceber, aqui e ali, sinais de que o mundo não se encontra totalmente perdido. Quando descobrimos que o time adversário, o Atlético Nacional de Medellín, na Colômbia, se manifesta a favor de não aceitar adiar o jogo da final de amanhã, concedendo o título em jogo da Copa Sul Americana para a Chapecoense, e com isso, dando a oportunidade para este time disputar a Copa Libertadores da América do ano que vem, ficamos esperançosos na grandeza humana. Quando vemos os grandes times brasileiros, como Palmeiras, Flamengo e tantos outros se movimentando, para ceder jogadores por empréstimo para a Chapecoense, para que este forme um novo esquadrão que foi totalmente dizimado com o acidente, do nada, renascendo das cinzas, com o salário dos jogadores pagos por esses times, percebemos que o futebol não é só apenas um esporte, onde onze jogadores se digladiam em campo, mas sim um esporte centenário, que permite que momentos de grandeza e nobreza possam se manifestar, mesmo em momentos de grande dor e pesar. O ser humano precisa passar por momentos de dificuldades e de dor, para se unir, para se ajudar, para se solidarizar com o outro. Nesses momentos, percebemos que o Homo sapiens, apesar de tão desacreditado nos dias de hoje, pode ter o seu momento de redenção. A vida nos conduz no automático, onde a pressa e a necessidade de sobrevivência falam mais altos, onde a luta diária nos leva para batalhas pelo pão nosso de cada dia, pela conquista de nosso espaço, pelo nosso lugar ao Sol. Aí, vem uma tragédia, para nos mostrar nossa pequenez, a imprevisibilidade, o quão efêmero é a nossa vida, para que possamos nos dar conta de que viver, sobreviver, lutar, são verbos que nós conjugamos todos os dias. Mas que existem outros, como amar, fraternizar, solidarizar, lutarmos pelo coletivo, que ficam esquecidos e são lembrados nesses momentos de crise. É quando a nossa vida toma um novo significado, um novo rumo, um outro nível mais elevado, e a nossa pequenez humana se transmuta, se sublima e nos coloca num outro patamar, mais nobre, mais humano. A tragédia que vitimou 75 vidas, inclusive um time inteiro de futebol do Chapecoense, juntamente com tripulantes, com jornalistas, com pessoas que compunham o estafe do time de futebol, é uma das maiores do nosso futebol e demorará para ser esquecida. Mas são esses acidentes de percurso, que nós, em nossa pequenez e pobreza de espírito, que bradamos aos céus, perguntando a Deus o porquê dessas tragédias?! E Ele nos mostra que mesmo nesses momentos de dor, podemos tirar nossas lições e nos tornarmos pessoas melhores. Que a nossa humanidade tire lições de tudo isso !

publicado por drtakeshimatsubara às 11:54 | comentar | favorito
02
Set 16

O LEGADO DO PT

O LEGADO DO PT Parece que finalmente estamos assistindo aos estertores de uma era, que de acordo com as lideranças petistas, era para durar pelo menos vinte anos. Aos 13 anos dessa era, estamos assistindo pela tevê a um final melancólico, com grande parte de suas lideranças presas ou enroladas em diversos processos, principalmente na Lava Jato. Assistimos ao linchamento moral de uma presidente da República, num processo de impeachment que é baseado em argumentos extremamente frágeis, de pedaladas fiscais e empréstimos para bancos públicos, quando na verdade, deveria ter sido usado todas as provas abundantes de incompetência administrativa, de obstrução à justiça e outros, cometidos aos montes por Dilma Roussef e pelo seu antecessor Lula, para dar consistência a esse julgamento. Mas enfim, o Senado Federal cassa o mandato da presidente, dando fim a uma era que nós deveremos sempre lembrar, para não repetir o erro no futuro. O grande erro dos dirigentes e militantes do Partido dos Trabalhadores foi confundir o governo e suas instituições como propriedade privada, propriedade do partido. Que as empresas estatais, as instituições de justiça, os bancos públicos, todos devem servir aos propósitos do governo central petista. As instituições políticas deveriam ser obedientes aos comandos do governo. Se não, deviam ser comprados para que votassem de acordo com os interesses do partido. Em nome desse projeto, as comissões e propinas em todos os processos envolvidos deviam ser desviados para os cofres do partido, para comprar votos da população ou dos deputados e senadores, para poder manter esse processo de perpetuação. Desta forma, existem dois tipos de políticos corruptos, pela ótica petista: 1) Aqueles que roubam para o partido, são os heróis nacionais, aqueles que não usaram o dinheiro para enriquecimento próprio.2) E aqueles que usaram o dinheiro para si, estes não merecem a consideração e o respeito dos militantes. Mas Lula está num patamar acima de tudo isso, acima do bem e do mal, um senhor do Olimpo, um deus grego que deve ser venerado e ter seus pecados perdoados. Para Lula é permitido qualquer deslize, pois como senhor absoluto e grande líder, essas atitudes não são erradas. “Lula não rouba, ele capta dinheiro para a tesouraria do partido. Que mal existe num ex-presidente desfrutar de um final de semana num sítio em Atibaia? Ou descer como todo paulistano no verão para seu apartamentinho no Guarujá? Isso tudo é preconceito da direita, que não permite que uma pessoa do povo possa desfrutar as benesses do sistema capitalista. “ O mundo é cíclico. Após uma crise fiscal e monetária, em 1999, o governo FHC arrumou a casa, liberou o câmbio, estabeleceu projetos que mudaram a visão do governo, principalmente a Lei de responsabilidade fiscal, que estabeleceu punição para o governante que agisse sem responsabilidade econômica e fiscal. Mas o país estava cansado do governo do PSDB e quis experimentar um governo petista. Associado a uma fase de crescimento global, puxada por uma China com fome de matéria prima, que nós tínhamos em abundância. Minério de ferro, milho, soja, carnes e frangos foram vendidos em profusão para alimentar uma economia que crescia a uma média de 12 % ao ano. Foi nesta fase de bonança, que Lula navegou por longos 6 anos, sem nenhum projeto de governo para aproveitar os dólares que entravam aos borbotões para fazer reformas estruturais e estruturantes no país. Quando o mundo entrou em crise em 2008, Lula fez pouco caso dela, dizendo que seria apenas uma marolinha que não afetaria o país. Veio o término do segundo mandato e com todas as possíveis lideranças do PT presos ou queimados, não restou alternativa que não a de colocar um poste para dirigir o país. A gerentona Dilma Roussef, a ministra da Casa Civil, que havia sido a gerentona do PAC, o programa de Aceleração do crescimento, que nunca saiu do papel, foi vendida para o país como a solução para a continuidade dos projetos do PT. O militante de esquerda brasileiro vislumbrou a possibilidade de união das esquerdas da América Latina, quando foi criado o Fórum de São Paulo em 1990, no Memorial da América Latina. Capitaneados por Lula e Fidel Castro, foi criado uma estrutura arrecadadora, onde os países se ajudavam, para lançar lideranças no processo eleitoral de esquerda, para implantar um socialismo bolivariano, idealizado por Hugo Chaves. Inicialmente, com os petrodólares do petróleo venezuelano, financiou-se e criou-se uma rede de autoproteção, onde um líder auxiliava o outro em dificuldade. Houve uma época em que se sonhou com a possibilidade de se implantar pelas vias democráticas, participando do processo eleitoral, um sistema de governo socialista, que permitiria a arrecadação de dinheiro, através de comissões de empresas estatais e bancos públicos, que permitiria a perpetuação no poder desses grupos de esquerda, que implantariam aos poucos um sistema de governo totalitário, com controle da imprensa, com controle dos poderes políticos e judiciais, com nomeações de juízes para a Suprema Corte e os Tribunais Superiores, que estivessem alinhados com os ditames do poder constituído. Esse sistema seria isento de falhas, pois todo o sistema estaria nas mãos dos socialistas. Através de nomeações de militantes para os cargos comissionados, o partido teria o controle da burocracia de Estado, criando leis e regulamentações que seriam facilmente aprovados por deputados e senadores que haviam sido comprados, através da indicação de funcionários nas empresas estatais ou mesmo de mensalões. Todo esse sistema, onde todos os poderosos se banqueteavam e se locupletavam do dinheiro publico, acabou por destruir a máquina estatal e posteriormente, todo o sistema econômico e empresarial, pois só podiam participar da festa empresários alinhados ou que aceitassem o jogo de suborno, provocando uma quebradeira nas empresas e no sistema econômico como um todo. O desvario petista quis imitar o sistema chinês e sul-coreano, de se criar grandes conglomerados industriais e empresariais, com o apoio do governo. Injetou-se dinheiro aos borbotões do BNDES e dos bancos públicos nos projetos megalomaníacos de Eike Batista e suas empresas X. Gastaram-se fortunas para criar a Oi e sua rede de telefonia nacional. Outro tanto foi desperdiçado na Friboi. Além disso, a relação incestuosa com as empreiteiras, como Odebrecht, Andrade Gutierres, OAS e outras tantas permitiu o crescimento exponencial dessas empresas. Todas elas foram comprovadas como corruptoras e pagadoras de propinas para poder participar da divisão do bolo nas grandes obras e nas compras das empresas estatais. A grande questão que se coloca para o país hoje, é se poderemos realmente dar um fim em todo esse sistema de corrupção que grassou por todo o país, entregando o poder para os grupos que também participaram desse banquete, que sãos os líderes do PMDB, do PSDB, do DEM, do PSB e tantas outras agremiações que de um jeito ou outro, estiveram participando dos governos petistas e desembarcaram, quando viram que governo de Dilma estava indo a pique. Hoje, percebemos que o Brasil está se acomodando com o grupo remanescente, com Michel Temer à frente, colocando no ministério nomes de certo peso, como Henrique Meireles, José Serra, Eliseu Padilha, Ilan Goldfajn e outros, que tentam dar um novo rumo para a economia, tentando conter o endividamento público e os gastos públicos. Porém, os sinais que vêm de Brasília são extremamente confusos e contraditórios, pois ao mesmo tempo em que tenta pregar uma politica de austeridade, concede aumentos para o funcionalismo público, que explodem o déficit público. Tenta negociar projetos para diminuir o déficit da previdência, mas ao primeiro sinal de resistência dos sindicatos e organizações populares, mudanças vitais são adiados ou mudados, tornando inócuas as tais mudanças. Apesar de ser uma idéia que enfrenta pouco apelo popular, a única maneira de se começar tudo de novo seria através da convocação de novas eleições gerais, em todos os níveis de poder. Precisamos eleger políticos que estejam verdadeiramente interessados no bem comum, ao invés de se venderem para empreiteiras e grandes corporações, pois finda as eleições, a fatura é cobrada com juros, em forma de participação nos grandes projetos, perpetuando esse sistema corrupto nefasto, que tanto mal fez ao país nos últimos anos. Precisamos de novos prefeitos, novos vereadores, novos legisladores em todos os níveis. Precisamos rever o sistema de nomeação de juízes para as cortes de segunda e terceira instancias, pois o atual, com nomeação pelo presidente da República, mostrou que juízes sem nenhuma qualificação pudessem ocupar a mais alta corte do país, apenas pela proximidade política e obediência aos ditames do poder constituído. E, principalmente, precisamos dar um fim no sistema de urnas eletrônicas, pois as mesmas não são confiáveis, permitindo que fraudes sejam cometidas e governantes minoritários sejam eleitos, como o foi na última eleição presidencial. Quem sabe, tenhamos agora a chance de reescrever a nossa história e deixarmos para trás a vergonha de sermos considerados pela imprensa mundial um lugar onde pessoas despreparadas podem ocupar o mais importante cargo da nação, onde a corrupção seja institucionalizada e a impunidade grassa em todos os níveis, além de sermos tidos como um país extremamente violento e perigoso. Vamos aguardar o próximo capitulo...

publicado por drtakeshimatsubara às 02:06 | comentar | favorito
18
Abr 16

O MURO DA VERGONHA

O MURO DA VERGONHA

 

Quando em 1989 vimos a queda do muro de Berlim, acreditamos que o mundo havia dado um salto sem volta, onde nunca mais teríamos que construir muros para separar irmãos, por causa de ideologia política.

Hoje, vejo entristecido, que neste canto do planeta, neste país que tinha conseguido destituir um presidente da República impopular, em 1992, indo para as ruas e pintando suas caras, de repente, alguns grupos políticos e órgãos de informação, conseguiram produzir dois Brasis, um vermelho, outro amarelo, onde foi fomentando o ódio, a irracionalidade, a intransigência, culminando com a necessidade de separá-los, através de um muro, para que não se engalfinhassem, não partissem para as brigas e quem sabe até, o extermínio mútuo.

Terminado o processo de impeachment da Câmara dos Deputados, com 367 deputados votando a favor do impeachment e 137 contrários, é chegado o momento de se fazer algumas reflexões.

Para a presidente Dilma e para o PT, juntamente com o ex-presidente Lula, é preciso entender uma questão básica. Não se governa um país, com o apoio de 137 deputados. Sei que os argumentos podem até serem válidos, pois talvez as bases legais que sustentaram a tese de impeachment sejam bastante fracos, mas o que esteve em julgamento, não foram as pedaladas fiscais, mas sim a constatação de que Lula errou, ao indicar uma pessoa totalmente despreparada para o exercício da mais importante função política em nosso país, de governar uma nação. Aqui não está em jogo uma tese machista, porque ela é mulher, ou qualquer preconceito por ela ser petista. Simplesmente, o que ela demonstrou em todos os momentos, é que ela estava despreparada para tal exercício. Demonstrou que suas ideias de governo, seu modo simplista de achar que com uma canetada poderia diminuir a conta de luz, os juros do país ou fomentar o crescimento econômico, foram todos desastrosos para a economia. Além disso, cercou-se de pessoas totalmente incompetentes para comporem sua equipe de trabalho, nos mais de 39 ministérios, o que agravou ainda mais o processo. E finalmente, a sua personalidade irascível, a sua falta de trato com as pessoas, a maneira desequilibrada com que tratou e trata seus subalternos, demonstra a sua total falta de liderança. Portanto, o impeachment é apenas uma carta de demissão do povo brasileiro para a presidente mais despreparada, impopular e incompetente que já ocupou a cadeira de presidente, no Palácio do Planalto em Brasília.

Porém, se a tese de impeachment avançar e Michel Temer insistir em ocupar o cargo, até 2018, restará contra ele uma rejeição popular de mais de 60% da população brasileira ao seu nome. Além disso, ele estará impedido de sair de Brasília, principalmente para outros países, pois ninguém, em sã consciência, aceitará que se ocupe a cadeira de presidente da República, como vice-presidente, um Eduardo Cunha, réu em vários processos da Operação Lava Jato, com diversas provas de que o mesmo têm diversas contas secretas no exterior, com diversos denunciantes citando seu nome por envolvimento em diversos processos de suborno junto à empreiteiras e bancos corruptos e que se sustenta no cargo de Presidente da Câmara através de chicanas e de abuso do seu poder, impedindo que seu nome seja levado à Comissão de Ética e tenha seu mandato cassado, como de fato ele merece. Muito menos que Renan Calheiros, mais sujo que pau de galinheiro, com outra montanha de citações na Operação Lava Jato e também em vias de ser processado pelo Supremo Tribunal por diversas irregularidades, venha a ocupar o posto presidencial.

A simples recondução da chapa que ficou em segundo lugar, de Aécio Neves, do PSDB, tampouco será uma solução aceitável, pois pesam contra ele diversas citações e denúncias de recebimento de propinas na operação que lavou o país.

Além disso, é difícil aceitar que tenhamos centenas de políticos envolvidos em diversas irregularidades, com citações de recebimento de propinas, esquemas de lavagem de dinheiro, ou que tenham sido eleitos com dinheiro de corrupção em empresas estatais e obras públicas. Principalmente que esses mesmos políticos tenham a caradura de ocupar os microfones e anunciar com a maior candura do mundo, que votam pelo impeachment de Dilma, para varrer a corrupção, ou então, em defesa do mandato da presidente, como vimos ontem pela televisão.

Se essas questões não forem resolvidas, a seguir adiante este processo de impeachment e darmos posse a Michel Temer e mantivermos os políticos citados, teremos aí sim, todos os ingredientes para uma explosão de revolta popular, principalmente do lado derrotado, que poderá fazer com que o muro seja apenas o início da divisão do pais em dois lados inconciliáveis, com ódios crescentes e que poderão culminar sim numa guerra civil.

Portanto, eu vejo como a única solução, capaz de solucionar esse impasse, que se façam eleições gerais. Precisamos de um presidente novo, com apoio popular, e coragem para que possa implantar mudanças duríssimas, que mexerão em bolsos e interesses arraigados há séculos neste país. Precisamos eleger uma Assembleia Constituinte, para se elaborar uma nova Constituição, pois a cada dia fica evidente que a Constituição de 1988 criou um monstro, que onera dia a dia o contribuinte, levando a uma carga tributária crescente e sem fim, tamanha a quantidade de leis e benefícios criados, mas tendo se esquecido de um pequeno detalhe: Não existe almoço grátis. Uma constituição paternalista, após 21 anos de ditadura, cheio de direitos para todo mundo, mas sem uma preocupação maior com os custos desses direitos. Não se pode criar um sistema único de saúde, universalizando o acesso da população, sem que se tenha uma fonte financiadora, uma fonte pagadora. É inaceitável que os impostos sejam gerados num lugar, sejam mandados para Brasília e de lá seja redistribuídos para os locais que o originaram, gerando uma cadeia de lobistas, de políticos corruptos que se acostumaram a receber o seu “retorno”, a sua comissão pela liberação da verba, com a maior naturalidade do mundo, como se fosse uma taxa de corretagem, esquecendo-se que isso é corrupção. Precisamos repensar todo o sistema político, pois é inaceitável que tenhamos quarenta partidos, mantidos pelo fundo partidário, com horário gratuito no rádio e na televisão, a grande maioria deles sendo apenas legendas de aluguel, que participam de coligações espúrias, corruptas e sem nenhuma representatividade, sem ideologia, sem sequer ter um programa político. Precisamos repensar todo o sistema de leis trabalhistas, um código de leis elaborado por Getúlio Vargas, na década de 30 e 40 do século passado e que pouco ou quase nada foimodernizado ao longo do tempo, gerando uma série de benefícios ilusórios, que oneram o empregador, tornando a empregabilidade uma política de alto custo para as empresas. Precisamos rever o nosso sistema previdenciário, pois não é justo que um trabalhador da iniciativa privada tenha direitos diferentes de um servidor público, quando da aposentadoria. (E eu sou um funcionário federal, médico perito do INSS). Precisamos rever todas as nossas leis civis e criminais, todo este sistema jurídico, que favorece quem tem dinheiro para pagar um bom advogado, recorrendo em várias instâncias, enquanto um ladrão de galinhas fica preso por décadas, num sistema injusto.

Enfim, precisamos repensar o país e passa-lo a limpo, convocar eleições gerais para todos os cargos eletivos, de presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores, em um sistema eleitoral onde se fiscalize a origem do dinheiro usado no financiamento das campanhas, evitando o dinheiro sujo de empreiteiras e empresas que futuramente farão negócios com o governo, pois essa conta sempre será cobrada com juros salgados.

Acredito que tudo o que temos passado nos últimos tempos seja maravilhoso para todos nós, e principalmente para o nosso país, pois estamos desnudando as entranhas do jogo do poder, a sujeira que sempre existiu, talvez em menor escala, mas que foi levado ao extremo, pelos governos petistas e que se tornaram ostensivos demais, impossíveis de serem escondidos, tamanha a proporção que tomou. Isso tudo é ótimo, pois toda crise gera mudanças e este processo traumático pelo qual estamos passando, precisa dar origem a um novo país, onde a percepção de todos os políticos seja reconduzido para a verdade dos fatos, de que eles são servidores públicos, temporários, que ocupam um cargo com a única finalidade de servir à população que os elegeram e que seu único beneficio, ao final do seu mandato, seja o do reconhecimento de quão importante eles foram para o melhoramento daquela comunidade que era a sua base eleitoral. Sonho? Talvez. Mas precisamos mudar o país e precisamos dar passos gigantescos, para recuperar o atraso gerado pela administração desastrosa de Dilma e do PT.

Esperemos por um amanhã...

publicado por drtakeshimatsubara às 15:51 | comentar | favorito
27
Mar 16

A PEDIATRA E O PT

A PEDIATRA E O PT.

Recentemente, foi noticiado na mídia e nas redes sociais que uma pediatra desmarcara a consulta de um paciente, sob a alegação de que a mãe, por ser filiada ao PT, era defensora de todo o estado de coisas ruins pelos quais o país está passando e, portanto, não haveria condições para ela continuar o atendimento.

Tal fato gera discussão e nos leva à uma reflexão profunda.

A que ponto chegou este país, onde irmãos da mesma família brigam e param de se falar, chegam ao ápice de cortar relações, por questões ideológicas e políticas?

Existe um fórum especializado na questão da médica, o CRM/RS, que com certeza, será provocado, através de uma sindicância, para avaliar se a pediatra incorreu em ofensa a algum artigo do código de ética médica e, portanto, se deverá ou não ser punida.

Mas o fato é que temos um país dividido ao meio. Ou oitenta por cento contra vinte, segundo as pesquisas e as manifestações.

O maior responsável (ou irresponsável) por essa divisão é Luís Inácio Lula da Silva. Nos momentos em que se sente acuado, Lula se especializou em jogar o jogo do “nós contra eles”. Para ser defendido pelos seus militantes, Lula joga o papel de vítima, jogando a culpa pelos seus erros à imprensa, ao capital estrangeiro, aos “coxinhas”, etc, criando assim um Brasil dos petistas e outro, dos inimigos dos petistas. Através da ameaça de seus braços armados, como as centrais sindicais e o movimento dos sem terra, Lula ameaça transformar o país em palco de uma guerra civil. Essa ameaça tem todos os ingredientes para não acabar bem.

Nesse contexto, temos um país, onde vestir uma camisa, seja ela vermelha ou amarela, define o lado em que você está. E é preciso destruir o inimigo, bater nele, acabar com ele .

O Brasil é um país maravilhoso, o único do mundo, onde um mascate libanês é acolhido por um comerciante judeu, no Bom Retiro, sendo tratado como amigo, sem rancores, sem ódios, sem inimizades. Onde japoneses, coreanos e chineses convivem pacificamente no bairro da Liberdade, de forma bem diferente dos seus países de origem, onde as sequelas da segunda guerra mundial deixaram marcas profundas, devido à agressividade dos soldados imperiais japoneses, que viam os inimigos como seres inferiores e passiveis de serem escravizados.

Nosso país é um mosaico, onde se sobressaem o branco português, o negro e o índio, mesclado com europeus e asiáticos que vieram posteriormente, todos miscigenados de forma perfeita, formando uma nova raça brasileira, com um cadinho de cada cultura, num processo vivo e que ainda está acontecendo, fazendo deste país um lugar diferente, onde a solidariedade e a fraternidade estão acima do materialismo e do individualismo, que imperam nos países ricos capitalistas. Somos um país pobre, em desenvolvimento, mas temos um espirito solidário, que permeia todas as atitudes do seu povo, tornando-o querido por todos os outros países do mundo.

Não podemos deixar que uma ideologia retrógrada, que não deu certo em lugar nenhum do mundo, venha a seduzir alguns poucos, que em nome dessa ideologia e do jogo de poder, querem transformar este país maravilhoso num local dividido, numa dualidade entre comunista e capitalista, entre petista e coxinha, entre vermelho e amarelo, de tal sorte que se tornem partes inconciliáveis, inimigos para serem destruídos pelas armas, numa guerra civil, cujo resultado ninguém sabe onde vai resultar. É só ver os americanos, onde ianques e confederados ainda hoje, passados quase 150 anos, têm uma desconfiança uns para os outros, como se não fossem membros de um mesmo país.

Temo muito pelo futuro do meu país. Como cristão, só me resta orar, pedir a Deus para que traga um pouco de sabedoria para os nossos líderes, para que desarmem seus espíritos, pois ao iniciarmos o terceiro milênio, temos que aspirar por um mundo onde saibamos conviver com as diferenças, onde cada ser tem a liberdade de ter e expressar suas opiniões, credos, religiões, time de futebol, etc, sem medo de ser destruído pelo inimigo ou pelo Estado.

Deste modo, não me cabe julgar a colega pediatra pelo seu ato de recusar o atendimento para uma criança, só porque sua mãe é militante do Partido dos Trabalhadores, mas apenas lamentar profundamente que tal fato tenha ocorrido. Uma criança não tem culpa alguma das escolhas feitas por seus pais. Pode ser que ela tenha incorrido em infração ao Artigo 23 do Código de Ética, que diz que é vedado ao médico: Tratar o ser humano sem civilidade ou consideração, desrespeitar sua dignidade ou discriminá-lo de qualquer forma ou sob qualquer pretexto.

A medicina é uma profissão muito difícil, aliás, eu digo sempre para os alunos das faculdades de medicina que a Medicina é uma arte, impregnada de ciência. É arte, pois o trato com outro ser humano necessita do emprego de vários dons, como o da paciência, da compassividade, da compaixão, do amor ao próximo, do respeito, da empatia, (ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro, do paciente, e sentir suas dores, seus medos, suas angustias), etc., de tal maneira que ela se soma ao conhecimento científico e técnico, para podermos assim prestar um bom atendimento. Existem muitos colegas que são verdadeiras sumidades em conhecimento técnico, mas uma negação em relacionamento humano. Serão ótimos pesquisadores, cientistas, mas nunca serão ótimos médicos. Já outros colegas, são políticos, os famosos “bagre ensaboados”, mas não estudam, não se atualizam e acabam cometendo erros por deficiência técnica. O equilíbrio entre estas duas constantes acabam formando um bom médico.

Quando um médico vai atender, é um ser humano que está diante de você. Poderá estar num mau dia, ter brigado com seu(ua) parceiro(a), estar preocupado com o saldo bancário, com a conta que não foi paga, sentir raiva do governante incompetente que onera sua vida com impostos, com cobranças injustas e, devido à essa humanidade, descarregar suas frustrações sobre o paciente. Não é certo, mas pode ocorrer. Parece que no caso em tela, a pediatra se recusou a atender a família, pois personalizou naquela mãe, militante do PT, todas as mazelas que afligem o país nos dias de hoje, com um escândalo de corrupção sem precedentes no mundo, tido como o maior caso de corrupção no mundo ocidental em todos os tempos. Com uma presidente incompetente como há séculos não se via neste país, que conseguiu arruinar pilares de economia, da indústria, do comércio, causando um retrocesso de décadas em toda a cadeia econômica. Com um ex-presidente acusado de enriquecimento ilícito e corrupção, que se esconde dos juízes e da Polícia Federal, ocupando um cargo de ministro de Estado, para adquirir foro privilegiado e tentar assim escapar das garras da justiça. Estas foram as alegações da pediatra, para cancelar a consulta do paciente.

Com certeza, a colega vai ter que assumir o ônus de sua postura, talvez ser julgada num processo ético profissional e acabar recebendo alguma penalidade, desde uma advertência até a suspensão do seu exercício profissional. Talvez isso a faça refletir se terá agido corretamente ou não.

A medicina como um todo está sendo julgada todos os dias, através do massacre impiedoso da imprensa, que se apega em alguns colegas desonestos, ou imperitos, ou negligentes, jogando todo o ônus dessa carga sobre todos os profissionais médicos, como se todos fossem mercenários, incompetentes, injustos, errados. O erro de um profissional não pode ser jogado na conta de toda a categoria. O profissional médico é fruto desta sociedade que nós temos. Se não temos médicos melhores, talvez seja o momento de nós nos perguntarmos o que precisa ser feito, para resgatarmos a ética, o respeito, a humanidade e a capacidade de exercer com amor esta profissão tão difícil, tão sacrificada, tão cansativa, mas ainda assim, maravilhosa, que nos preenche, que nos dá uma sensação de dever cumprido, de realização plena, quando bem exercida.

publicado por drtakeshimatsubara às 04:03 | comentar | ver comentários (2) | favorito