EDUCAÇÃO II

EDUCAÇÃO II Aproveitando o comentário formulado por Ana Helaisa, formulei esta resposta, que passo a compartilhar com os meus amigos. Quando minha esposa Silvia leu o post, “EDUCAÇÃO”, ela detestou, pela cara que fez, pois sinto que ela achou que fui muito condescendente com os educadores, enchendo muito a bola destes profissionais, quando ela, que trabalha na área, sabe que existem poucos bons professores e muitos professores ruins, que não querem saber de aproveitar as formações que lhes são oferecidos, que não querem saber de mudar seus métodos jurássicos de ensinar. São profissionais que vão empurrando a vida com a barriga, um dia depois do outro, esperando a aposentadoria com 25 anos de trabalho, para, aí sim, poderem, talvez, fazer aquilo que gostariam de ter feito, ao invés de dar aulas... Acho que, em todos os setores, temos bons e maus profissionais. Na Educação, temos muitos profissionais frustrados, que não conseguem passar entusiasmo para seus alunos e com isso, acabam prejudicando a formação e o desempenho dos seus discípulos. Mas acho que, conforme disse no Post, nós precisamos daqueles que atuam com a alma, com o coração, antes de serem racionais. Quando atuamos com paixão, entregamos uma energia naquilo que fazemos, que contagiam as pessoas à sua volta. Acho que infelizmente, a idade em que escolhemos nossa profissão, por volta dos 17 a 20 anos de idade, é aquela onde estamos ainda muito imaturos, e escolhemos nossa carreira por impulso, por ouvir dizer, de "orelhada". Na grande maioria das vezes, ao se terminar o curso, a pessoa sente que não era bem aquilo que ela gostaria de fazer a sua vida toda. Mas aí, vem o comodismo de seguir o caminho já inicialmente trilhado, e as pessoas continuam o curso, alguns fazendo mestrado, doutorado e outros avanços profissionais, mas sem o total envolvimento emocional. Com isso, tornam-se professores das faculdades, mas de péssima qualidade. Acho que, nem por isso, devemos achar que a profissão de professor é ruim em si mesmo. Acredito que aquilo que eu escrevi no Post é a minha visão de futuro, de um objetivo a ser alcançado, com o professor sendo muito bem remunerado, valorizado pela sociedade, recebendo uma formação continuada para poder se manter atualizado, aplicando as ferramentas modernas que a computação, as mídias e o uso misturado de velhas ferramentas, poderiam proporcionar ao ensino. Será um sonho termos num futuro próximo, professores de primário que dessem 4 horas de aula em toda a sua jornada de trabalho, com 4 horas para eles aplicarem no seu estudo, que tivessem formação com mestrado, doutorado, pós-doutorado, e pudessem receber uns $10 mil dólares de salário por isso? Será um sonho impossível? Bem, a Coréia do Sul e o Japão estão fazendo isso há uns 40 anos e têm dado certo, caprichando na formação de suas crianças desde o ensino primário, com aulas em período integral, mesclando aulas tradicionais, como português, matemática, física, biologia, etc, com aulas como teatro, dança, música, artesanato e outras, fazendo com que ao atingir o nível universitários seus alunos possam estudar em universidades que são centros formadores de altíssima tecnologia, cuja pesquisa gera conhecimento que são transferidos para as grandes corporações que ajudam a pagar os salários dos professores pelas suas experimentações realizadas. Nós brasileiros, temos um traço cultural que, ao mesmo tempo em que é a nossa fraqueza, é a nossa maior riqueza, ou seja, somos um povo aberto, sem preconceitos, que absorve as culturas que vêm de fora, misturando tudo, naquilo que eu chamo de “sincretismo brasileiro”. Por exemplo, o “sushi”, prato tipicamente japonês, foi incorporado pela culinária brasileira, de tal forma que, em qualquer região do país que se vá, temos um restaurante de comida japonesa. Porém, a característica principal, é que o sushi brasileiro incorporou o tempero brasileiro, acrescentando a manga, o kiwi, o queijo e a goiabada, enfim, o nosso sushi é um prato de origem japonesa, feito com peixe cru, que incorporou um traço brasileiro, enriquecendo-o e tornando-o um prato diferente do original japonês. Isto me enche de esperança de que possamos dar o nosso salto, copiando o modelo dos países desenvolvidos, mas colocando um tempero brasileiro, que tornaria nosso modelo educativo apropriado ao nosso clima tropical. Acho que as pessoas que lêem este blog acham um absurdo tudo isso que escrevo, um delírio de um sonhador utópico e que vive no mundo da fantasia, não no mundo real. Mas, se olharmos a história brasileira, vemos que nossa história, na verdade, se resume a menos de cem anos. Tirando alguns Estados litorâneos e cidades costeiras, o nosso interior era um deserto despovoado, até o início do século XX. As estradas paulistas foram iniciadas em 1930 e a industrialização para valer na Grande São Paulo, começou na década de sessenta. As principais cidades do nosso Estado, bem como o Estado do Paraná, Mato Grosso, Rondônia, têm menos de setenta, cinqüenta anos. Somos um país muito jovem, que estamos nos fazendo, criando uma cultura própria aos poucos, misturando traços raciais e culturais de diversas origens. Com isso, quando reclamamos que somos um país atrasado, temos que nos lembrar que as Universidades do Chile, do Peru e da Argentina, têm centenas de anos, enquanto nossa escola mais antiga foi fundada por Dom João VI, em 1808. Há cem anos, Buenos Aires era uma cidade cosmopolita, com todos os traços de uma cidade européia, cuja riqueza oriunda da exportação da carne, gerava uma sociedade culta, rica, que apreciava óperas, dança clássica, teatro, cafés, e livrarias cheias, enquanto São Paulo, tinha menos de 60 mil habitantes. O Rio de Janeiro, há 200 anos, quando da sua independência de Portugal, contava com menos de 300 mil habitantes. Portanto, se olharmos para trás, vemos que na verdade, nós avançamos demais, em tão pouco tempo. Por isso, quando reclamamos de tudo, de nossa saúde pública, da Educação, da segurança pública, temos que avaliar com uma lente menos pessimista e mais realista. O nosso sistema de saúde pública, o SUS, tem 20 anos desde a sua implantação. Em virtude de tudo isso, acho que devemos manter as esperanças de dias melhores, apostando nos bons, naqueles que trabalham com o coração, que se dedicam de corpo e alma àquilo que fazem. Devemos, sabendo de tudo isso, manter nosso olhar crítico, mas ao mesmo tempo, esperançoso, de que dias melhores podem pintar no nosso futuro, desde que nós façamos nossa parte e lutemos para que isso se torne realidade. O Brasil sempre foi tido pelos estudiosos de Economia como o país do futuro, que um dia tornar-se-ia uma grande potência econômica no mundo. Pois bem, o futuro chegou. Precisamos correr para não perdermos o bonde da história.
publicado por drtakeshimatsubara às 04:11 | comentar | favorito