ANTIBIÓTICOS

ANTIBIÓTICOS

 

Passamos ultimamente por um periodo de pouca inspiração para escrever. A criatividade não vem, e as idéias para escrever um texto para vocês andaram em baixa. Mas, como dizem os blogueiros profissionais, o maior pecado de um blog é você deixar de escrever, pois o interesse dos seus leitores ocorre na proporção direta da quantidade de textos que se escreve.

Uma das perguntas freqüentes que nós ouvimos dos pacientes  é com relação a homeopatia x alopatia. Se o uso de medicamentos homeopáticos, proíbe o uso de medicamentos tradicionais. A resposta é: NÃO. O uso concomitante de remédios homeopáticos com o uso de antibióticos, antitérmicos, antiinflamatórios e outros, não causam nenhum tipo de problema. Eles atuam em campos e locais totalmente diferentes, de modos totalmente diferentes.

O medicamento homeopático atua seguindo as leis da física, ou seja, ele é um medicamento energético. Nós dizemos que o medicamento homeopático funciona como um gatilho, que desencadeia toda a cascata de reações imunológicas, que ocasiona a cura das doenças. Nas reações químicas, nós aprendemos no colégio a figura do catalisador, o elemento que entra na reação e desencadeia a cascata de reações químicas que culminam em algum novo elemento químico. Pois bem, o medicamento homeopático é esse catalisador.  Ele funciona como se fosse um pequeno choque, que desencadeia uma série de reações, que culminam na recuperação da saúde do paciente.

Já o medicamento tradicional, alopático, funciona quantitativamente, ou seja, a quantidade em miligramas por volume de sangue leva o medicamento a ser distribuído por todo o corpo, até que ele chegue ao local onde tem que atuar. Se tivermos uma infecção de garganta, ao tomarmos um antibiótico, ele é absorvido pelo sistema digestivo, entra na corrente sanguínea e se distribui por todo o corpo, até que uma parte dela chega às amígdalas doentes, matam a bactéria que está causando a infecção e temos assim a cura. Como vocês já puderam perceber, para termos uma quantidade suficiente para atuar na garganta, ele se distribuiu por todo o resto do corpo, ou seja, ele foi ao fígado, ao rim, ao cérebro, pulmão, etc, e apenas uma pequena parte foi para o local desejado que era a amígdala. Com isso temos a grande quantidade de efeitos colaterais ou indesejados, quais sejam,  o uso do antibiótico provoca reações adversas, como náuseas, vômitos, diarréia, reações alérgicas na pele, etc, porque ele se distribuiu por locais onde não era necessário.

Outro problema que tem tirado o sono dos médicos e pesquisadores em relação aos antibióticos, é que o uso indiscriminado, tanto pela população, como pelos próprios médicos, tem causado uma corrida cada vez mais perigosa, entre o remédio e a bactéria, pois esta última, para se defender, lança mão de diversos mecanismos de resistência, a famigerada resistência bacteriana, de tal maneira que é necessário se lançar antibióticos cada vez mais potentes, de última geração, para matar as bactérias, que se defendem, criando uma série de mecanismos de resistências, passando a resistir à ação daquele antibiótico. Vai chegar um momento em que o antibiótico mais potente não vai conseguir matar a bactéria, e aí, nós teremos um problema realmente sério, que poderá causar a dizimação em massa da população humana. No final das contas, poderemos perder a guerra contra as bactérias. Para tentar amenizar esse risco, é necessário o uso racional dos medicamentos, saber  o quanto eles são importantes, mas com uso correto e no momento em que eles realmente sejam indicados.

 

Houve um grande avanço em nosso, país, pois a Anvisa agora exige a venda do antibiótico com receituário médico, em duas vias, ou seja, acabou, ou pelo menos, está se tentando acabar com a empurroterapia dos balconistas de farmácia, que permitiram o uso indiscriminado e desnecessário do antibiótico.

Agora, é preciso que os médicos façam a sua parte e prescrevam o antibiótico quando realmente necessário. Uma das grandes causas da queima dos antibióticos foi o uso desnecessário de antibióticos para doenças virais. Nas viroses, que representam mais de 90% das doenças febris em crianças, o antibiótico, além de desnecessário, é inútil, pois eles não atuam sobre aqueles seres vivos.

Com o uso racional e mais consciente dos antibióticos, poderemos ter, quem sabe no futuro, um risco menor de termos  “super-bactérias”resistentes a tudo, com de vez em quando tem ocorrido em alguns ambientes hospitalares.

publicado por drtakeshimatsubara às 15:56 | comentar | favorito