MOTOCICLETAS II

MOTOCICLETAS II

 

Andar de motocicleta, nos dias de hoje, parece um sinônimo
de suicídio. Mas, ao lado de pessoas que deixam suas bicicletas de lado, ou que
se cansam de andar nos ônibus, e se apertam para pagar uma mensalidade de R$
200,00 por mês para comprar sua Biz ou CG, ao lado desses motociclistas
utilitários, temos também uma legião que compra a moto por puro lazer.

Como objeto de diversão de gente grande, cada vez mais
pessoas compram suas motos de maior cilindrada, para poder se reunir nos moto
clubes, para compartilhar sua paixão sobre duas rodas, realizando encontros em
cidades distantes, onde o maior prazer é poder subir em sua moto, encher os
alforjes e as mochilas com roupa e se juntar a um grupo que viaja por este
Brasil afora, em grandes grupos de dezenas (às vezes centenas, milhares de
motos) para realizar encontros, onde o que menos conta é o destino final, e sim
a viagem em si, o curtir o passeio, em geral cada motociclista acompanhado de
suas esposas, namoradas ou filhos na garupa, gerando um movimento importante
que move uma roda milionária, com sua cadeia de negócios, como estandes  nestes encontros, onde se encontra diversos
materiais ligados à motocicleta, como roupas, adereços, botas, capacetes,
jaquetas, camisetas, etc. Ao mesmo tempo, esses moto encontros geram um
movimento que lotam os hotéis e restaurantes das cidades que sediam os eventos.

Ser membro de um moto clube, muitas vezes é uma honraria,
com um ritual de passagem, que consiste inicialmente de um período de
observação do candidato, para saber se aquele elemento se adéqua ao convívio
com o grupo, se ele não bebe demais e causaria algum desconforto aos membros
do  clube. Depois de aprovado, o membro
passa por um ritual de iniciação, para finalmente poder receber o seu colete,
que é o símbolo de que aquele sujeito faz parte de um grupo.

O cinema americano criou um mito, de que os moto clubes são
repletos de sujeitos mal encarados, barbudos, tatuados, arruaceiros que, quando
chegam às cidadezinhas, apavoram a população, causando mil problemas e quebra-quebra.
Nada mais falso e estereotipado.

Os moto clubes, em sua 
maioria, são repletos de pessoas de família, que reúnem as esposas,
filhos e filhas, avós e outros, em viagens verdadeiramente familiares, onde
reina um clima familiar e respeitoso, de muita amizade e camaradagem.

As viagens são um passeio e tem suas regras, como paradas
previamente combinadas, em postos para abastecimento das motocicletas, pois
estas têm uma autonomia menor que os automóveis, em geral a cada 150 a 200 km são
necessários parar para abastecer os tanques, que em geral comportam de 12 a 20
litros de gasolina.

Existem também regras de segurança, com uma distância mínima
entre as motos, a maneira correta de se fazer as ultrapassagens, o
companheirismo, com o sujeito que vai à frente, ditando a velocidade, o ritmo,
avisando sobre a existência de buracos na pista, a presença de animais ou outro
objeto que cause perigo ao grupo.

Quando não estão viajando, os membros do moto clube se reúnem
para festejar, comemorando datas festivas, ou promovendo atos de beneficências,
como visitas a creches, asilos, distribuição de cestas básicas, etc.

Como se vê, andar de moto, ser membro de um moto clube e
participar da vida em duas rodas, é uma atividade que vem se espalhando e se
generalizando por todo o país, criando uma geração de pessoas irmanadas por um
mesmo propósito: fazer poeira nas estradas, viver em um grupo de pessoas com
propósitos semelhantes e interesses comuns e também compartilhar as alegrias e
vicissitudes de ser membro de um grupo.

Por tudo isso, andar de moto, apesar dos inúmeros perigos
que ela encerra, tem se popularizado, dia a dia e se tornou extremamente comum
vermos grupos de motociclistas viajando pelas estradas, unidos em turmas numerosas,
fazendo seus passeios e nos confraternizando nos diversos encontros motociclísticos
pelo país afora.

publicado por drtakeshimatsubara às 19:34 | comentar | favorito