IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL

IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL

 

Em 18 de junho de 2008, foi comemorado o centenário da
imigração japonesa no Brasil. Dos primeiros imigrantes, que vieram a bordo do
navio Kasato Maru, e que atracou no porto de Santos, no dia 18 de junho de
1908, todos já morreram. Tivemos várias levas de imigrantes que vieram para o
Brasil, e a história se divide naqueles que vieram antes da II Guerra Mundial,
e depois da guerra, a partir de 1952.

A colônia Agrícola Nacional de Dourados, fundada em 1953 por
Getúlio Vargas, teve uma participação importante do SR. Yasutaro Matsubara,
que, apesar do mesmo sobrenome, não tem nenhum parentesco com a minha família.
Ele era um imigrante vindo do Japão, que se estabeleceu na região de Marília,
SP e que se tornou um grande fazendeiro e líder da colônia japonesa,
tornando-se amigo de Getúlio Vargas, que o chamava de “compadre Matsubara”.
Devido à amizade entre ambos, o Sr. Yasutaro pediu ao presidente que doasse
1000 lotes para os imigrantes japoneses, o que permitiu a vinda de centenas de
famílias diretamente do Japão e ajudaram a formar as colônias Kyoei, Laranja
Lima e Barreirão, hoje ricos produtores de soja e milho.

A minha família, imigrou em 1953, estabelecendo-se em
Santana do Itararé, PR, outra colônia japonesa que também fora fundada pelo Sr.
Yasutaro Matsubara, antes da segunda guerra mundial.

Decorridos cem anos de imigração, observamos que a
comunidade nikkey (como são chamados os descendentes de japoneses que moram no
Brasil e que se encontram bastante miscigenados) está totalmente integrada à
sociedade brasileira. Tivemos uma grande leva de dekasseguis, a partir de 1986,
que fizeram o caminho inverso e voltaram para o Japão, devido à carência de mão
de obra para trabalhar como operários nas fábricas japonesas. Uma parte deles retornou
ao Brasil e aqui estabeleceram seus negócios. Outros preferiram ficar morando
em definitivo no Japão.

Comparando a imigração japonesa no Brasil e nos Estados
Unidos, percebemos uma diferença gritante entre ambos. Aqui, já nas primeiras
levas, iniciou-se um processo de miscigenação, de tal maneira que hoje, mais da
metade dos nikkeys são mestiços. Lá, apesar da imigração mais antiga, a
miscigenação é mínima, principalmente devido ao preconceito dos americanos, que
não permitem o casamento inter-racial.

Inicialmente, os japoneses vieram para trabalhar nas
fazendas de café do interior paulista. Aos poucos, eles foram adquirindo terras
próprias e começaram a plantar, ajudando a promover uma grande mudança de
hábito na alimentação dos brasileiros, que antes dos japoneses, quase não
conheciam os legumes, as verduras e as frutas, de tal maneira a formar os
cinturões verdes ao redor das grandes cidades e fornecendo alfaces, repolhos,
tomate, pepinos, inhames e outros alimentos que vieram enriquecer o cardápio do
povo brasileiro. Aos poucos, como a grande ênfase e o esforço das famílias era
formar os seus filhos, estes começaram a adquirir diplomas universitários,
migrando para as cidades e tornando-se doutores.  Recentemente, tivemos um grande incremento da
aceitação popular pela comida nipônica, com um grande boom de restaurantes de
comidas japonesas popularizando os sushis e os sashimis, de tal maneira que quase
todo brasileiro perdeu o medo de encarar um prato feito com o peixe cru.

Enfim, o que podemos perceber é que, apesar das dificuldades
iniciais, no início do século passado, onde os imigrantes enfrentaram a
barreira da língua, do clima quente, da malária e de outras doenças, além de
outras inúmeras dificuldades de adaptação a um país que ficava do outro lado do
mundo, e tinha costumes e hábitos totalmente diferentes, aos poucos eles foram
se adaptando e se integrando à sociedade brasileira. Hoje, já na quarta e
quinta geração de descendentes, a colônia (comunidade fechada para preservar as
tradições, a cultura e a língua japonesa), praticamente  perderam o sentido de sua existência e os
descendentes ocupam cargos e postos em diferentes níveis, além de continuar
contribuindo para o constante progresso do país, principalmente na agricultura,
nas profissões liberais e em outros postos de trabalho.

publicado por drtakeshimatsubara às 09:44 | comentar | favorito