LIMITE É UMA FORMA DE AMOR

LIMITE É UMA FORMA DE AMOR

Eu sou fã do psiquiatra infantil e terapeuta Içami Tiba há muitos anos. Assisti suas palestras, li seus livros e vi diversas entrevistas concedidas para a imprensa.
Uma das coisas que mais me chamou atenção em sua teoria é a questão do LIMITE.
Uma palavra que anda em falta nas famílias e lares de hoje.
Vivemos a geração dos pais que trabalham fora o dia todo. A mãe, escolhe a hora de ter o seu filho. Geralmente, ela quer se formar numa boa faculdade, fazer uma boa pós-graduação, encontrar um bom emprego, fazer carreira, comprar uma casa, mobiliar a mesma, comprar um bom carro zero quilometro, ganhar um bom dinheiro e ufa! Casar com um bom partido ou então, parte para uma produção independente. Quando ela se encontra apta a ter o seu filho, já passou dos 30 anos. Ou está chegando próximo aos 40 anos. Ou seja, as pessoas se preocupam tanto em ter condições materiais ótimas para ter os seus filhos que, quando eles chegam, acham que ser bons pais e mães é dar o melhor, em termos materiais, para os rebentos.
Esquecem-se de que, na verdade, nem sempre o alto padrão de vida almejado é o mais importante em nossas vidas. Ou na dos nossos filhos.
Só o dinheiro e o luxo não aquecem os corações das crianças. Ganhar bastante dinheiro para poder pagar babás ou colocar os filhos com meses numa escola, transferindo a responsabilidade pela sua educação para outrem, nem sempre faz bem para a formação dos nossos filhos. É preciso que os pais entendam que ninguém está proibido de trabalhar fora de casa. O que é preciso ter em mente é que nós precisamos eleger quais são nossas prioridades. Se a prioridade for o trabalho, não deveríamos ter filhos. Se os filhos forem a prioridade, devemos dar a maior importância à sua formação. Precisamos investir nossa energia e esforço, concentrar nosso amor para eles, para que tenhamos bons frutos no futuro.
A palavra chave é limite. Colocar limite nos nossos filhos, é uma forma de amá-los também. Ensiná-los, desde pequeno, a respeitar as pessoas, os pais, os mais fracos é uma forma de dar limite.
Quando uma criança faz birra, na sua linguagem torta, ela está nos mandando uma mensagem. “Olha, estou tentando entender o mundo e preciso que você mostre para mim, até onde eu posso chegar. O que eu posso ou o que eu não devo fazer”. A grande maioria dos pais entendem tudo errado nesta hora e o que fazem? Adulam, expandem de forma ilimitada, deixando ela fazer o que quiser, não dando o limite que elas pedem. E aí? Na próxima vez, a birra vem mais forte, mais carregada de raiva, deixando os pais atônitos e sem entender nada.
Uma cena comum nos supermercados é ver o pimpolho de 1 ano e meio a 3 anos, rolar no chão, gritar, espernear, chorar, xingar, fazer o diabo enfim, porque a mãe se recusou a comprar um determinado produto que ela queria. O que faz a maioria das mães nessa hora? Ficam roxas de vergonha, vai até a prateleira e compra o malfadado produto. O que elas deveriam fazer da forma correta? Olhar firme no olhos da criança, dizer que não vai comprar e sair pisando duro, deixando-a no chão. Esta seria a forma correta de agir de uma mãe educadora. Porque se a criança não tiver público, o seu teatrinho não funciona e ela não atinge o seu intento.
Outra coisa que os pais não conseguiram entender ainda é que, na verdade, não há necessidade de uso da força física para se educar. É necessário o uso da força moral. O que é isso? Quando falamos com alguém, precisamos fazê-lo com convicção. Precisamos mostrar ao nosso filho que, quando dizemos não, aquele não é definitivamente um não. Não pode se transformar num sim por força do choro ou da chantagem da criança. Isto é força moral. É preciso que saibamos que quando subjugamos alguém pela força, ela não está nos respeitando, mas sim nos temendo. O medo não dura para sempre. O respeito não acaba.
Nossos filhos precisam nos respeitar sempre. Somos pais, não amigos ou companheiros apenas. Quando eles crescerem e tiverem maturidade para ser nossos amigos, mesmo assim, eles precisam ver que sempre seremos seus pais e nos respeitar como tais.
Eu sempre digo aos meus pacientes que os filhos não nos pertencem. Deus nos empresta e confia aos nossos cuidados, para que os amemos, preparemo-los para a vida, para que sejam bons cidadãos, éticos, trabalhadores, bons companheiros e para que casem e frutifiquem em novos lares, em novas famílias.
Este é o ciclo da vida e procedendo assim, teremos cumprido com nossa obrigação. Teremos sido bons pais e bons educadores.

publicado por drtakeshimatsubara às 01:27 | comentar | favorito