MEU FILHO NÃO COME!!!

MEU FILHO NÃO COME!

Esta é, provavelmente, a frase mais ouvida pelo pediatra ao longo de sua carreira. Quase todas as mães têm uma forte insegurança quanto a quantidade que seus filhos comem. Em geral, elas estabelecem uma quantidade arbitrária, tipo uma pratada, uma concha, um copo, uma mamadeira, etc. Quantidade esta boa para ela, mãe, mas, não necessariamente, é a quantidade que a criança precisa comer naquele determinado momento.
O primeiro princípio que tem que ficar claro para as mães é de que a desnutrição ocorre por absoluta falta de comida. Em situações de pobreza extrema, ou de guerra, quando há falta de alimento, ou seja, temos fome, a barriga ronca, mas não temos o que comer, Nesta situação, temos a desnutrição. Em casa onde tem comida, a criança não fica desnutrida. Se ela tiver fome, ela vai pedir e comer o que quiser ou tiver. Ou ela mesma se serve na geladeira.
O segundo princípio importante na alimentação dos filhos é que a família precisa comer adequada e corretamente. Os pais têm que dar o exemplo e comer alimentos saudáveis, evitando ao máximo o consumo de alimentos industrializados, os embutidos,(tipo salames, presuntos, mortadela, etc) refrigerantes, guloseimas, etc. São alimentos ocasionais, que devem ser consumidos esporadicamente. Devemos ter uma alimentação à base de verduras, frutas e legumes. Procurar diminuir o consumo de carnes e gordura animal e das frituras.
Para não consumir alimentos de má qualidade, devemos evitar a sua compra.
O terceiro princípio da boa alimentação é entender as mudanças que ocorrem na criança e no seu apetite, de acordo com a idade. Isto tem a ver com a velocidade com que ele cresce, que tem fases bem definidas. Por exemplo, uma criança que nasce com 3 kg aproximadamente, no final do primeiro mês, vai estar com 4,5 kg, ou seja, ele ganhou 1,5 kg em um mês. Conforme os meses vão se passando, a velocidade de ganho de peso vai diminuindo mês a mês. Após os 2 anos de idade, a criança ganhará 1,5 kg durante um ano, ou seja, o peso que ganhou no primeiro mês de vida, depois de 2 anos, ele ganhará e m12 meses. Com isso, é claro que o crescimento vai se modificando e o apetite também. O grande problema é que as mães não entendem e não aceitam essa mudança que ocorre fisiologicamente. E dá-lhe reclamação para o pediatra...
Outra coisa importante para a mãe entender, principalmente se ela for mãe de primeira viagem, é que o choro da criança significa um monte de coisas, e não somente que ele está com fome. O bebê chora porque está com frio, ou está com calor, ou querendo colo, ou porque a sua fralda está suja, porque está com cólica, dor de ouvido, porque a fralda está apertando, etc. Quando a mãe não consegue identificar adequadamente o choro e a sua causa, toda vez que isso acontece, ela enfia o peito na boca do bebê (ou a mamadeira). Isto, com certeza, é um dos principais motivos pelo qual ocorre a obesidade. A criança aprende que, qualquer problema que ela enfrente, resolve-se com comida. Aí quando ela cresce, qualquer frustração que ele enfrente ele tenta resolver mandando bala na comida. Se levou bronca do chefe, dá-lhe comida. Brigou com a namorada? Comida. Foi chamado de gordo? Comida. Por comer mais do que ele precisa, vêm a obesidade.
Portanto, de tudo que foi discutido aqui, dá para se perceber que o mais importante é respeitar o apetite da criança. A única maneira de se saber se a criança está com peso adequado, é pesando e medindo a criança e comparando com a tabela de adequação para o sexo e para a idade. É preciso parar com a mania de comparar o seu filho com o filho do vizinho, pois cada ser humano, tem o seu biotipo, a sua carga genética e o seu perfil de crescimento.
E por favor, não digam mais para o seu pediatra que o seu filho não come. Ele não aguenta mais ouvir essa frase...

publicado por drtakeshimatsubara às 01:28 | comentar | favorito