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Fev 10
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Fev 10

PEDIATRIA

 

PEDIATRIA
 
Há 25 anos, exerço a Pediatria, que tem sido a minha segunda paixão, depois da Silvia e dos meus filhos. Esta especialidade, tão exigente e difícil, exerce um fascínio irresistível em nós, pediatras.
Apesar de alguns espinhos, como os telefonemas despropositados nas horas impróprias, da recepção de bebês de madrugadas, dos plantões e de outras funções não tão maravilhosas, eu acho esta especialidade sensacional, pois ela é difícil de ser exercida, se não o for com intensidade e paixão.
Sempre que eu vou a alguns lugares públicos, minha esposa dá boas risadas, pois reconheço embevecido, como se fora um pai coruja, quando vejo um ex-paciente ou uma ex-paciente, jovem, bonita andando pelos shoppings ou pela rua. Dou um cutucão nela e digo: “Aquela foi minha paciente...” Sinto um orgulho indescritível, ao vê-los, quando se destacam em alguma coisa, ou quando se tornam pais e trazem seus filhos para que eu cuide deles. É uma sensação gostosa de dever cumprido, de missão realizada. Algumas vezes, pessoas me param na rua, para me dizer que seu filho fora salvo de alguma doença grave, há quinze, vinte anos atrás e que hoje se tornou um adulto, vencedor.
A medicina em si, é uma profissão linda, que nos permite vivenciar grandes momentos, de muita realização profissional, de muita gratificação. Se o médico souber colocar o dinheiro como uma recompensa justa pelo bom trabalho, e não um fim em si mesmo, ela nos permite vivenciar momentos de muita riqueza espiritual. Coisa que dinheiro nenhum consegue suplantar.
Há alguns anos, tem ocorrido um fenômeno preocupante nas escolas formadoras, ou seja, nas residências médicas, têm sobrado vagas na área de  Pediatria. Muitas vezes, faltam candidatos para preencher as vagas oferecidas, levando os serviços a diminuí-las paulatinamente. Enquanto os formandos em Medicina se digladiam para se tornar cirurgiões plásticos, radiologistas, e outras especialidades, a pediatria, juntamente com a Ginecologia e Obstetrícia, tem sido pouco procurado pelos candidatos. A grande maioria deles alega que as mães são muito chatas, que a especialidade é muito cansativa, que não suportam choro de criança, etc. São argumentos fortes, mas na verdade, esses espinhos escondem a grande beleza da especialidade.
Eu sempre digo que as crianças são seres muito especiais, que nos devolvem de forma proporcional, a atenção dispensada a elas. Se olharmos em seus olhos e dermos amor, recebemos o dobro do carinho. Se dermos apenas frieza e desatenção, receberemos indiferença.
A vida tem me ensinado que é muito melhor trabalhar com AMOR. Em todos os lugares, seja no posto de Saúde ou no consultório, é o mesmo amor, incondicional e sincero, que eu tenho dedicado aos meus pacientes, e tenho recebido muito mais, em gestos, palavras e formas de carinho.
Isto faz com que o dia transcorra rápido, as horas passam sem serem percebidas, pois o trabalho não se torna um fardo, mas uma forma prazerosa de se viver.
Enquanto fui professor da Faculdade de Medicina de Dourados, procurei passar para meus alunos, a beleza da especialidade. Graças ao bom Deus, acho que influenciei alguns alunos a escolher esta profissão. Nas aulas práticas, procurava ensinar que o exame de uma criança não deve ser o momento de torturar o paciente, mas sim de examinar, de maneira respeitosa e carinhosa, um ser que se encontra amedrontado, nos associando com dor e sofrimento. Este ensinamento eu tive com uma professora, há 25 anos, a Professora Ana Júlia, em Santo André, que sempre frisava o modo correto de se examinar uma criança, sem machucá-la e sem desrespeitá-la. Este ensinamento tem me acompanhado por toda a minha vida profissional.
Espero, sinceramente, que o cenário profissional tenha uma reviravolta, e que mais médicos queiram exercer essa linda especialidade, que voltem a aumentar a procura nos centros formadores de pediatria, pois o Brasil é um país jovem, com muitas crianças que precisam ser atendidas e cuidadas.
 
publicado por drtakeshimatsubara às 03:27 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Fev 10

CRIANÇAS INDIGO E CRIANÇAS CRISTAL I

 

CRIANÇAS INDIGO E CRIANÇAS CRISTAIS PARTE I
 
Nos últimos anos, nós pediatras, que lidamos diuturnamente com crianças, temos tido a oportunidade de perceber que algo diferente está acontecendo com nossas crianças.
De uns dez anos para cá, percebemos que têm nascido crianças muito especiais, inteligentes, sensíveis, extremamente precoces em seu desenvolvimento, e alguns superdotados, com dons, seja artísticos ou científicos, que nos deixam de queixo caído.
Buscando informações sobre essas crianças, mormente na internet, encontrei o tema deste nosso post. Lendo vários artigos sobre o assunto, alguns itens ficaram mais claros.
Desde a década de 60 a 70, começou a reencarnar em nosso planeta espíritos evoluídos, cuja aura irradia uma cor azul índigo, daí o nome crianças índigo. Estes são espíritos de certa forma rebeldes, questionadores, alguns difíceis de serem educados pelos pais e pelas escolas, pois simplesmente não aceitam a lógica reinante, qual seja, “eu sou seu pai e portanto me obedeça” ou “sou sua professora, portanto, fique quietinho que aqui mando eu”. Para estas crianças índigo, a única maneira de ter alguma ascensão sobre elas é pelo convencimento, pelos argumentos e pelo diálogo. Qualquer outra forma, baseada na força, simplesmente não funciona, pois elas não têm medo do castigo físico ou de cara feia.
São espíritos que vieram preparar o mundo para uma revolução que está em curso, pois nosso planeta está passando por uma elevação de grau, ou seja, estamos passando de um planeta penitenciária para um planeta em regeneração.
Conforme diziam os profetas do apocalipse, nos últimos tempos, as portas do inferno seriam abertas, para oferecer uma oportunidade aos espíritos mais atrasados de, pela última vez, reencarnarem na Terra e melhorarem. Porém, essa oportunidade foi desperdiçada, e este planeta não poderá mais permitir o reencarne delas nas próximas gerações. Com isso, somente os espíritos melhores poderão aqui reencarnar, o que, inevitavelmente, causará uma elevação de estágio e de nível vibracional dos seres que aqui encarnarão. E isto tem ocorrido sistematicamente, fazendo com que levas e Levas de espíritos melhores reencarnem, causando confusão em nossas cabeças, seja de profissionais de saúde, da educação ou mesmo nos pais.
A partir do ano de 2000, as crianças cristais começaram a reencarnar neste planeta. São crianças cuja aura é incolor, daí o nome cristal; são espíritos de alto gabarito, de muita elevação e que guiarão o nosso planeta no futuro próximo. Elas têm capacidade telepática e por isso, têm alguma dificuldade em aprender a falar em nossa linguagem oral. Além disso, têm uma alta sensibilidade para as artes, a música, e outras atividades elevadas. São crianças amorosas, compassivas e com alto nível de altruísmo, sendo as suas preocupações voltadas para outrem, seja sua família, amigos ou mesmo pessoas desprovidas da sorte, a quem dedicam sua atenção e preocupação.
Baseado nesta observação, eu não consigo acreditar que o nosso Criador desperdiçaria essa leva de espíritos bons que têm reencarnado e cause o “fim do mundo”, como preconizado por muitas seitas e religiões. Acredito muito mais que o fim do mundo, seja na verdade, o fim do mundo da violência, das drogas, do sexo desenfreado, do materialismo, do consumismo, do egoísmo e de toda forma de maldade que ainda têm imperado em nosso mundo atual. Estes espíritos, mais atrasados, com certeza não terão lugar neste novo mundo que se avizinha, e terão provavelmente, que ser removidos para outro planeta mais atrasado, mais de acordo com seu grau de vibração e evolução, onde terão que recomeçar o ciclo evolutivo, como alunos reprovados no exame de elevação de nível.
Enquanto isso, o planeta Terra, livre dos Pablo Escobar, Fernandinho Beira Mar e outros desse nível, passará por um processo acelerado de desenvolvimento moral, onde as atuais crianças cristal, escudados e auxiliados pelas crianças índigo, serão os líderes desse processo, seja como governantes, seja como empreendedores,numa nova maneira de se cuidar da coisa pública, sem a corrupção que hoje grassa entre nossos políticos, seja nas empresas, que hoje vêem o empregado como um escravo a ser explorado e que no futuro próximo, verá no funcionário um colaborador, um ente importante, fundamental e razão de ser da empresa, que não mais buscará o lucro desenfreado, mas será o local que permitirá a todos trabalhar, crescer, desenvolver financeiramente e levar desenvolvimento para as comunidades. Parece uma grande utopia, mas parece lógico, ao assistirmos as mudanças aceleradas pelas quais o nosso mundo tem passado. Os grandes cataclismos, os grandes terremotos, maremotos e outras grandes tragédias que têm ocorrido ultimamente, parece ser o prenúncio de que na verdade, o fim dos tempos já chegou e está acontecendo em todos os lugares e momentos. É um processo acelerado de depuração, onde as células doentes, cancerosas, estão sendo removidas para permitir a cura do doente, o nosso planeta, para que o mesmo possa continuar a sua existência.
Independente de ficarmos ou sermos removidos, esta é uma oportunidade ímpar de aprendizado, pois seja qual for o nosso destino, teremos a oportunidade de assistirmos uma grande transformação, na verdade, uma grande revolução em nosso mundo. Passada a tempestade, uma era de grande bonança se seguirá, com muita qualidade de vida para todos que aqui restarem.
É esperar para ver. Quem viver, verá.
publicado por drtakeshimatsubara às 14:41 | comentar | ver comentários (2) | favorito

ALEITAMENTO MATERNO

Uma das perguntas mais freqüentes, em consultório de pediatria, é em relação à alimentação.
O aleitamento materno, sem dúvida alguma, é um dos atos mais maravilhosos e divinos na vida da mulher que têm essa possibilidade, pois, a cada dia que passa, as pesquisas mostram novas surpresas sobre a propriedade do leite materno. Por exemplo, ele tem uma composição diferente, dependendo da idade do lactente, se ele for prematuro, ou se o dia estiver mais quente, ou mais frio, a composição muda, acompanhando a necessidade do seu filho. Além disso, é sabido por todos que o colostro, aquela “aguinha” que toda mãe produz nos primeiros dias do aleitamento, tem uma composição riquíssima em anticorpos, seria como uma vacina, que vai proteger o bebê nos primeiros meses de vida, para que o mesmo possa enfrentar os vírus, bactérias e fungos que tentam causar doenças. Além disso, o ato de amamentar, é carregado de toda uma energia positiva, que fortalece a relação mamãe-bebê, criando vínculos que perdurarão por toda a vida de ambos.
Existem alguns “segredinhos” que precisam ser conhecidos pelas mães, cujo desconhecimento, é causa freqüente de interrupção precoce do aleitamento. Após a descida do colostro, este precisa ser esgotado, o que dura em média de um a dois dias, para permitir a descida do leite, propriamente dito. O fator primordial que provoca a produção do leite, é a sucção do bico do peito, pelo neném. Quanto mais forte a sucção, mais rápido a descida do leite. Além disso, após alguns dias, em torno de 7 dias, existe uma produção exagerada, que faz com que o leite vaze, chegue mesmo a esguichar longe, molhando a roupa da mãe. Como a criança não dá conta de toda a produção, o cérebro manda uma ordem para a mama produzir menos leite, ocasionando uma diminuição, em geral por volta dos quinze dias desde o inicio do processo. Nesta hora, uma grande quantidade de mães, por desconhecer o mecanismo, fica preocupada, achando que o seu filho está passando fome, e tasca uma mamadeira de leite, em geral leite Nan. Neste momento, a grande maioria das mães interrompe o aleitamento, por desinformação.
Portanto, precisamos disseminar conhecimento sobre aleitamento, pois a nossa sociedade está saindo de uma geração que deu muita ênfase para o aleitamento artificial, devido a interesses escusos, e muita informação foi perdida. Muitas das avós de hoje, não amamentaram seus filhos e por isso, desconhecem algumas informações importantes para passar para suas filhas que estão procurando resgatar essa medida de alimentar os seus filhos, que ela sabe ser melhor para o seu filho.

publicado por drtakeshimatsubara às 01:46 | comentar | ver comentários (2) | favorito

DISCIPLINA

A humanidade, vive de ciclos, de expansão e retração, sístole e diástole, yin e yang. São movimentos complementares, onde um completa o outro. Até a década de 50, tivemos uma fase conservadora, conseqüência da era vitoriana, onde a moral e os bons costumes pregavam que a mulher devia se casar virgem, os pais castigavam os filhos com palmatórias, cintos e outros apetrechos, e a moda refletia isso, com saias longas, para as mocinhas e os rapazes de terninhos e outras roupas hoje tidas como caretas.
De repente, tivemos a década de 60, onde tivemos várias revoluções que sacudiram nosso mundo: Foi inventada a pílula anticoncepcional, e isto ocasionou os movimentos pelo amor livre, os hippies e os festivais de rock. Tivemos também a revolução dos estudantes, que começou em Paris e se espalhou pelo mundo todo, rebelando-se contra o modelo de educação conservador nas universidades; tivemos uma mudança intensa nos costumes, pois a sociedade passou a questionar avirgindade, o casamento para a vida toda, o aborto, etc.
Diante de tanta transformação, no sistema pedagógico, começou a imperar um modelo piagetiano, (Jean Piaget 1896-1980), que pregava que as crianças deviam ser deixadas livres, sem amarras e que os educadores não deviam tolher a liberdade criativa das criancas. Isto causou uma profunda transformação no modo de pensar e educar no mundo todo.
Associado a isso tudo, veio o Estatuto da Criança e do Adolescente, (Lei 8069 de 13 de Julho de 1990), que apesar de todos os seus progressos e virtudes, veio confundir a cabeça dos pais e colocar medo neles, pois qualquer ação sobre seus filhos poderia ser motivo para ser achincalhado pelo Conselho Tutelar.
Diante de tudo isso, os pais se sentem totalmente inseguros sobre como conduzir a educação dos seus filhos. Alguns, optam por deixar o barco correr, esperando que a escola dê a educação que o seu filho precisa.

CONTINUA NO PRÓXIMO POST

publicado por drtakeshimatsubara às 01:45 | comentar | favorito

DISCIPLINA, PARTE II

Conforme postado anteriormente, a disciplina tornou-se um problema sério para a sociedade de hoje, pois os pais se sentem perdidos, sem rumo, sem saber como educar os seus filhos.
As mudanças na sociedade foram tão intensas e rápidas, que nós não tivemos tempo de nos adaptar a elas. A geração que hoje seria dos avôs, (onde alguns deles foram os hippies de ontem), não soube instruir os pais de hoje adequadamente sobre os modelos de educação a ser seguido.
A maior dificuldade na educação dos nossos filhos ocorre porque eles não vêm com manual. Cada pai e mãe têm que descobrir, empiricamente, como melhor educar os seus filhos. E nesse processo de tentativa e erro, estes últimos são maiores.
Um dos princípios básicos, na educação de nossas crianças é que precisamos corrigir o comportamento inadequado, na primeira vez em que ele ocorre, não importando a idade dos nossos rebentos. Desde o bebê pequeno, com alguns meses de idade, quando ele chora de birra, deve-se mostrar nosso descontentamento com isso, ao invés de atendermos todos os seus caprichos. Quando um pouco maior, ele faz cenas no supermercado, porque a mãe não comprou o chocolate que ele queria. A melhor conduta nessa hora, é simplesmente ignorar, pois ele sabe que, fazendo escândalo, a mãe fica morrendo de vergonha dos espectadores em volta e acaba comprando o que ele queria. Se a mãe tiver coragem e simplesmente não aceitar o jogo, saindo de cena, ele fica sem público e o seu teatrinho não terá funcionado.
Portanto, conforme diz o psiquiatra infantil, dr. Içami Tiba, amar nossos filhos é saber dizer não na hora certa. Nem sempre, ao fazermos todas as suas vontades, estaremos adquirindo o amor e o respeito das crianças, ao contrário, estaremos fazendo com que eles percam o respeito, fator primordial numa relação entre pais e filhos.

publicado por drtakeshimatsubara às 01:44 | comentar | favorito

POLÍTICA NO BRASIL

Por um breve período, de 2002 a 2003, fui secretário Municipal de Saúde de Dourados, MS, Brasil, de onde eu saí em julho de 2003, devido a um infarto sofrido, em função do stress vivido.

Após essa saída, fui médico do PSF durante um períodi e logo em 2005, fui aprovado no concurso para médico perito do INSS, o que me permitiram finalmente construir minha casa e agora, trocar de carro.

Logo, começaram os comentários maldosos, dizendo que eu havia roubado dinheiro da secretaria de Saúde, pois mudara de um bairro de periferia, o Jardim Maracanã, para morar numa casa num bairro nobre de Dourados.

Coloco o meu sigilo bancário, telefônico, fiscal, de todos os meus parentes  e de quem mais as pessoas quiserem saber, a disposicao do povo douradense, para que os mesmos confirmem essa suspeita canalha.

Parece que neste país, toda pessoa que ocupa cargo público já carrega uma pecha, uma suspeita de início, de que o mesmo é ladrão.

Triste país o nosso, onde pessoas de bem não podem fazer nada por seu próximo

Espero que algum dia, as pessoas possam usar a política para o beneficio comum, para que todos possam se beneficiar do mesmo para melhorar a coletividade, em vez de ficar usando a mesma para beneficio proprio.

Quem sabe um dia?

publicado por drtakeshimatsubara às 01:42 | comentar | favorito

FILHOS

FILHOS

A sociedade moderna, após a década de 70 e 80, valorizou a diminuição do número de filhos nas famílias brasileiras. Estamos hoje com uma média de 1,8 filhos por casal, e isso tem uma série de consequências na nossa estrutura social.
Em primeiro lugar, são muitos os casais que resolvem não ter filhos. Seja por medo da violência, da falta de coragem de colocar um filho neste mundo tão cheio de maldades, seja por problemas biológicos, a verdade é que estas famílias sem filhos vivem em função do aqui e agora, sem se preocupar com o amanhã.
Outros casais, resolvem ter um filho apenas. Investem tudo naquele filho. Aulas de inglês, piano, kumon, esportes, natação, reforços escolares, terapia, etc. Ufa! Fazem uma programação da vida daquele filho desde antes dele nascer. Irá estudar nas melhores escolas,desde o maternal para que no futuro, faça a melhor faculdade, escolhem as vezes a profissão do filho, esquecendo de um pequeno detalhe: Esquecem de perguntar para o filho o que ele gostaria de fazer...
Em geral, os casais escolhem ter dois filhos, de preferência um casal de filhos. Também fazem uma programação, embora não tão rígida como no exemplo anterior, mas investem todas as fichas na educação, da melhor forma possível, para aqueles filhos, para que tenham a possibilidade da escalada social.
Já as famílias com 3 ou mais filhos são a exceção à regra. Seja por um acidente (a laqueadura que falhou, a camisinha que furou, o diu que não deu certo,) ou mesmo por opção, são a raridade nos dias de hoje. O mundo moderno conspira contra essas famílias: Quando viajam, quando vão para os restaurantes, nos quartos de hotéis, etc, tudo é planejado para no máximo 2 filhos, sendo quase sempre necessário alguma adaptação.
Outra mudança ocorrida na sociedade neste últimos cinquenta anos, foi a mudança das famílias, que antes eram multinucleadas e rurais, ou seja, conviviam nas fazendas ou nos casarões os avós, tios, sobrinhos, junto com os pais e filhos, para as famílias nucleadas, ou seja, somente pais e filhos. Não há , nas famílias de hoje, espaço para o convívio com muitos parentes e, com isso, perdeu-se também a troca de experiências. As famílias de antigamente tinham a participação de todos, ou seja, os avós davam opinião, bem como os tios e primos ajudavam na educação, e essa troca de informações enriquecia, de certa forma, a educação familiar. É claro que isso motivava brigas, desentendimentos, e outros danos, mas em geral, as famílias superavam essas dificuldades. Com a perda dessa fonte de informações, os pais modernos buscam informações com médicos, professores, vizinhos, internet, etc.
Na verdade, toda vez que nós olhamos o passado com nostalgia, podemos dar margem à fantasia e idealizações, ou seja, podemos imaginar que no passado era melhor que nos dias de hoje. Na verdade, nem sempre isso era verdade. Podemos nos esquecer que no passado, as famílias tinham muitos filhos porque a mortalidade infantil era muito alta e não raro, em famílias que tinham tido dezenas de filhos, um grande número deles morria, de sarampo, pneumonia, diarreia, desnutrição, etc. Além disso, nos grupos familiares numerosos, havia uma crença que os mais velhos eram sábios e deviam ser obedecidos cegamente, dando azo a muita crendice e informações errôneas que eram transmitidos de avó para mãe para filha.
A grande verdade é que as famílias de hoje, buscam de alguma forma, não errar ou errar menos, na educação dos filhos.
Precisamos ter em mente que na verdade, a questão prioritária é qualitativa e não quantitativa.
Em primeiro lugar, não adianta encher o filho de atividade desde que ele nasce, mas sim, escolher aquelas `as quais ele tem maior dom e preferência. Não podemos perder de vista que criança precisa brincar e não ter o dia todo ocupado com atividades maçantes e cansativas.
Precisamos aprender, enquanto pais, que, na natureza, o excesso de adubo mata a planta. O excesso de amor, sufocante e exagerado, pode sufocar as potencialidades do nosso filho. E estragá-lo pelo resto da vida. Eu tinha um professor, já falecido, que foi meu grande mestre, que dizia que estamos vivendo a geração “moyashi”. Para quem não sabe, moyashi é o broto de feijão, que nós comemos na salada e que é muito usada na culinária japonesa. Para se ter o moyashi, coloca-se o feijão apropriado, chamado feijão azuki, para brotar, num ambiente sem luz e com muita água. Ele cresce mole, sem caule, sem estrutura. Esta é uma geração onde os pais protegem tanto os seus filhos das dificuldades da vida, que eles crescem sem estrutura, sem caule, sem forma e moles, não resistindo a nenhuma dificuldade. Isto tem causado, no Japão, um índice assustador de jovens que se suicidam, quando têm uma frustração, seja profissional ou afetiva.
Outra coisa que não podemos perder de vista é que a vida é do filho e não nossa. Aprender a respeitar os seus anseios e desejos, quais são os objetivos de vida, os seus projetos profissionais, as suas relações. Procurar não transferir nossas frustrações e desejos não realizados para que nosso filho o faça por nós.
Enfim, precisamos aprender que ter filhos, educá-los e prepará-los para a vida é uma grande arte, onde precisamos dosar paciência, conhecimento e, principalmente, muito amor. Mas na dose certa. Não é uma empreitada fácil, mas não é nada impossível, desde que nós possamos manter, acima de tudo, o bom senso e a sabedoria.

publicado por drtakeshimatsubara às 01:40 | comentar | favorito

CENTRO HOMEOPÁTICO DE SAÚDE PÚBLICA DE DOURADOS

CENTRO HOMEOPÁTICO DE SAUDE PÚBLICA DE DOURADOS

Em 18 de maio de 1992 foi fundado o Cento Homeopático de Saúde Pública de Dourados, “Dr. Santiago Martinez dos Santos,” numa edícula na Rua Antonio Emilio de Figueiredo. Era uma casa que tinha um problema crônico no telhado e, toda vez que chovia forte, inundava tudo por dentro. Mas, foi um embrião de um projeto visionário, liderado por vários médicos homeopatas da cidade e que contou com o apoio do então prefeito, Brás Melo, que foi um grande incentivador do projeto.
Ao longo dos anos, ele foi mudado para, como dizia o dr. Archiduque Fernandes, a b... (região glútea) do Centro de Saúde Tipo A até que, em 30 de janeiro de 2000, ser inaugurado em prédio próprio, no segundo mandato do prefeito Brás Melo, com Sandro Barbara como secretário de Saúde da época.
Ao longo desses dezessete anos, ele serviu para fornecer material para diversas teses de mestrado e doutorado de vários autores de grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro; serviu também para estágio de diversos alunos formados no curso de homeopatia de Campo Grande, que tinham lá suas aulas teóricas,, mas a parte prática, concluíram no Centro Homeopático, cujo volume de atendimento, contribuiu decisivamente para a grande qualidade dos médicos formados. Seu projeto serviu de inspiração para que outros centros homeopáticos fossem criados pelo Brasil afora, como Juiz de Fora, Vitória, Rio de Janeiro, Volta Redonda, etc.
Através da liderança natural do dr. Archiduque, juntamente com o Dr. Ailton Salviano, dr. Nelson Kozoroski, Dra. Maristela Menezes, Dr. Carlos Cesar Gazal Mahmoud, dr. Takeshi Matsubara dra, Alice Kozoroski, Dr. Laidenss Guimarães, dra. Heliá, Dra. Eliane, dr. Sérgio Marra, vários médicos, ao longo dos anos, compartilharam, com dra. Waldenil Carneiro Rolim, psicóloga, e vários funcionários, a honra e o privilégio de poder trabalhar num local onde se respira homeopatia.
O Centro Homeopático tratou milhares de pacientes ao longo desses anos, gratuitamente, pelo Sus, contribuindo para a difusão da homeopatia em nossa cidade e região. Apesar de todas as campanhas difamatórias que a Rede Globo desenvolveu ao longo dos anos, ela não conseguiu abafar e acabar com essa especialidade, pois seus resultados falam mais alto que todo o preconceito e desinformação, inclusive de diversos médicos e cientistas, cujo desconhecimento sobre o tema, aliado ao racionalismo exacerbado, contribuiu para fomentar essas campanhas negativas. Como dizia o dr. Archiduque, contra fatos não há argumentos. O fato é que os pacientes melhoraram, não precisaram mais tomar remédios aos montes, as crianças com asma não precisaram mais tomar corticóides, fazer inalações de madrugada, as infecções de garganta sararam sem nenhuma injeção, antibióticos ou anti-inflamatório, somente tomando aquelas “bolinhas de açúcar”. Isso formou uma legião de fãs, que, boca-a-boca, foi divulgando a homeopatia e o Centro Homeopático.
Realmente, é incrível que, passados tantos anos, ainda existam pessoas que desconheçam a existência do Centro Homeopático. Mal sabem elas que este foi o primeiro centro dedicado exclusivamente à homeopatia no Brasil. Que, nos Congressos de Homeopatia pelo país, ele seja uma referência sempre citada. Nós douradenses, padecemos de uma baixa auto-estima, pois não valorizamos nossas riquezas. Este é, com certeza, mais um motivo para nos sentirmos orgulhosos de aqui morarmos. Esperamos que o nosso prefeito, que está se mostrando tão afeito a desfazer, a desconstruir e até mesmo destruir obras dos políticos anteriores, seja tocado pelo espírito da construção e da reforma, para ampliar e divulgar essa obra que pertence a todos nós. O secretário de Saúde, Sandro Barbara, participou ativamente da construção do prédio em 2000. Agora, cabe ao mesmo, atuar positivamente para alçar este serviço ao lugar de destaque que ele merece.

publicado por drtakeshimatsubara às 01:39 | comentar | favorito

HISTÓRIA DA FACULDADE DE MEDICINA DE DOURADOS

HISTÓRIA DA FACULDADE DE MEDICINA DE DOURADOS.

Em meados de 1999 eu era secretário da Associação Médica da Grande Dourados, quando começou o movimento para a criação da Faculdade de Medicina em Dourados. Havia na época, 2 faculdades particulares, uma de Marilia-SP e outra de Presidente Prudente -SP, que estavam interessados em se estabelecer em nossa cidade com esse curso. A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, através do seu reitor da época, Jorge João Chacha, e do Professor Wilson Biazotto, diretor do CEUD, viabilizaram 50 vagas do curso médico a ser transferido para o Campus de Dourados. Criou-se então um movimento, liderado pela Associação Médica para viabilizar o curso em nossa cidade, pela universidade pública. Seis médicos, diretores da Associação, Dr. Leidniz Guimarães, Dra. Denise Nemirovsky, Dr. Alexandre Cassaro, Takeshi Matsubara, Dr. Eduardo Marcondes e Dr. Raul Espinosa Cacho, juntamente com a Professora Dirce Ney, do Departamento de Educação da UFMS, elaboraram todo o projeto pedagógico, a grade curricular, as disciplinas, enfim, toda a estrutura do curso.
Houve um movimento da Classe médica de Campo Grande, através do Conselho Regional de Medicina, Associação Médica de Mato Grosso do Sul e Sindicato dos Médicos do Estado, que puseram notas na imprensa, pois eram contrários à abertura do curso de Dourados e da Medicina da Uniderp em Campo Grande. A sociedade organizada de Dourados, reagiu e saiu às ruas, e o reitor da UFMS, numa entrevista à Grande FM, confirmou a implantação do curso.
A Associação Médica de Dourados, que abraçara a causa desde o começo, teve vários colegas que se ofereceram como professores voluntários. Já eleito presidente da Associação eu pude liderar esse movimento. O curso dispunha de uma verba mensal de R$ 12 mil. Vejam bem, uma Faculdade de Medicina que dispunha de uma verba irrisória, quando faculdades particulares cobram mensalidades de 3 mil reais por aluno. Enquanto uma Faculdade de Medicina como a de Presidente Prudente arrecada em torno de R$ 1.800.000,00 por mês com sua mensalidade, a faculdade de Dourados dispunha de DOZE MIL REAIS POR MÊS!!! Ou seja, não havia dinheiro para nada, e os professores bancavam do próprio bolso, todo o material para dar aulas, impressos, lâminas para aulas no microscópio, material didático, etc. Davam aula de GRAÇA e ainda bancavam o material. Isto pouca gente sabe nos dias de hoje. Ao longo dos 6 anos da Faculdade, 60 médicos trabalharam totalmente de graça, juntamente com outros professores cedidos pela UEMS, curso de Biologia da UFMS, Agronomia, etc. As aulas eram dadas usando salas de aula emprestado de diversos cursos, como Agronomia, Biologia, Enfermagem da UEMS, Fisioterapia da Unigran, etc.
Nesse ínterim, muda a direção na UFMS, sendo eleito reitor o Professor Manoel Catarino Peró, e como ele era de um grupo rival ao do Professor Chacha, fez de tudo para inviabilizar o curso de Medicina de Dourados. Eu e a dra. Denise Nemirovsky estávamos quase todas as semanas em Campo Grande, brigando por material didático, por recursos, por melhores condições de ensino.
No terceiro ano do curso, a crise se agudizou, com a total falta de apoio da Universidade e do seu diretor local, que continuaram o boicote ao curso. Chegou-se a um ponto, que o curso estava na iminência de fechar e levar suas 50 vagas anuais para Campo Grande, o que todo mundo de lá queria. Os alunos saíram em passeata pelas ruas da cidade, pedindo apoio da comunidade. Faixas foram afixadas pelos comerciantes, apoiando o curso de Medicina de Dourados. Mas a UFMS continuava seu jogo pesado de tentar fechar o curso e os alunos começaram a pensar em se transferir para diversos cursos em escolas públicas pelo Brasil.
No quarto ano do curso, mais crises, com falta de professores, de salas de aula, de hospitais para os alunos aprenderem a parte prática, e muitos professores se desdobraram, dando aulas (sempre de graça) para diversas turmas em diferentes disciplinas.
Em 2004, no quinto ano da primeira turma, o curso chegou ao seu ponto crítico, quando uma equipe do Globo Repórter veio até Dourados, para gravar uma matéria sobre nosso curso, em contraste com a abundância de professores e condições didáticas dos alunos do curso de Medicina da Escola Paulista de Medicina de São Paulo. Aquilo mexeu mais ainda com o brio dos alunos, dos professores e dos pais pois uniu todo mundo no objetivo de levar adiante, custasse o que custasse, a Faculdade. Os alunos foram fazer o internato, ou seja a parte prática do curso, em diversos hospitais e voltaram para se formar e concluir o curso.
Pronto. Estava definitivamente estabelecido o curso médico de Dourados. Formada com imenso sacrifício, com muito choro e ranger de dentes, os alunos se fortaleceram de uma tal maneira, que da turma de 50 alunos, quase 40 deles foram aprovados nas provas de residência médica nos melhores serviços país afora. Um índice de 80% de aprovação em residência médica, quando a média nacional é de 15-20%. Os alunos deram a resposta ao esforço dos seus professores e deles próprios. A Faculdade de Medicina de Dourados hoje é a melhor do Estado, nas provas do ENADE. Supera os alunos de Campo Grande, em pontuação.
A primeira turma me prestou uma homenagem que muito me emocionou, ao me eleger padrinho da turma. Foi uma época em que eu estava numa dureza financeira de dar dó, e não pude sequer oferecer uma festa para eles.
Mas, baixada a poeira, ao se avaliar o passado, fica a certeza de que valeu a pena. Aliás, valeu muito a pena. Este curso foi fundamental para viabilizar a criação da Universidade Federal da Grande Dourados. Sem ela, nós viveríamos eternamente sob a ameaça do pessoal da UFMS de Campo Grande, que sempre boicotava tudo que é relacionado ao crescimento de Dourados. Hoje, a Universidade dispõe de milhões de reais, e finalmente foi criado o bloco da Saúde, com salas de aulas, laboratórios de anatomia, bioquímica, histologia, patologia, etc. O Hospital Universitário finalmente passou para o comando da UFGD. O Hospital da Mulher e o Hospital do Trauma estão na iminência de serem transferidos também para a Universidade Federal e assim, finalmente, podemos ter a residência médica em Dourados. Com este curso, dezenas de professores, com mestrado e doutorado, transferiram-se para Dourados, para substituir-nos (os “pica-fumos”) e viabilizar uma verdadeira escola médica de Dourados. Com isso tudo, casos que eram transferidos para Campo Grande e outros grandes centros, passarão a ser tratados aqui mesmo, facilitando a vida para os usuários. A cidade de Dourados ganha mais ainda, pois os pacientes de toda a região são tratados aqui, mesmo nos casos mais graves e isto cria condições para se fazer pesquisa científica e gerar mais conhecimento.
Esta faculdade é a prova viva de que quando existe vontade, vontade férrea, podem meter pancada, jogar sujo, chantagear, fazer o que se quiser, mas a verdade e a justiça prevalecerá. Os médicos de Dourados deram a prova de que uma categoria, quando visa um bem maior, consegue obter a vitória, desde que o objetivo seja justo e nobre. Parabéns, médicos de Dourados! Parabéns pais, pois juntos choramos muito pela continuidade deste curso. E, principalmente, parabéns, alunos. Vocês são a nossa taça da vitória, o nosso troféu! São a prova viva de que tudo isso valeu a pena!

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04
Fev 10

CHANTAGEM

CHANTAGEM

Vivemos uma série de mudanças em nossa sociedade. A principal delas, foi a mudança do papel da mulher, que de dona de casa, partiu para disputar um lugar ao Sol, no mercado de trabalho. Além disso, as famílias puderam diminuir a quantidade de filhos, através do planejamento familiar e do uso da pílula anticoncepcional. Essas mudanças ocasionaram alguns problemas, que poderíamos chamar de efeitos colaterais.
Dentre estes, o mais chamativo para nós pediatras, é a chantagem emocional que os filhos vivem fazendo com seus pais, e que passam desapercebidos pelos mesmos. Como a mãe trabalha fora quase o dia todo, quando ela chega em casa, ela se sente culpada por tudo, desde a doença que atacou o filho, até mesmo pelas malcriações que a criança faz com ela. E com isso, ela fica impotente e sem ação.
Um exemplo claro de chantagem é a do filho que sofre alguma doença, por exemplo, fica internado ou passa por alguma cirurgia complicada. Quando superam essa fase crítica, os pais passam a super proteger, com medo de vivenciar novamente aqueles momentos difíceis, e passam a fazer todas as vontades de seus filhos. Vontade essa que se torna capricho e por vezes, falta de limite e até mesmo, diríamos assim, falta de educação por parte de algumas crianças.
Outra chantagem comum é a criança sentir dor de barriga, principalmente quando ela não quer ir para a escola, ou quando não quer fazer alguma tarefa doméstica. A dor, que aparece em situações específicas e com hora marcada, pode e deve ser desconfiada pelos pais. É preciso ter claro que doença não tem hora marcada para aparecer.
Outro exemplo muito freqüente em nossos consultórios é o da criança que, quando contrariada, começa a chorar e a perder o fôlego. Os pais entram em pânico, achando que o filhinho querido vai morrer, e quando a perda de fôlego ocorre, eles saem em disparada procurando um pronto socorro, isso quando não ficam desesperadas e assopram o rosto, ou jogam água fria, ou jogam a criança para cima, etc. A criança, que não é boba nem nada, percebe que tem os pais em suas mãos e passa a perder o fôlego pelos motivos mais fúteis possíveis. Os pais entram em desespero, querem consultar um neurologista, fazer um eletroencefalograma, uma tomografia do crânio, ou mesmo uma ressonância magnética, confundindo esta forma de chantagem com epilepsia e doenças convulsivas. Passam a fazer todas as vontades da criança, na esperança que ela não chore e não tenha aqueles “desmaios horríveis”. Eu sempre digo que até hoje, nenhum caso de morte por perda de fôlego foi registrada na literatura médica. A criança prende a respiração, causando uma obstrução na glote, de forma voluntária, que causa a cianose (rouxidão) e, algumas vezes, o desmaio. Mas esta é passageira e, quando acontece, naturalmente a musculatura se relaxa e a criança para de se sufocar (perder o fôlego).
Enfim, seja a chantagem qual for, a maneira correta de lidar com elas é simplesmente IGNORAR as mesmas. Antigamente, eu dizia para as mães para que dessem umas “varadas” no sacana, mas hoje, como isso é politicamente incorreto, digo para elas simplesmente saírem de perto, não dar assistência, não oferecer público, pois o que eles querem é ter platéia para assistir suas performances teatrais. Umas duas a três performances sem público e a criança para de ter as crises de perda de fôlego.
Uma coisa que eu pude aprender, nesses vinte e cinco anos lidando com crianças, é que a maioria delas são muito mais espertas do que nós, adultos. Como diziam os antigos, enquanto nós levamos o milhos, eles estão voltando com o fubá prontinho. É preciso desmistificar essa idéia de que TODAS AS CRIANCAS são ANGELICAIS, puras e sem maldades. Assim como existem os adultos puros e inocentes, existem os Fernandinho Beira Mar da vida. E estes, foram um dia crianças. O que cabe a nós, pais e educadores, é tentar fazer com que estes últimos, que eu chamo de crianças com espírito rebelde, sejam realmente educados ou seja, que recebam limite, disciplina e aprendam a diferenciar o bem e o mal, para que, quando se tornarem adultos, tenham os seus instintos animalescos domados, saibam seguir o caminho do bem e da ética. Este é o grande desafio de nossas vidas.
Compreender essas coisas podem ajudar os pais a não mais ficarem nas mãos e sob o controle dos seus filhos ou seja, parar de ser chantageado por eles.

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