NOMEAÇAO DA DRA. DENISE NEMIROVSKY

NOMEAÇÃO DA DRA DENISE NEMIROVSKY COMO SECRETÁRIA MUNICIPAL DE SAÚDE. Nestas últimas semanas, mais uma vez me vejo envolvido no meio de um furacão, em virtude de minha participação na nomeação da secretária municipal de Saúde de Dourados, MS. Há algumas semanas, eu, Takeshi Matsubara, representando o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul, devidamente autorizado pelo presidente da entidade, juntamente com o Dr. Jorge Baldasso, representando o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul, e o Dr. Antonio Pedro Bittencourt, presidente da Associação Médica da Grande Dourados e seu vice-presidente, Dr. Eduardo Marcondes, participamos de uma reunião com o juiz prefeito, Dr. Eduardo Machado Rocha, prefeito interino da cidade, nomeado para ocupar o cargo maior da municipalidade em virtude da prisão das pessoas que teoricamente participariam da linha sucessória. Pois bem, chamado para uma reunião de emergência com o prefeito interino, levamos a nossa preocupação, enquanto classe médica, com a situação da saúde pública de nossa cidade, que se encontrava caótica, com várias denúncias de desvios de verbas, prisão de diretores de hospitais, secretário de saúde adjunto sendo incriminado pelas provas iniciais das gravações feitas pelo secretário de governo, Eleandro Passaia. etc.. Quisemos saber da situação do nosso colega médico secretário de saúde, e o prefeito disse que tanto a promotoria, quanto o delegado da Polícia Federal, garantiram que o mesmo não estava diretamente envolvido nos esquemas e nas irregularidades que estavam sendo levantados, entre a prefeitura e o hospital que prestava assistência para o Sus e que tivera o seu diretor preso na operação Uragano. Que, em virtude da honradez e da honestidade do colega, havia optado por mantê-lo no cargo, embora não o conhecesse anteriormente. O prefeito nos solicitou que procurássemos o secretário, Dr. Mário Eduardo Rocha, para com ele tomar pé da situação da saúde pública da cidade. E assim o fizemos, participando logo em seguida de uma reunião na secretaria de Saúde, onde tomamos conhecimento da situação vivida pelo colega ao longo dos meses que ocupara o cargo, das suas dificuldades de exercer sua função, em virtude da falta de seriedade do prefeito Ari Artuzi e de alguns vereadores, que queriam a todo custo, utilizar a secretaria como um trampolim para fazer politicagens. Na semana seguinte, no dia 28 de setembro de 2010, o juiz -prefeito nos convida para uma nova reunião na prefeitura, pois ele havia recebido o pedido de exoneração do secretário devido a problemas pessoais e necessitava urgentemente de um nome para ocupar o cargo de secretário municipal de Saúde. Estava reunido com seus secretários mais próximos, e tomou o cuidado de convidar também a Da. Délia Razuk, atual presidente da Câmara e virtual prefeita,que poderia ser nomeada em sua substituição, a qualquer momento, pelo seu entendimento. Ele achava que tinha que nomear um secretário de Saúde que pudesse continuar num virtual governo de Da. Délia. Eu pedi a palavra, disse que falava em meu nome, não em nome do CRM, pois não podia indicar nomes enquanto instituição, mas apenas como pessoa física. Disse que, segundo o meu entendimento, em virtude da gravidade da situação, eu achava que naquele momento de crise aguda, era necessário que o nome fosse eminentemente técnico e não político. Disse que tínhamos vários nomes de médicos que já haviam ocupado o cargo e que tinham desejo e disponibilidade de ocupar aquele cargo, mas que, em virtude da gravidade, o nome que eu sugeria era a da Dra. Denise Nemirovsky, pois ela havia atuado por um longo tempo na rede pública, como médica do programa de hepatite, que havia ocupado diversos cargos dentro da secretaria de saúde e que tinha uma larga experiência e formação em saúde pública, sendo uma pessoa tecnicamente preparada para o cargo. Além disso tínhamos dividido a direção da Associação Médica, dez anos antes, além de ter coordenado o curso de medicina no seu início, por mais de cinco anos, tendo sido fundamental para a viabilização do curso de medicina de Dourados. Imediatamente, tanto o juiz prefeito, como seus secretários, a sua esposa e assessores, bem como a Dona Délia Razuk, aprovaram o nome da colega. O presidente da Associação Médica disse que ele também pensava naquele nome, o que foi respaldado pelo Dr. Baldasso. No ato, o juiz prefeito saca do seu telefone, disca para o celular da colega e a convida para vir imediatamente para a prefeitura participar da reunião. Ato contínuo, em alguns minutos chega a colega, que fica surpresa com a indicação, mas pede um tempo até o dia seguinte para pensar na proposta e dar uma resposta. Fica assim marcado uma reunião para o dia seguinte, as 14:00 horas, onde seria dado posse a Dra. Denise. Assim que a notícia sai nos sites de noticias da internet, vários colegas começam a ligar para o Dr. Antonio Pedro, insatisfeitos com a indicação. Questionam o nome, dizendo ser a colega de difícil trato, de posições muito radicais, extremada, etc. Fica marcado uma reunião de urgência com a Dra. Denise, eu Takeshi, o dr. Baldasso, Dr. Eduardo Marcondes e Dr. Antonio Pedro, para discutir os detalhes e os problemas. Apresentamos nossas sugestões, que seria primordial que a secretária de saúde encabeçasse um movimento para viabilizar o plano de cargos carreiras e salários que se encontrava engavetado há vários anos. Que era necessário rever o convenio com os hospitais, pois a sociedade cobrava uma avaliação da gestão do Hospital da Vida e da Mulher pelo Hospital Evangélico, em virtude das denúncias de irregularidades envolvendo diretores daquela entidade e o prefeito que se encontrava preso. Que seria necessário reestruturar a rede básica, os programas de saúde da família, os programas especiais como o de hipertensão, diabetes, hanseníase, tuberculose, DST-AIDS, CAPS, etc, que se encontravam há longos anos abandonados à própria sorte, sem a retaguarda e a atenção devida da secretaria. Sugerimos que talvez fosse necessário repensar o modelo de gestão dos hospitais de saúde, do HU, pois os mesmos estavam se mostrando inadequados, aquém da necessidade da população. Durante a reunião todos nós sugerimos que o Dr. Eduardo Marcondes, em virtude de sua larga experiência, aceitasse a incumbência de se tornar secretário de saúde. Porém, o mesmo recusa a oferta, dizendo que não tinha realmente nenhum interesse pelo cargo. No dia 29 de setembro de 2010, novas manifestações contrárias de vários colegas, insatisfeitos com a indicação, nos obriga a dizer ao juiz prefeito, que apesar de nossa indicação pelo nome da Dra. Denise, havia vários colegas que se mostravam insatisfeitos com seu nome. Sugerimos então o nome do dr. Eduardo Marcondes, mas o juiz-prefeito deixa claro que naquele momento, ele estava fechado para os nomes dos doutores Eduardo Marcondes e outros que tivessem o mesmo perfil, ou seja, médicos que tivessem o perfil de políticos e não somente técnicos. Diz o Dr. Eduardo Rocha que tinha grande apreço pelos colegas, que ele conhecia vários deles desde sua infância, que os mesmos eram seus amigos, alguns de jogar tênis ou futebol, mas que, pelo bem da cidade, achava melhor não nomeá-los para o cargo. Sugerimos então o nome do dr. Jorge Baldasso para secretário, que eu me sacrificaria e assumiria como seu adjunto. Porém, nesse momento, a Da. Délia diz que existiria um problema de rejeição, dentro do seu partido, ao nome do dr. Baldasso. Sugere que nós invertéssemos, comigo como secretário e Baldasso como adjunto. Aí eu expliquei que, em virtude do meu jeito emocional e pouco racional, eu conduzo as coisas com o coração e não com a razão, e por este motivo, já havia ocupado o cargo sete anos antes e havia adoecido, sofrendo um infarto cardíaco. Que eu sabia que se ocupasse o cargo, naquele momento, voltaria a sofrer um novo infarto, e talvez com conseqüências piores, deixando uma viúva e 3 filhos pequenos desassistidos. Foi então convidado o dr. Antonio Pedro, mas o mesmo declinou, dizendo que estava passando por um momento difícil pessoalmente para ocupar o cargo. Voltamos à estaca zero, e ficamos agora com um tremendo abacaxi em nossas mãos para descascar. Reunimos os quatro colegas e concluímos que o melhor a fazer seria conversar com a Dra. Denise. Marcamos uma reunião na Secretaria de saúde, onde a mesma estava trabalhando e conversamos com ela, dizendo que ela tinha que assumir o cargo. A mesma aceita o desafio e aceita ser secretária de saúde do município. No dia seguinte, 30 de setembro de 2010, às dez horas da manha, Dra. Denise Nemirovisky assume oficialmente a secretaria de saúde de Dourados. O grande motivo de insatisfação dos colegas foi com o fato de os sites de notícias e os jornais impressos terem declarado que nós havíamos dado respaldo para a Dra Denise enquanto instituições médicas, quando na verdade, embora representássemos essas entidades, não tínhamos delegação para tal. E isso é verdade. Não foi feita uma assembléia geral da classe para se discutir o assunto, em virtude da urgência que o caso tomou. Foi realmente um desastre a condução deste caso, desde o principio, pois nos faltou, enquanto grupo, a malícia para não sermos envolvidos pelos fatos e pela avalanche que tomou conta da situação. Nós sempre ouvimos críticas, de que as entidades médicas são omissas em momentos cruciais, não participando de decisões que nos afetam enquanto classe profissional. Fica aqui registrado que realmente não tivemos, enquanto grupo, intenção de fazer o mal, mas que acabamos cometendo erros primários por falta de maturidade e experiência. Fica assim caracterizado o meu “mea culpa”. Apesar da acusação dos colegas de que nós quisemos somente aparecer na mídia, a grande verdade é que nós apenas quisemos desempenhar o papel de cidadãos douradenses, preocupados com os rumos da saúde pública da cidade e que queríamos ajudar o prefeito nomeado a compor uma equipe capacitada para conduzir os rumos da secretaria que dirige a área. Faltou enfim malícia, maturidade, tino político, enfim, faltou tudo a este grupo, que no final, acabou fazendo uma grande “lambança” neste processo. Mas a verdade é que fica a sensação de que apesar de todas as críticas, a Dra. Denise é de fato, a pessoa mais indicada para conduzir os rumos de nossa saúde pública, neste momento de grave crise, pois sua personalidade forte é uma garantia de que irá tomar as atitudes que se fizerem necessárias, “doa a quem doer” para que possamos enfim solucionar os problemas que há anos vem emperrando os destinos da saúde pública de nossa cidade. Acho que agora, devemos aguardar, assistir e participar ativamente do processo. E pronto. E ponto.
publicado por drtakeshimatsubara às 06:05 | comentar | ver comentários (2) | favorito