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Dez 11
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IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL

IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL

 

Em 18 de junho de 2008, foi comemorado o centenário da
imigração japonesa no Brasil. Dos primeiros imigrantes, que vieram a bordo do
navio Kasato Maru, e que atracou no porto de Santos, no dia 18 de junho de
1908, todos já morreram. Tivemos várias levas de imigrantes que vieram para o
Brasil, e a história se divide naqueles que vieram antes da II Guerra Mundial,
e depois da guerra, a partir de 1952.

A colônia Agrícola Nacional de Dourados, fundada em 1953 por
Getúlio Vargas, teve uma participação importante do SR. Yasutaro Matsubara,
que, apesar do mesmo sobrenome, não tem nenhum parentesco com a minha família.
Ele era um imigrante vindo do Japão, que se estabeleceu na região de Marília,
SP e que se tornou um grande fazendeiro e líder da colônia japonesa,
tornando-se amigo de Getúlio Vargas, que o chamava de “compadre Matsubara”.
Devido à amizade entre ambos, o Sr. Yasutaro pediu ao presidente que doasse
1000 lotes para os imigrantes japoneses, o que permitiu a vinda de centenas de
famílias diretamente do Japão e ajudaram a formar as colônias Kyoei, Laranja
Lima e Barreirão, hoje ricos produtores de soja e milho.

A minha família, imigrou em 1953, estabelecendo-se em
Santana do Itararé, PR, outra colônia japonesa que também fora fundada pelo Sr.
Yasutaro Matsubara, antes da segunda guerra mundial.

Decorridos cem anos de imigração, observamos que a
comunidade nikkey (como são chamados os descendentes de japoneses que moram no
Brasil e que se encontram bastante miscigenados) está totalmente integrada à
sociedade brasileira. Tivemos uma grande leva de dekasseguis, a partir de 1986,
que fizeram o caminho inverso e voltaram para o Japão, devido à carência de mão
de obra para trabalhar como operários nas fábricas japonesas. Uma parte deles retornou
ao Brasil e aqui estabeleceram seus negócios. Outros preferiram ficar morando
em definitivo no Japão.

Comparando a imigração japonesa no Brasil e nos Estados
Unidos, percebemos uma diferença gritante entre ambos. Aqui, já nas primeiras
levas, iniciou-se um processo de miscigenação, de tal maneira que hoje, mais da
metade dos nikkeys são mestiços. Lá, apesar da imigração mais antiga, a
miscigenação é mínima, principalmente devido ao preconceito dos americanos, que
não permitem o casamento inter-racial.

Inicialmente, os japoneses vieram para trabalhar nas
fazendas de café do interior paulista. Aos poucos, eles foram adquirindo terras
próprias e começaram a plantar, ajudando a promover uma grande mudança de
hábito na alimentação dos brasileiros, que antes dos japoneses, quase não
conheciam os legumes, as verduras e as frutas, de tal maneira a formar os
cinturões verdes ao redor das grandes cidades e fornecendo alfaces, repolhos,
tomate, pepinos, inhames e outros alimentos que vieram enriquecer o cardápio do
povo brasileiro. Aos poucos, como a grande ênfase e o esforço das famílias era
formar os seus filhos, estes começaram a adquirir diplomas universitários,
migrando para as cidades e tornando-se doutores.  Recentemente, tivemos um grande incremento da
aceitação popular pela comida nipônica, com um grande boom de restaurantes de
comidas japonesas popularizando os sushis e os sashimis, de tal maneira que quase
todo brasileiro perdeu o medo de encarar um prato feito com o peixe cru.

Enfim, o que podemos perceber é que, apesar das dificuldades
iniciais, no início do século passado, onde os imigrantes enfrentaram a
barreira da língua, do clima quente, da malária e de outras doenças, além de
outras inúmeras dificuldades de adaptação a um país que ficava do outro lado do
mundo, e tinha costumes e hábitos totalmente diferentes, aos poucos eles foram
se adaptando e se integrando à sociedade brasileira. Hoje, já na quarta e
quinta geração de descendentes, a colônia (comunidade fechada para preservar as
tradições, a cultura e a língua japonesa), praticamente  perderam o sentido de sua existência e os
descendentes ocupam cargos e postos em diferentes níveis, além de continuar
contribuindo para o constante progresso do país, principalmente na agricultura,
nas profissões liberais e em outros postos de trabalho.

publicado por drtakeshimatsubara às 09:44 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Dez 11
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Dez 11

MOTOCICLETAS II

MOTOCICLETAS II

 

Andar de motocicleta, nos dias de hoje, parece um sinônimo
de suicídio. Mas, ao lado de pessoas que deixam suas bicicletas de lado, ou que
se cansam de andar nos ônibus, e se apertam para pagar uma mensalidade de R$
200,00 por mês para comprar sua Biz ou CG, ao lado desses motociclistas
utilitários, temos também uma legião que compra a moto por puro lazer.

Como objeto de diversão de gente grande, cada vez mais
pessoas compram suas motos de maior cilindrada, para poder se reunir nos moto
clubes, para compartilhar sua paixão sobre duas rodas, realizando encontros em
cidades distantes, onde o maior prazer é poder subir em sua moto, encher os
alforjes e as mochilas com roupa e se juntar a um grupo que viaja por este
Brasil afora, em grandes grupos de dezenas (às vezes centenas, milhares de
motos) para realizar encontros, onde o que menos conta é o destino final, e sim
a viagem em si, o curtir o passeio, em geral cada motociclista acompanhado de
suas esposas, namoradas ou filhos na garupa, gerando um movimento importante
que move uma roda milionária, com sua cadeia de negócios, como estandes  nestes encontros, onde se encontra diversos
materiais ligados à motocicleta, como roupas, adereços, botas, capacetes,
jaquetas, camisetas, etc. Ao mesmo tempo, esses moto encontros geram um
movimento que lotam os hotéis e restaurantes das cidades que sediam os eventos.

Ser membro de um moto clube, muitas vezes é uma honraria,
com um ritual de passagem, que consiste inicialmente de um período de
observação do candidato, para saber se aquele elemento se adéqua ao convívio
com o grupo, se ele não bebe demais e causaria algum desconforto aos membros
do  clube. Depois de aprovado, o membro
passa por um ritual de iniciação, para finalmente poder receber o seu colete,
que é o símbolo de que aquele sujeito faz parte de um grupo.

O cinema americano criou um mito, de que os moto clubes são
repletos de sujeitos mal encarados, barbudos, tatuados, arruaceiros que, quando
chegam às cidadezinhas, apavoram a população, causando mil problemas e quebra-quebra.
Nada mais falso e estereotipado.

Os moto clubes, em sua 
maioria, são repletos de pessoas de família, que reúnem as esposas,
filhos e filhas, avós e outros, em viagens verdadeiramente familiares, onde
reina um clima familiar e respeitoso, de muita amizade e camaradagem.

As viagens são um passeio e tem suas regras, como paradas
previamente combinadas, em postos para abastecimento das motocicletas, pois
estas têm uma autonomia menor que os automóveis, em geral a cada 150 a 200 km são
necessários parar para abastecer os tanques, que em geral comportam de 12 a 20
litros de gasolina.

Existem também regras de segurança, com uma distância mínima
entre as motos, a maneira correta de se fazer as ultrapassagens, o
companheirismo, com o sujeito que vai à frente, ditando a velocidade, o ritmo,
avisando sobre a existência de buracos na pista, a presença de animais ou outro
objeto que cause perigo ao grupo.

Quando não estão viajando, os membros do moto clube se reúnem
para festejar, comemorando datas festivas, ou promovendo atos de beneficências,
como visitas a creches, asilos, distribuição de cestas básicas, etc.

Como se vê, andar de moto, ser membro de um moto clube e
participar da vida em duas rodas, é uma atividade que vem se espalhando e se
generalizando por todo o país, criando uma geração de pessoas irmanadas por um
mesmo propósito: fazer poeira nas estradas, viver em um grupo de pessoas com
propósitos semelhantes e interesses comuns e também compartilhar as alegrias e
vicissitudes de ser membro de um grupo.

Por tudo isso, andar de moto, apesar dos inúmeros perigos
que ela encerra, tem se popularizado, dia a dia e se tornou extremamente comum
vermos grupos de motociclistas viajando pelas estradas, unidos em turmas numerosas,
fazendo seus passeios e nos confraternizando nos diversos encontros motociclísticos
pelo país afora.

publicado por drtakeshimatsubara às 19:34 | comentar | favorito