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Out 14
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DEUS TENHA PIEDADE DE NÓS

Vivemos a era da internet. A era onde as informações são imediatas, curtas e fugazes. O que você postou no facebook ontem, hoje já é notícia velha, qual pão amanhecido, que deve ser descartado. Os pensamentos e as deduções são curtas, rasas e imediatistas. As frases são telegráficas e criamos códigos para palavras, para facilitar a digitação nos teclados dos celulares e smartphones. Criamos o microblog, onde temos que sintetizar o pensamento em no máximo 100 caracteres.

Temos visto cada barbaridade serem postadas na internet nos últimos dias, após a derrota de Aécio Neves para as eleições presidenciais, que me causam uma profunda inquietação. Culpam a derrota de Aécio aos nordestinos, aos portadores do Bolsa Família, aos pobres, aos incultos, etc..

Em minha modesta opinião, o contraponto que permeou a eleição deste ano, para a maioria, não foi a corrupção, não foram os escândalos da Petrobrás, ou mesmo a ameaça de ditadura comunista que o Partido dos Trabalhadores teima em tentar implantar neste país. O embate político que tem acontecido nas últimas 5 eleições, portanto há 20 anos, é o embate entre o PT e o PSDB. Este último ficou no ideário popular, com a imagem de um partido de direita, que prega o neoliberalismo econômico, com a ideia do Estado mínimo, que quer privatizar todas as empresas estatais, que aposta apenas no livre mercado e na desestatização do país. O discurso de Aécio Neves, pregando um novo modelo de governar o país, com mais seriedade, com cortes dos cargos comissionados, com a diminuição do número de ministérios do governo, não tiveram repercussão nenhuma diante do eleitorado. Por isso, a eleição não se decidiu no nordeste, mas em cada Estado, em cada cidade, dentro das mesmas casas e dos nossos locais de trabalho. Não foram os pobres e os bolsistas que definiram estas eleições, mas o modelo econômico adotado pelo Partido dos Trabalhadores, assistencialista, que multiplicou a contratação de funcionários públicos e promoveu uma maior distribuição de renda. As pessoas que são contrárias a esse assistencialismo dizem que devíamos ensinar a pescar em vez de dar o peixe para a população, mas para quem vivia no estado de total abandono, à margem da sociedade, o simples fato de ter um governo que estendesse pelo menos um olhar sobre ele, representou muito, conquistou seu coração e o seu voto. Embora o modelo de distribuição seja questionável é algo que o país precisava, naquele momento histórico.

Como tenho frisado nos últimos dias, vivemos numa democracia e temos que respeitar a opinião da maioria, mesmo que não concordemos com ela. Mesmo que para uma parte importante, quase a metade dos votantes do segundo turno, nas eleições presidenciais, a corrupção que grassou em todos os níveis do governo, das empresas estatais e que tem sido comprovados diuturnamente, sejam fatos de extrema gravidade e que portanto devemos trocar os mandatários do país,, termos uma alternância de poder. Vemos diariamente os membros mais radicais do Partido dos Trabalhadores criando mecanismos para implantar um governo dos sovietes, dos tais conselhos populares em todos os níveis. Vemos que a imprensa está amordaçada, ameaçada pela força do poder estatal de financiar as propagandas e a distribuição de verbas publicitárias para as empresas que lhe são dóceis. Vemos que o equilíbrio dos poderes está ameaçado, pois quando nós perdemos a confiança no julgamento isento dos magistrados do Supremo Tribunal Federal, quando vemos que um advogado que defendeu o PT a vida toda se torna o presidente do Tribunal Superior Eleitoral ele perde a confiabilidade e a isenção necessária para a ocupação de tão importante cargo.

Enfim, estamos com o país dividido ao meio. Nas mesmas famílias, temos irmãos que têm opiniões diferentes, cada um defendendo o seu candidato e partido e criticando, menosprezando e ofendendo o partido e o candidato adversário.

A grande verdade é que Lula fez um bom governo, conseguiu avançar no assistencialismo e na distribuição de rendas, sem mexer nas regras e nos pilares da economia, implantados por FHC e o seu governo, no segundo mandato, alem de ter tido a sorte de governar num período de extrema bonança da economia internacional, com o crescimento acelerado da China que comprou os produtos que nós tínhamos para vender, as tais commodities, ( soja, minério de ferro e carnes). Havia dinheiro sobrando na praça, e um grande volume de reserva externa foi investido na bolsa de valores e nas empresas do país. Porém os seus possíveis sucessores foram um a um sendo esmagados por escândalos e foram saindo de cena. Com isso, Lula ficou sem alternativa para indicar um sucessor ao término do seu mandato, tendo que indicar um poste, uma pessoa que tinha surgido do nada, que nunca havia governado ou tido qualquer mandato eletivo, que nunca passara pelos crivos das urnas. Com a popularidade em alta, Lula transferiu votos para o seu poste, Dilma, transformando-a na presidente do país. Mas ficou evidente, nestes quatro anos, que o poste não tinha nenhum preparo, não tem a personalidade afável do seu criador, não tem enfim, nenhuma das características que fazem os grandes líderes. Tivemos, durante o período eleitoral, um verdadeiro massacre de Dilma pelos outros candidatos, evidenciando o seu despreparo, a sua falta de controle emocional, o destempero e a incapacidade de lidar com momentos de tensão, somente repetindo frases feitas e números assoprados por seus marqueteiros e conselheiros políticos, sem ter anunciado nenhuma proposta de governo para corrigir os rumos do país. Aliás, pela sua fala, o seu governo foi maravilhoso, a economia está bombando, (só não está melhor por culpa do mercado externo) a inflação está controlada ( quase 7% ao ano, muito acima do teto máximo aceitável, o desemprego está em baixa, enfim, vivemos no País das Maravilhas na sua ótica. Não tem portanto que corrigir nada... Outra coisa que ficou evidente é o distanciamento entre o criador e sua criatura, entre Lula e Dilma, nestas eleições. Devido à sua personalidade teimosa e obstinada, Dilma não tem ouvido os conselhos do seu grande líder, compondo, para o seu segundo mandato, uma equipe com nomes que não gozam da simpatia de Lula.

Mas qualquer tentativa de impor um impeachment para Dilma neste momento, baseado apenas em uma matéria da revista Veja, sem que esteja provada a materialidade do crime, torna-se em verdade um golpe. Este é o momento de se lamber as feridas, de nos recolhermos à nossa derrota, com tranquilidade, aguardando o desenrolar dos fatos, fiscalizando as ações do governo, criticando, sugerindo, brigando. Mas tudo dentro das regras da democracia.

Qualquer tentativa golpista mal fundamentada irá apenas acirrar a divisão e os ânimos de ambos os lados, podendo desencadear uma guerra civil ou algo mais grave, como um golpe militar, que não podem prosperar, pois teriam consequências drásticas, muito piores do que o inferno que temos vivido.

Aguardemos com tranquilidade o prosseguimento desta crise. E vamos rezar bastante, para que o nosso Pai possa inspirar os nossos governantes e os nossos líderes, para uma saída pacífica e indolor desta crise que estamos vivendo. Oremos...

publicado por drtakeshimatsubara às 14:38 | comentar | favorito
06
Out 14
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Out 14

PORQUE EU VOTEI EM AÉCIO NEVES

PORQUE EU VOTEI EM AÉCIO NEVES

 

 

Houve um tempo, em que acreditei que seria possível mudar o mundo através das ideias, que precisávamos ser mais justos, diminuir a desigualdade social, promover uma melhor distribuição de rendas, de modo que não houvesse este abismo social, que divide o Brasil em dois brasis, um rico, que anda de BMW e Mercedes, come nos melhores restaurantes, voa de jatinhos e helicópteros de alto luxo, passa temporadas de férias em Aspen, ou Paris. Outro Brasil pobre, que sobrevive em palafitas, abandonado à própria sorte, sem assistência nenhuma do poder público, que fica em filas intermináveis dos postos de saúde, à espera de um atendimento e de um exame que nunca vem. Achava que para diminuir essa desigualdade, seria necessária uma atitude de governo, um sistema socialista, onde o governo cobraria impostos mais altos dos milionários e os distribuiria às camadas mais pobres da população, em forma de serviços públicos de qualidade.

Fui desde a época de estudante de Medicina no ABC paulista, um simpatizante das teses e ideias do PT, pois as falas de seus líderes iam de encontro às minhas ideias e à minha ideologia política. Acreditava num mundo mais humanizado, mais justo, mais correto, onde os políticos da direita eram nossos inimigos ideológicos, que seriam varridos do mapa, numa avalanche das pessoas mais pobres e politizados, que saíam as ruas vestindo camisetas e bandeiras vermelhas, gritando palavras de ordem e hinos socialistas.

Quando Zeca do PT assumiu o governo de Mato Grosso do Sul, havia prometido acabar com os coronéis, que há décadas ditavam os rumos da política do nosso Estado, se locupletando com os esquemas de evasão dos impostos, enriquecendo a olhos vistos nos vários esquemas com empresas cerealistas e distribuidoras de petróleo. Mas já no primeiro mês, em nome da governabilidade, Zeca se aliou ao principal coronel de nossa política, que, oriundo de uma cidade do interior, dominava todos os principais postos chaves no esquema arrecadatório da Secretaria de Fazenda. Naquele momento, a minha crença na ideologia petista começou a ser abalado.

Quando Lula foi eleito presidente, chorei de alegria, pois era a consagração da tese de um país novo, onde um pau de arara que fugira da seca, se tornara líder sindical e principal representante da ideologia de esquerda, que através do voto, conseguiu assumir o poder maior do país. Nos primeiros meses, quando ele manteve todos os principais dogmas econômicos que havia sido adotado por FHC, achei que ele estava mostrando prudência e que isso era positivo. Mas da mesma forma que Zeca do PT, Lula se aliou aos políticos que representavam tudo aquilo que nós, idealistas, mais combatíamos, que era o fisiologismo puro, a corrupção e as famílias que se perpetuavam desde os tempos da ditadura nos Estados, como José Sarney, Jader Barbalho, Renan Calheiros e tantos outros, distribuindo ministérios a aliados dessas raposas da política. Naquele momento, a luz vermelha se acendeu em minha cabeça e via, com tremendo desgosto, que as teses que por décadas eram propagadas pelos políticos do PT, só eram válidas enquanto era oposição. Que no poder, eles faziam o mesmo, ou até pior, que todos aqueles que haviam sido combatidos no passado.

Após uma breve passagem de seis meses como secretário de saúde do município, governado pelo PT, de 2002 a 2003, saí com um infarto e com a certeza de que a ideologia de esquerda era uma utopia, que não dava para ser colocada em prática, pois não se consegue governar nada com um partido que não resolve os problemas administrativos de governo, realizando reuniões intermináveis, que sempre acabam com a marcação de uma próxima reunião para continuar a discussão, mas nunca se toma decisões que coloquem em execução essas ideias. Pedi para me desfiliar do partido. Logo em seguida, começou a pipocar os escândalos de corrupção no governo do PT, com a CPI dos Correios, do mensalão e por aí a fora.

Hoje, temos a certeza de que o PT e os seus líderes traíram todos os seus princípios éticos e ideológicos. Foram com muita sede ao pote e se lambuzaram, sem cerimônias, fazendo tudo aquilo que sempre combateram de forma desbragada e infame. Apossaram-se das chaves do cofre do Estado e usaram o bem publico como algo pertencente ao partido, ao governo, a si próprios, distribuindo benesses com o dinheiro público, se apossando de cargos, em empresas estatais e criando centenas de milhares de cargos comissionados para alojar os militantes e os políticos e indicados por estes. Distribuíram milhões de bolsas famílias, criando uma legião de pessoas que perderam todo e qualquer objetivo de trabalhar, de crescer na vida, de lutar pelo sustento dos seus, pois mensalmente o cartão permite uma renda, que é multiplicada pelo numero de filhos, permitindo que atingissem rendas superiores ao salário mínimo sem nenhum esforço. Isto inverteu os valores, pois bobo é aquele que trabalha, pois é possível ganhar dinheiro sem fazer nada, só tomando tereré e conversando fiado, que o dinheiro e a comida da casa são garantidos pelo papai Lula e a mamãe Dilma.

Este último governo de Dilma Roussef se caracterizou pelos piores índices dos tempos republicanos, em termos de crescimento econômico. Só conseguiu ser equivalente ao governo de Floriano Peixoto, o presidente que sucedeu ao Marechal Deodoro da Fonseca, logo após a proclamação da República, e que herdara um país totalmente quebrado, com os fazendeiros indo a bancarrota com a libertação dos escravos e com as mudanças de governo. Enquanto países como a China cresciam a índices de 8 a 10% ao ano, o Peru crescia a 6% e o Brasil, cresceu menos de1% por ano, na média dos 4 anos de governo da presidente (quem fala presidenta já denuncia sua ideologia petista).

O programa Mais Médicos, foi todo formulado desde o início para se trazer médicos cubanos para o país. Aliás, escravos cubanos. O governo Dilma e o ministro da Saúde Alexandre Padilha passaram como um trator sobre toda a legislação que rege o exercício da medicina, e a legalização de médicos estrangeiros para exercer a profissão no país. Jogaram no lixo todas as leis que regulamentam a fiscalização da Medicina pelos Conselhos Federais e Regionais de Medicina. Estão destruindo todos os mecanismos de formação de residentes e especialistas, além de permitir a abertura de faculdades de medicina sem nenhum critério ou fiscalização. Gostaria de saber se Dilma vai ser tratada por um médico cubano no posto de saúde ou se vai ser atendida pelos residentes sem nenhuma supervisão, nos hospitais públicos. Gostaria de saber se você se sujeitará a ser tratado por um médico formado numa escola onde não tinha hospital, nem professor, nem laboratório, não tinha nada, só um quadro negro carteira e giz. onde médicos despreparados vão poder exercer a mais sagrada das profissões sem saber tratar doenças simples, sem saber examinar, sem saber avaliar exames, nada. Será um pouco melhor que um prático de farmácia, que diz que toda febre é por inflamação de garganta e passa antibiótico, sem saber direito o que está tratando.

O governo do PT se especializou em ir, aos poucos, minando as estruturas, nomeando juízes sem nenhum preparo para serem ministros do Supremo Tribunal, só pelo fato de terem prestado serviços ao partido e serem fiéis aos desmandos da presidente. Conquistou uma maioria na Câmara e no Senado através da compra deslavada dos políticos de diversos deputados e senadores, A base da democracia prega que os três poderes são independentes e um fiscaliza a ação do outro. Pois temos uma ditadura de esquerda, onde os outros dois poderes são comandados pelo Executivo. Alem disso, os meios de informação, principalmente a imprensa, é o tempo todo assediado pelo poder econômico, direcionando a verba de propaganda para empresas e jornais que falem bem ou não falem tanto mal do governo, criando distorções que sói ocorrer em verdadeiras ditaduras.

Por tudo isso, há três eleições que eu não voto mais nos candidatos do PT. Votei em Aécio Neves para presidente, nesta eleição, pois após 12 anos de poder nas mãos dos petistas, temos que renovar, tentar um modelo diferente, onde o governo interfira menos na economia, onde o paternalismo seja deixado de lado e se privilegie a capacidade e a competência, ao invés de nivelar tudo por baixo. Chega de cotas que estão destruindo as nossas universidades, ao permitir acesso de pessoas totalmente despreparadas, verdadeiros analfabetos nas vagas públicas. Chega de distribuir o nosso dinheiro para empresas de amigos do poder, desperdiçando o nosso tesouro com empresas que viram fumaça.

Por tudo isso, eu tenho a esperança de que precisamos mudar e a única proposta de mudança que se viabilizou nestas eleições é o PSDB de Aécio Neves. Nós colocamos o PT no poder. É chegado o momento de mandar Dilma e companhia para casa e mudarmos o modo de lidarmos com a coisa pública: Com mais seriedade, tratando com parcimônia e evitando que o Estado interfira em todos os setores, de maneira incompetente e aja de forma paternalista.

Vamos mudar? Vamos eleger Aécio Neves presidente do Brasil.

 

 

publicado por drtakeshimatsubara às 15:40 | comentar | favorito