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Mar 16
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A PEDIATRA E O PT

A PEDIATRA E O PT.

Recentemente, foi noticiado na mídia e nas redes sociais que uma pediatra desmarcara a consulta de um paciente, sob a alegação de que a mãe, por ser filiada ao PT, era defensora de todo o estado de coisas ruins pelos quais o país está passando e, portanto, não haveria condições para ela continuar o atendimento.

Tal fato gera discussão e nos leva à uma reflexão profunda.

A que ponto chegou este país, onde irmãos da mesma família brigam e param de se falar, chegam ao ápice de cortar relações, por questões ideológicas e políticas?

Existe um fórum especializado na questão da médica, o CRM/RS, que com certeza, será provocado, através de uma sindicância, para avaliar se a pediatra incorreu em ofensa a algum artigo do código de ética médica e, portanto, se deverá ou não ser punida.

Mas o fato é que temos um país dividido ao meio. Ou oitenta por cento contra vinte, segundo as pesquisas e as manifestações.

O maior responsável (ou irresponsável) por essa divisão é Luís Inácio Lula da Silva. Nos momentos em que se sente acuado, Lula se especializou em jogar o jogo do “nós contra eles”. Para ser defendido pelos seus militantes, Lula joga o papel de vítima, jogando a culpa pelos seus erros à imprensa, ao capital estrangeiro, aos “coxinhas”, etc, criando assim um Brasil dos petistas e outro, dos inimigos dos petistas. Através da ameaça de seus braços armados, como as centrais sindicais e o movimento dos sem terra, Lula ameaça transformar o país em palco de uma guerra civil. Essa ameaça tem todos os ingredientes para não acabar bem.

Nesse contexto, temos um país, onde vestir uma camisa, seja ela vermelha ou amarela, define o lado em que você está. E é preciso destruir o inimigo, bater nele, acabar com ele .

O Brasil é um país maravilhoso, o único do mundo, onde um mascate libanês é acolhido por um comerciante judeu, no Bom Retiro, sendo tratado como amigo, sem rancores, sem ódios, sem inimizades. Onde japoneses, coreanos e chineses convivem pacificamente no bairro da Liberdade, de forma bem diferente dos seus países de origem, onde as sequelas da segunda guerra mundial deixaram marcas profundas, devido à agressividade dos soldados imperiais japoneses, que viam os inimigos como seres inferiores e passiveis de serem escravizados.

Nosso país é um mosaico, onde se sobressaem o branco português, o negro e o índio, mesclado com europeus e asiáticos que vieram posteriormente, todos miscigenados de forma perfeita, formando uma nova raça brasileira, com um cadinho de cada cultura, num processo vivo e que ainda está acontecendo, fazendo deste país um lugar diferente, onde a solidariedade e a fraternidade estão acima do materialismo e do individualismo, que imperam nos países ricos capitalistas. Somos um país pobre, em desenvolvimento, mas temos um espirito solidário, que permeia todas as atitudes do seu povo, tornando-o querido por todos os outros países do mundo.

Não podemos deixar que uma ideologia retrógrada, que não deu certo em lugar nenhum do mundo, venha a seduzir alguns poucos, que em nome dessa ideologia e do jogo de poder, querem transformar este país maravilhoso num local dividido, numa dualidade entre comunista e capitalista, entre petista e coxinha, entre vermelho e amarelo, de tal sorte que se tornem partes inconciliáveis, inimigos para serem destruídos pelas armas, numa guerra civil, cujo resultado ninguém sabe onde vai resultar. É só ver os americanos, onde ianques e confederados ainda hoje, passados quase 150 anos, têm uma desconfiança uns para os outros, como se não fossem membros de um mesmo país.

Temo muito pelo futuro do meu país. Como cristão, só me resta orar, pedir a Deus para que traga um pouco de sabedoria para os nossos líderes, para que desarmem seus espíritos, pois ao iniciarmos o terceiro milênio, temos que aspirar por um mundo onde saibamos conviver com as diferenças, onde cada ser tem a liberdade de ter e expressar suas opiniões, credos, religiões, time de futebol, etc, sem medo de ser destruído pelo inimigo ou pelo Estado.

Deste modo, não me cabe julgar a colega pediatra pelo seu ato de recusar o atendimento para uma criança, só porque sua mãe é militante do Partido dos Trabalhadores, mas apenas lamentar profundamente que tal fato tenha ocorrido. Uma criança não tem culpa alguma das escolhas feitas por seus pais. Pode ser que ela tenha incorrido em infração ao Artigo 23 do Código de Ética, que diz que é vedado ao médico: Tratar o ser humano sem civilidade ou consideração, desrespeitar sua dignidade ou discriminá-lo de qualquer forma ou sob qualquer pretexto.

A medicina é uma profissão muito difícil, aliás, eu digo sempre para os alunos das faculdades de medicina que a Medicina é uma arte, impregnada de ciência. É arte, pois o trato com outro ser humano necessita do emprego de vários dons, como o da paciência, da compassividade, da compaixão, do amor ao próximo, do respeito, da empatia, (ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro, do paciente, e sentir suas dores, seus medos, suas angustias), etc., de tal maneira que ela se soma ao conhecimento científico e técnico, para podermos assim prestar um bom atendimento. Existem muitos colegas que são verdadeiras sumidades em conhecimento técnico, mas uma negação em relacionamento humano. Serão ótimos pesquisadores, cientistas, mas nunca serão ótimos médicos. Já outros colegas, são políticos, os famosos “bagre ensaboados”, mas não estudam, não se atualizam e acabam cometendo erros por deficiência técnica. O equilíbrio entre estas duas constantes acabam formando um bom médico.

Quando um médico vai atender, é um ser humano que está diante de você. Poderá estar num mau dia, ter brigado com seu(ua) parceiro(a), estar preocupado com o saldo bancário, com a conta que não foi paga, sentir raiva do governante incompetente que onera sua vida com impostos, com cobranças injustas e, devido à essa humanidade, descarregar suas frustrações sobre o paciente. Não é certo, mas pode ocorrer. Parece que no caso em tela, a pediatra se recusou a atender a família, pois personalizou naquela mãe, militante do PT, todas as mazelas que afligem o país nos dias de hoje, com um escândalo de corrupção sem precedentes no mundo, tido como o maior caso de corrupção no mundo ocidental em todos os tempos. Com uma presidente incompetente como há séculos não se via neste país, que conseguiu arruinar pilares de economia, da indústria, do comércio, causando um retrocesso de décadas em toda a cadeia econômica. Com um ex-presidente acusado de enriquecimento ilícito e corrupção, que se esconde dos juízes e da Polícia Federal, ocupando um cargo de ministro de Estado, para adquirir foro privilegiado e tentar assim escapar das garras da justiça. Estas foram as alegações da pediatra, para cancelar a consulta do paciente.

Com certeza, a colega vai ter que assumir o ônus de sua postura, talvez ser julgada num processo ético profissional e acabar recebendo alguma penalidade, desde uma advertência até a suspensão do seu exercício profissional. Talvez isso a faça refletir se terá agido corretamente ou não.

A medicina como um todo está sendo julgada todos os dias, através do massacre impiedoso da imprensa, que se apega em alguns colegas desonestos, ou imperitos, ou negligentes, jogando todo o ônus dessa carga sobre todos os profissionais médicos, como se todos fossem mercenários, incompetentes, injustos, errados. O erro de um profissional não pode ser jogado na conta de toda a categoria. O profissional médico é fruto desta sociedade que nós temos. Se não temos médicos melhores, talvez seja o momento de nós nos perguntarmos o que precisa ser feito, para resgatarmos a ética, o respeito, a humanidade e a capacidade de exercer com amor esta profissão tão difícil, tão sacrificada, tão cansativa, mas ainda assim, maravilhosa, que nos preenche, que nos dá uma sensação de dever cumprido, de realização plena, quando bem exercida.

publicado por drtakeshimatsubara às 04:03 | comentar | ver comentários (2) | favorito
05
Mar 16
05
Mar 16

A CRISE E AS FORÇAS ARMADAS

A CRISE ATUAL E AS FORÇAS ARMADAS O Brasil está passando por uma crise profunda, de falta de governo, de falta de credibilidade da classe política e de total descrença nos dirigentes dos destinos da nação. As Forças Armadas, apesar dos inúmeros chamamentos nas manifestações públicas e nas passeatas, escaldadas após 21 anos de governo militar, não querem intervir neste momento crítico, pois temem as consequências, como as do último período em que estiveram ocupando o poder. O Brasil, após a Guerra do Paraguai, viu a politização e o fortalecimento das Forças Armadas, como uma instituição que participou ativamente dos principais momentos históricos do país, nos dois últimos séculos. Foram autores da Proclamação da República, ocuparam a presidência no início do governo republicano, participaram ativamente no início do século XX, através dos movimentos dos tenentes e dos generais que ocuparam cargos políticos e culminaram com os 21 anos do governo militar. Toda vez que uma grave crise política assola o país, a população recorre aos militares, como se eles fossem uma panaceia que colocaria nos trilhos os rumos da nação. Essa dependência demonstra claramente o quanto nós ainda não estamos amadurecidos social e politicamente, pois procuramos fora a solução, quando, na verdade, deveríamos ter maturidade para buscarmos dentro de nós mesmos a resolução de nossas crises e problemas. Com certeza, a democracia não é o melhor sistema de governo, mas é o que de menos ruim nós temos no momento, para reger os destinos da sociedade. Eu já fui um dia militante do PT, e acreditei nas propostas renovadoras de Lula e outras lideranças. Eu dei meu voto por várias vezes para os candidatos do Partido dos Trabalhadores. Portanto, nós temos que assumir que uma maioria de nós acreditou nas propostas socializantes dos candidatos ditos de esquerda. E que erramos profundamente com essa escolha. Hoje, vimos com tristeza que tudo isso foi uma grande fraude, uma grande mentira, pois enquanto eles diziam que repartiam as riquezas com as classes menos favorecidas, eles aparelharam todo o Estado, tomando posse dos cofres públicos e se esbaldaram com o dinheiro público, utilizando de todos os meios ilícitos para se locupletarem com as benesses do poder. Nós temos que assumir que mais da metade da população brasileira errou e elegeu os candidatos do Partido dos Trabalhadores para dirigir os rumos de nossa nação, por quatro mandatos presidenciais. Hoje, sabemos que em torno de 20% ainda continuam a acreditar piamente nas promessas e nas palavras de seus líderes, principalmente de Lula. Que apesar de todas as provas e evidências apresentadas exaustivamente pelos meios de comunicação, essa minoria continua achando que tudo não passa de um golpe das elites, das grandes corporações, do capital estrangeiro, da mídia, etc.. É um direito. O grande problema é que líderes populares e populistas, como Lula, não sabem a hora de parar, pois perdem a noção da realidade, acreditando piamente nas palavras dos bajuladores e dos puxa-sacos que os rodeiam e vivem para inflar os egos dessas personalidades. Acreditam que o fato de terem tido um dia 83% de popularidade, no seu auge, isso os torna pessoas amadas por todos e que estão acima das leis, das instituições, do bem e do mal. O Brasil é um país muito interessante. Enquanto o comunismo caiu de podre na União Soviética e na Europa Oriental há quase 30 anos, pondo fim a um sonho de quase um século, e resistindo hoje em alguns países sem nenhuma relevância, como Cuba e Coréia do Norte, mostrando que esse sistema político não deu certo, os brasileiros, capitaneados por Lula, fundam o Foro de São Paulo, em 1990, com as principais lideranças dos movimentos de esquerda da América Latina e Caribe, produzindo uma aberração que governou a Venezuela, A Bolívia, a Argentina, Equador, Peru, Nicarágua, Honduras e claro, o Brasil, num sistema de esquerda, nominado bolivariano, baseado no mais escrachado populismo, bancado com petrodólares, gás natural, commodities e dinheiro de outras fontes menos lícitas. Fundamentados no pensamento de Antonio Gramsci, filósofo do século passado, que pregava a implantação do comunismo através das disputas eleitorais, vendendo para a população uma imagem de um comunismo light, sem apelar para as armas, mas comprando o apoio popular através do dinheiro. Enquanto distribuíam renda, através das bolsas famílias e similares, aproveitaram para encher os próprios bolsos, roubando dinheiro de empresas estatais e de contratações de empreiteiras para construir grandes obras megalomaníacas, tudo isso bancado com o dinheiro sem fim do nosso BNDES. Graças ao bom Deus, essa esquerda bolivariana está fazendo água em todos os países onde ela se implantou. Começou na Argentina, com o fim da era Kirschner. Passou pela Venezuela, com a derrota acachapante de Nicolás Maduro nas eleições legislativas e passa pela Bolívia, que negou em plebiscito a eternização de Evo Morales no poder. Agora é a vez do Brasil. Nós, brasileiros, precisamos entender que não é possível mudar um país através de milagres e passes de mágica. Que não se muda a distribuição de renda por decreto e pela vontade de governantes supostamente bem intencionados. Que é muito bonito falar que estamos tentando acabar com a miséria, com a fome, com a má distribuição de renda, mas que esse processo tem que ser um processo sério, diuturno, que o Estado não é uma teta sem fim, que alimenta a todos indistintamente de maneira infinita. Não existe almoço grátis. Alguém tem que pagar a conta. E todo esse processo de suposta distribuição de renda, somente fez com que o país se endividasse ainda mais, de maneira irresponsável (devemos hoje mais de 3 trilhões de dólares) e provocasse uma sobrecarga de impostos em quem já há muito tempo, vem bancando o país, que é a classe média, através dos impostos diretos e indiretos, embutidos nos preços de todos os produtos consumidos. Mas nós temos mostrado que apesar de toda a sujeira que tem vindo à tona com o mensalão, a operação Lava Jato, Operação Zelotes e outras, nós temos hoje instituições fortes, através de uma grande turma de juízes e promotores, a maioria jovens, que não têm se sujeitado aos desmandos do poder central e tem promovido um processo de faxina, indo a fundo em suas investigações e buscando a verdade para punir os culpados sejam eles quem forem. Todos nós brasileiros sabíamos desde sempre, que o verdadeiro mandante do mensalão e o chefe do petrolão era Lula. E que Dilma Roussef sempre soube de tudo, e se beneficiou desse esquema corrupto. Parece que finalmente, estamos chegando aos verdadeiros chefes da quadrilha que assaltou o erário público e promoveu o maior escândalo de corrupção no planeta em todos os tempos. Precisamos continuar fortalecendo as nossas instituições, os nossos juízes, promotores, delegados da Polícia Federal e outros, que estão lutando para passar o país a limpo. Não podemos mais acreditar em soluções fáceis e rápidas, advindas de um golpe militar, que colocaria na cadeia toda essa corja que roubou e matou pessoas, sem medir consequências, em nome de um suposto projeto para se perpetuar no poder. Precisamos julgar e prender todos aqueles que se corromperam e não souberam fazer jus à confiança do povo, utilizando o poder para benefício próprio e dos seus familiares e amigos. Acredito piamente que temos condições para resolver tudo isso de maneira civilizada, dentro das regras e de forma madura, mostrando para o mundo que não somos mais uma republiqueta de bananas, que vive de golpes militares para derrubar governos corruptos e que acaba se corrompendo também, para ser derrubado por outra ala militar, como já ocorreu no passado. Ou vocês se esqueceram que Paulo Maluf, Antônio Carlos Magalhães, José Sarney, a família de Roberto Marinho e a Rede Globo, a Odebrecht, a Camargo Correia e tantas outras empresas e pessoas que estão hoje envolvidos nessa roubalheira toda, são produtos gerados na ditadura militar? Somos um país onde a grande maioria das pessoas é constituída de seres trabalhadores, honestos, justos e que apenas quer ver o seu país viver um dia após o outro, dentro da normalidade, lutando dia a dia para corrigir suas desigualdades, as suas mazelas e injustiças, onde tenhamos o direito de manifestar nossas opiniões livremente, de criticar o governo de plantão, de discordar democraticamente de posições ideológicas de outrem, de termos liberdade de crença religiosa, de valores morais e éticos. Olha só quanta coisa está em jogo?!?! Não vale a pena abrirmos mão de tudo isso, seja para um governo de esquerda ou uma ditadura de direita. Mas não mesmo!!!

publicado por drtakeshimatsubara às 20:02 | comentar | ver comentários (4) | favorito