A ESCOLA E A CRIANÇA DO SÉCULO XXI

A ESCOLA E A CRIANÇA DO SÉCULO XXI

 

 

Quem assiste os telejornais, ou assiste as revistas televisivas dos domingos, tipo Fantástico, está cansado de assistir histórias de violência nas escolas, de professor apanhando de aluno, de professor ameaçado por adolescentes ou gangues de jovens.

Como médico perito do INSS, tenho assistido diariamente professores em busca do auxilio-doença por patologias psiquiátricas, principalmente quadros depressivos, ansiosos e uma doença relativamente nova, chamada Síndrome de Burn-out (ou síndrome do palito de fósforo queimado, numa tradução literal). Ou seja, os profissionais da educação em nosso país, estão se frustrando, estão sentindo que não estão conseguindo ensinar os seus alunos, que perderam o domínio sobre a sala de aula, que não estão conseguindo cumprir o seu papel de educadores.

O que terá acontecido? O mundo mudou? As famílias mudaram? Acabou o respeito?

A grande verdade é que o mundo mudou, numa velocidade tão grande, nas últimas décadas, que as pessoas não conseguiram entender essa mudança e se adequar a ela.

Nos últimos anos, temos uma infinidade de crianças inteligentes, aliás, muuuuuuuuuiitoo inteligentes, que eu chamaria de espíritos muito evoluídos, que estão nascendo em nosso planeta, com uma capacidade de raciocínio e de aprendizado muito diferente das nossas, de gerações mais antigas.

São as chamadas crianças Indigo, as crianças que vieram para dirigir o nosso planeta nesta era de Aquarius, uma nova era, uma era em que a força que moverá o mundo será o do amor, e não mais o dinheiro, o sexo, ou as drogas.

Ensinar essas crianças é o grande desafio, pois as regras e os conceitos do século passado não se aplicam mais. Querer que eles fiquem quietinhos, nas suas carteiras, enquanto a professora escreve no quadro negro, não será tarefa das mais fáceis. Ensinar para essas crianças, que são na verdade melhores dos que nós, seus professores, passará necessariamente por uma grande mudança de paradigma. O processo ativo-passivo terá que ser modificado para um processo participativo, onde a informação e o conhecimento tem que ser discutido e compartilhado, para poder ser finalmente absorvido e compreendido.

O jogo terá que ser mudado, suas regras terão que ser modificadas, para que, ao invés da força, com o professor impondo o conhecimento ao aluno, passemos para um processo onde o professor e o aluno troquem suas figurinhas, para construir um novo conceito pedagógico. Esta mudança se fará, infelizmente, com muito choro e ranger de dentes, pois nada que implique em mudança é um processo fácil e pronto.

Como pediatra, tenho a oportunidade de aprender todos os dias e participar ativamente desse processo, trocando figuras com mães angustiadas e principalmente com a minha esposa, coordenadora pedagógica de uma escola pública em Dourados, onde seus relatos de experiências vividas serve de material para reflexão constante.

Quando um diretor de escola, um coordenador ou professor tenta se impor pela força sobre seus alunos, ameaçando àqueles adolescentes problemas que ameaçam o bom andamento da disciplina e dos bons constumes, vemos que a curto, médio e longo prazo, aquilo não irá com certeza acabar bem. O educador que não entender que é preciso amor para lidar com o aluno, que não basta exigir a disciplina pela força bruta ou pela ameaça, mas sim que é preciso trocar energia boa com o aluno, que é preciso mostrar que se está realmente interessado no problema vivido por ele e que se quer de fato e da maneira mais desinteressada, sem segundas intençoes, ajudar o aluno problema, com certeza, irá medir forças e, no final do processo, o professor irá perder. Seja em forma de ameaça, de uma agressão física ou moral, o aluno reagirá e teremos mais uma matéria nos telejornais.

Para lidar com essa multiplicidade, de alunos muito bons ou muito maus, é preciso que todos nós refaçamos nossos conceitos, que entendamos claramente que somo todos atores de um processo que está por se fazer ou está se fazendo, e que conceitos antigos não servirão para nada, que temos que ter a sensibilidade para aceitar esse novo jogo, com suas novas regras, para que possamos assim criar uma nova teoria e um novo conceito que possa ser aplicado.

Isto não tem sido fácil e tem causado muito sofrimento. Vemos um grande número de professores que não têm o domínio da sala, que não conseguem interessar os seus alunos, pois tentam ensinar seguindo fórmulas que estão voltadas para o passado e não para o futuro.

Esta é uma questão que precisa ser discutida diuturnamente, para que possamos criar novas teorias de educação e criarmos um novo modelo pedagógico, pois se todos entendem que a educação é o caminho para desenvolvermos uma sociedade, esta precisa ser moderna, antenada nas mudanças e, principalmente, ter o AMOR como combustível.

 

 

publicado por drtakeshimatsubara às 01:15 | comentar | favorito