O ADOLESCENTE E O GRUPO

O ADOLESCENTE E O GRUPO Após semanas sem inspiração para escrever, pedi `a minha esposa para que a mesma indicasse um assunto para escrever neste blog e a mesma sugeriu o tema acima. Quando crescemos e saímos da infância, passamos pela fase da adolescência. Ou aborrescência, segundo alguns. Pois bem, nesta fase, de muitas mudanças e de muita insegurança, há uma necessidade de auto-afirmação, e neste momento, o grupo se torna quase fundamental para que se atinja a aceitação e a auto-imagem que tornará seguro nosso adolescente. O grupo quase sempre tem um líder, que ditará as regras, seja de postura, de vestimenta, de valores, etc. Este líder ditará as regras a ser seguido pelo grupo. Aquele que cair em desgraça com o líder, será também “queimado” pelo restante do grupo. Nesta fase da vida, em que se desperta para a sexualidade, onde os hormônios a mil tornam os indivíduos passíveis de alguns excessos, começam a surgir os casais, alguns deles intra-grupal, outros inter-grupais. Eu sempre digo para os pais dos meus pacientes, que o adolescente é um ser que, ao deixar a infância, e as ilusões desta fase, começa a desmitificar os seus pais e os seus heróis. Ele começa a perceber que o pai não é aquele craque do futebol que ele imaginara, ou mesmo aquele galã de cinema, o bom mocinho, o rei que venceria a todos os concorrentes devido à sua força descomunal. Mas sim, que aquele pai-herói é na verdade um ser com limitações, com fraquezas, com defeitos. Eu chamo isso de fase iconoclasta, ou seja, é a fase em que a criança que cresceu, derruba os pais do pedestal em que os havia colocado e os joga ao chão, destruindo os seus ídolos de barro, ou seja, destrói os seus ícones. Quando termina a adolescência e este se torna um adulto, chega a fase da reconstrução, onde, “está certo, meu pai não é um herói, não é um craque de bola, nem o super-homem, mas é o meu pai, e, mesmo com suas limitações, eu o amo, gosto dele do jeito que é, pois ele é um sujeito boa praça, engraçado, batalhador e que me ama...” É a fase em que o adulto vai tentar consertar o seu ídolo de barro, colocar cola, tentar reconstruir seu herói, tornando-o uma figura humana. Lidar com adolescente é muito legal e desafiador. É uma especialidade das mais difíceis, dentre as sub-especialidades da pediatria, chamada Hebeatria. Lidar com adolescente é tentar orientar, encaminhar, prevenir, ensinar e, principalmente, ouvir. Ouvir seus anseios, seus medos suas inseguranças, que os mesmos tentam esconder a todo custo, pois não pega bem para os amigos mostrar fraqueza, sentimentos, etc. Por isso, é preciso trabalhar o individuo, isoladamente, fora do contexto do grupo, para que o mesmo mostre as suas reais individualidades e características pessoais. Trabalhar com adolescente é um desafio, pois em geral, são desconfiados, têm a sensação de que estão sendo vigiados, e conquistar sua confiança é um processo às vezes demorado. Mas uma vez conquistados, mostram uma faceta interessante e cheia de incongruências e contradições. Ao mesmo tempo em que eles se acham invulneráveis, poderosos, cheios de si, eles também são inseguros, sentem-se fracos, diminuídos. Nesta hora, quando em turma, eles gostam de pegar os carros dos pais, para dar um “rolê “ e as vezes acabam se excedendo, fazendo besteiras e sofrendo acidentes. Portanto, para lidar com o adolescente, precisamos estar atentos e deixar sempre um canal aberto de comunicação, para que os mesmos possam nos procurar, quando se sentirem vulneráveis ou quando tiverem algum problema, pois ao se demonstrar interesse por seus problemas, sem um viés crítico, eles se sentem confiantes para buscar um apoio e um ombro amigo.
publicado por drtakeshimatsubara às 21:02 | comentar | favorito