MOMENTO POLÍTICO DE DOURADOS, MS

MOMENTO POLÍTICO DE DOURADOS, MS Após a repercussão do meu último post, aonde cheguei a receber mensagens de elogios, mas também críticas severas de amigos, nós precisamos continuar a tocar na ferida. Lendo minha revista predileta de motocicletas, uma das crônicas fala de Bertolt Brecht. Este pensador alemão dizia que “o maior analfabetismo, e o mais grave deles, é o analfabetismo político”. Isto cai como uma luva para nossa realidade douradense. Embalados na eleição do presidente Lula, o povo mais simples de Dourados resolveu arriscar e eleger para seu mandatário mor um ser “igual” a eles. Ou que se dizia assim. Com seus erros crassos à língua pátria, com suas frases destemperadas, granjeou a simpatia do povo mais pobre, da periferia, e de alguns oportunistas, elegendo-se prefeito da segunda cidade do Estado de Mato Grosso do Sul. É interessante que o povo tenha ficado deslumbrado com um indivíduo que surgiu na cidade, de pára-quedas, um sujeito analfabeto, que era motorista do vereador Dioclécio “Sucupira” Artuzi, que era também um político populista, chegado a fazer beneficência, carregando o povo para os postos de saúde, hospitais, etc. Aprendendo rapidamente com seu tio vereador, Ari Artuzi, após a morte deste seu tio, candidata-se e é eleito vereador, ficando com o espólio político de Dioclécio. Em seguida, eleito deputado estadual devido ao voto de legenda, é guindado ao cargo de legislador estadual, tendo como plataforma política, montar uma frota de ônibus, vans, ambulâncias e outros veículos, para carregar o povo para cima e para baixo, emprestar vestidos de noiva, emprestar kit funeral, promover-se à custa do auxilio funeral que a prefeitura oferecia aos mais carentes, como se dele fosse o material e o auxilio, ganhando a simpatia do povão. Interessante que ninguém tenha se perguntado como Ari, com o salário de pouco mais de R$13 mil por mês, conseguia comprar tantos veículos, ajudar tantas pessoas, fazer tanta “benemerência” com o povo douradense. Dizia-se, à boca pequena, que na Assembléia há muito tempo, existia um mensalão, para os deputados votarem os projetos de interesse do governador. Isto poderia explicar a fonte de recursos para manter a frota do deputado: “Me chama que eu vou”. Este o lema do deputado Ari Artuzi, para levar pessoas carentes para as portas dos hospitais, pronto socorros, hospitais, postos de saúde, etc. Quando o deputado estadual Ari Rigo em seu vídeo confessa que cada deputado estadual receberia no mínimo R$120 mil reais por mês, isto explica de onde vinha o dinheiro que Artuzi usava para fazer sua “benemerência”. Reeleito deputado estadual, Ari Artuzi começa a mostrar que deseja ocupar o cargo de prefeito de Dourados. A princípio, as lideranças do Estado não deram muita importância, achavam que era um arroubo sem maior perigo. Aos poucos, tal pretensão se torna uma ameaça mais concreta e real. Políticos de longa data, como Geraldo Rezende, Biasotto, Marçal Filho, Bela Barros e outros, percebem que se torna difícil competir com a popularidade daquele que foi chamado pelo governador André Pucinelli, de “animal de pelo curto”. Passando sobre uma estrutura meio capenga de André, que ora parecia apoiar Murilo como seu candidato a prefeito, ora abandonava à própria sorte o seu vice-governador; alem da candidatura de Biazotto, que foi totalmente abandonado pelo PT estadual, (Zeca do PT, Vander Loubet e seus companheiros inclusive, apoiaram claramente Ari Artuzi) contando apenas e tão somente com a militância local e o apoio de Laerte Tetila, o ex-vereador petista não emplaca nas eleições e todos perdem para Ari, que numa votação triunfal, se elege prefeito desta cidade, com o apoio das massas. Uma vez eleito prefeito, Ari Artuzi destrói todas as principais obras do governo anterior. Destrói as ciclo faixas, deixando o cidadão mais humilde, seu eleitor e que havia votado nele, sem um dos principais avanços para proteger este cidadão mais pobre e que anda de bicicletas pela cidade, na sua luta desigual com carros e motos. Desestrutura ainda mais o sistema de saúde, ao entregar para o Hospital Evangélico, (que havia apoiado maciçamente sua eleição), a gestão dos hospitais do trauma e da Mulher, numa negociata vergonhosa, com denúncias ao Ministério Público de compra dos votos dos membros do Conselho Municipal de Saúde. Protela a compra de materiais de consumo e de medicamentos, deixando completamente desassistidos os postos de saúde e os programas de saúde da família, superlotando os pronto-socorros e os hospitais. Num símbolo de sua ira destrutiva, manda derrubar a estátua do Ervateiro, um dos símbolos do governo Tetila, e joga a obra de arte para apodrecer nos galpões da prefeitura, em completo abandono. Briga com o deputado Geraldo Resende, boicotando todos os seus principais projetos, engavetando todos eles, perdendo prazos e devolvendo dinheiro duramente conquistado, de volta para Brasilia. Em menos de 20 meses, nomeou 3 secretários de saúde, o último deles, Mário Eduardo, do DEM, apoiado por Ari Rigo e André Pucinelli, era um claro desafeto seu, que ele engolia a duras penas, com brigas constantes e claros sinais de insubordinação, mas que devido à colcha de retalhos que se tornara o seu governo e o apoio político de diversas fontes e partidos que o apoiavam, era tolerado a contragosto. Com tudo isso, a saúde pública, que já era muito ruim no mandato de Tetila, ficou ainda pior, sem comando, sem gestão sem nada. A cidade parecia um canteiro de obras da Sanesul, com buracos para todos os lados, para trocas dos canos de água e de esgoto da cidade, numa sujeira e numa buraqueira de dar dó. Além disso, não se percebia um comando e as poucas obras que eram feitas, o eram por mérito de alguns dos seus secretários, não por mérito do prefeito. Em 24 de agosto de 2010, o epílogo se desenha, quando da vinda do presidente Lula para inaugurar a UFGD e a duplicação da BR 163. Vaiado pelo público presente, por vários minutos, não conseguiu fazer o seu pronunciamento em agradecimento à visita. Foi necessário Lula intervir, pedindo ao povo para parar os apupos, para que o mesmo pudesse terminar sua fala. Finalmente, em 01 de setembro de 2010, uma mega operação envolvendo mais de 200 agentes da polícia federal, dá um fim ao reinado do motorista de São Valentin RS. Além do prefeito, são presos sua esposa, o vice-prefeito, 9 vereadores, empresários, políticos, funcionários públicos, dando um basta à quadrilha que se apossara da prefeitura e realizava banquetes com verba pública. Aos poucos, vídeos que haviam sido gravados pelo seu secretário de governo Eleandro Passaia, vêm a se tornar públicos, sendo exibidas pela televisão e sites de noticias, mostrando um festival de farras com dinheiro público. Milhares de reais. Maços e mais maços de dinheiro são entregues aos vereadores da base aliada (aliás, quase todos são da base aliada) num escândalo que repercutiu no mundo todo. Finalmente, preso Ari Artuzi e sua quadrilha, desmantela-se um esquema de corrupção poucas vezes visto neste país. Será que acabou? Claro que não. Aguardem os próximos capítulos desta saga, que certamente terá vários desdobramentos, com novos escândalos e novas operações policiais.
publicado por drtakeshimatsubara às 16:46 | comentar | favorito