A CRISE E AS FORÇAS ARMADAS

A CRISE ATUAL E AS FORÇAS ARMADAS O Brasil está passando por uma crise profunda, de falta de governo, de falta de credibilidade da classe política e de total descrença nos dirigentes dos destinos da nação. As Forças Armadas, apesar dos inúmeros chamamentos nas manifestações públicas e nas passeatas, escaldadas após 21 anos de governo militar, não querem intervir neste momento crítico, pois temem as consequências, como as do último período em que estiveram ocupando o poder. O Brasil, após a Guerra do Paraguai, viu a politização e o fortalecimento das Forças Armadas, como uma instituição que participou ativamente dos principais momentos históricos do país, nos dois últimos séculos. Foram autores da Proclamação da República, ocuparam a presidência no início do governo republicano, participaram ativamente no início do século XX, através dos movimentos dos tenentes e dos generais que ocuparam cargos políticos e culminaram com os 21 anos do governo militar. Toda vez que uma grave crise política assola o país, a população recorre aos militares, como se eles fossem uma panaceia que colocaria nos trilhos os rumos da nação. Essa dependência demonstra claramente o quanto nós ainda não estamos amadurecidos social e politicamente, pois procuramos fora a solução, quando, na verdade, deveríamos ter maturidade para buscarmos dentro de nós mesmos a resolução de nossas crises e problemas. Com certeza, a democracia não é o melhor sistema de governo, mas é o que de menos ruim nós temos no momento, para reger os destinos da sociedade. Eu já fui um dia militante do PT, e acreditei nas propostas renovadoras de Lula e outras lideranças. Eu dei meu voto por várias vezes para os candidatos do Partido dos Trabalhadores. Portanto, nós temos que assumir que uma maioria de nós acreditou nas propostas socializantes dos candidatos ditos de esquerda. E que erramos profundamente com essa escolha. Hoje, vimos com tristeza que tudo isso foi uma grande fraude, uma grande mentira, pois enquanto eles diziam que repartiam as riquezas com as classes menos favorecidas, eles aparelharam todo o Estado, tomando posse dos cofres públicos e se esbaldaram com o dinheiro público, utilizando de todos os meios ilícitos para se locupletarem com as benesses do poder. Nós temos que assumir que mais da metade da população brasileira errou e elegeu os candidatos do Partido dos Trabalhadores para dirigir os rumos de nossa nação, por quatro mandatos presidenciais. Hoje, sabemos que em torno de 20% ainda continuam a acreditar piamente nas promessas e nas palavras de seus líderes, principalmente de Lula. Que apesar de todas as provas e evidências apresentadas exaustivamente pelos meios de comunicação, essa minoria continua achando que tudo não passa de um golpe das elites, das grandes corporações, do capital estrangeiro, da mídia, etc.. É um direito. O grande problema é que líderes populares e populistas, como Lula, não sabem a hora de parar, pois perdem a noção da realidade, acreditando piamente nas palavras dos bajuladores e dos puxa-sacos que os rodeiam e vivem para inflar os egos dessas personalidades. Acreditam que o fato de terem tido um dia 83% de popularidade, no seu auge, isso os torna pessoas amadas por todos e que estão acima das leis, das instituições, do bem e do mal. O Brasil é um país muito interessante. Enquanto o comunismo caiu de podre na União Soviética e na Europa Oriental há quase 30 anos, pondo fim a um sonho de quase um século, e resistindo hoje em alguns países sem nenhuma relevância, como Cuba e Coréia do Norte, mostrando que esse sistema político não deu certo, os brasileiros, capitaneados por Lula, fundam o Foro de São Paulo, em 1990, com as principais lideranças dos movimentos de esquerda da América Latina e Caribe, produzindo uma aberração que governou a Venezuela, A Bolívia, a Argentina, Equador, Peru, Nicarágua, Honduras e claro, o Brasil, num sistema de esquerda, nominado bolivariano, baseado no mais escrachado populismo, bancado com petrodólares, gás natural, commodities e dinheiro de outras fontes menos lícitas. Fundamentados no pensamento de Antonio Gramsci, filósofo do século passado, que pregava a implantação do comunismo através das disputas eleitorais, vendendo para a população uma imagem de um comunismo light, sem apelar para as armas, mas comprando o apoio popular através do dinheiro. Enquanto distribuíam renda, através das bolsas famílias e similares, aproveitaram para encher os próprios bolsos, roubando dinheiro de empresas estatais e de contratações de empreiteiras para construir grandes obras megalomaníacas, tudo isso bancado com o dinheiro sem fim do nosso BNDES. Graças ao bom Deus, essa esquerda bolivariana está fazendo água em todos os países onde ela se implantou. Começou na Argentina, com o fim da era Kirschner. Passou pela Venezuela, com a derrota acachapante de Nicolás Maduro nas eleições legislativas e passa pela Bolívia, que negou em plebiscito a eternização de Evo Morales no poder. Agora é a vez do Brasil. Nós, brasileiros, precisamos entender que não é possível mudar um país através de milagres e passes de mágica. Que não se muda a distribuição de renda por decreto e pela vontade de governantes supostamente bem intencionados. Que é muito bonito falar que estamos tentando acabar com a miséria, com a fome, com a má distribuição de renda, mas que esse processo tem que ser um processo sério, diuturno, que o Estado não é uma teta sem fim, que alimenta a todos indistintamente de maneira infinita. Não existe almoço grátis. Alguém tem que pagar a conta. E todo esse processo de suposta distribuição de renda, somente fez com que o país se endividasse ainda mais, de maneira irresponsável (devemos hoje mais de 3 trilhões de dólares) e provocasse uma sobrecarga de impostos em quem já há muito tempo, vem bancando o país, que é a classe média, através dos impostos diretos e indiretos, embutidos nos preços de todos os produtos consumidos. Mas nós temos mostrado que apesar de toda a sujeira que tem vindo à tona com o mensalão, a operação Lava Jato, Operação Zelotes e outras, nós temos hoje instituições fortes, através de uma grande turma de juízes e promotores, a maioria jovens, que não têm se sujeitado aos desmandos do poder central e tem promovido um processo de faxina, indo a fundo em suas investigações e buscando a verdade para punir os culpados sejam eles quem forem. Todos nós brasileiros sabíamos desde sempre, que o verdadeiro mandante do mensalão e o chefe do petrolão era Lula. E que Dilma Roussef sempre soube de tudo, e se beneficiou desse esquema corrupto. Parece que finalmente, estamos chegando aos verdadeiros chefes da quadrilha que assaltou o erário público e promoveu o maior escândalo de corrupção no planeta em todos os tempos. Precisamos continuar fortalecendo as nossas instituições, os nossos juízes, promotores, delegados da Polícia Federal e outros, que estão lutando para passar o país a limpo. Não podemos mais acreditar em soluções fáceis e rápidas, advindas de um golpe militar, que colocaria na cadeia toda essa corja que roubou e matou pessoas, sem medir consequências, em nome de um suposto projeto para se perpetuar no poder. Precisamos julgar e prender todos aqueles que se corromperam e não souberam fazer jus à confiança do povo, utilizando o poder para benefício próprio e dos seus familiares e amigos. Acredito piamente que temos condições para resolver tudo isso de maneira civilizada, dentro das regras e de forma madura, mostrando para o mundo que não somos mais uma republiqueta de bananas, que vive de golpes militares para derrubar governos corruptos e que acaba se corrompendo também, para ser derrubado por outra ala militar, como já ocorreu no passado. Ou vocês se esqueceram que Paulo Maluf, Antônio Carlos Magalhães, José Sarney, a família de Roberto Marinho e a Rede Globo, a Odebrecht, a Camargo Correia e tantas outras empresas e pessoas que estão hoje envolvidos nessa roubalheira toda, são produtos gerados na ditadura militar? Somos um país onde a grande maioria das pessoas é constituída de seres trabalhadores, honestos, justos e que apenas quer ver o seu país viver um dia após o outro, dentro da normalidade, lutando dia a dia para corrigir suas desigualdades, as suas mazelas e injustiças, onde tenhamos o direito de manifestar nossas opiniões livremente, de criticar o governo de plantão, de discordar democraticamente de posições ideológicas de outrem, de termos liberdade de crença religiosa, de valores morais e éticos. Olha só quanta coisa está em jogo?!?! Não vale a pena abrirmos mão de tudo isso, seja para um governo de esquerda ou uma ditadura de direita. Mas não mesmo!!!

publicado por drtakeshimatsubara às 20:02 | comentar | favorito