A PEDIATRA E O PT

A PEDIATRA E O PT.

Recentemente, foi noticiado na mídia e nas redes sociais que uma pediatra desmarcara a consulta de um paciente, sob a alegação de que a mãe, por ser filiada ao PT, era defensora de todo o estado de coisas ruins pelos quais o país está passando e, portanto, não haveria condições para ela continuar o atendimento.

Tal fato gera discussão e nos leva à uma reflexão profunda.

A que ponto chegou este país, onde irmãos da mesma família brigam e param de se falar, chegam ao ápice de cortar relações, por questões ideológicas e políticas?

Existe um fórum especializado na questão da médica, o CRM/RS, que com certeza, será provocado, através de uma sindicância, para avaliar se a pediatra incorreu em ofensa a algum artigo do código de ética médica e, portanto, se deverá ou não ser punida.

Mas o fato é que temos um país dividido ao meio. Ou oitenta por cento contra vinte, segundo as pesquisas e as manifestações.

O maior responsável (ou irresponsável) por essa divisão é Luís Inácio Lula da Silva. Nos momentos em que se sente acuado, Lula se especializou em jogar o jogo do “nós contra eles”. Para ser defendido pelos seus militantes, Lula joga o papel de vítima, jogando a culpa pelos seus erros à imprensa, ao capital estrangeiro, aos “coxinhas”, etc, criando assim um Brasil dos petistas e outro, dos inimigos dos petistas. Através da ameaça de seus braços armados, como as centrais sindicais e o movimento dos sem terra, Lula ameaça transformar o país em palco de uma guerra civil. Essa ameaça tem todos os ingredientes para não acabar bem.

Nesse contexto, temos um país, onde vestir uma camisa, seja ela vermelha ou amarela, define o lado em que você está. E é preciso destruir o inimigo, bater nele, acabar com ele .

O Brasil é um país maravilhoso, o único do mundo, onde um mascate libanês é acolhido por um comerciante judeu, no Bom Retiro, sendo tratado como amigo, sem rancores, sem ódios, sem inimizades. Onde japoneses, coreanos e chineses convivem pacificamente no bairro da Liberdade, de forma bem diferente dos seus países de origem, onde as sequelas da segunda guerra mundial deixaram marcas profundas, devido à agressividade dos soldados imperiais japoneses, que viam os inimigos como seres inferiores e passiveis de serem escravizados.

Nosso país é um mosaico, onde se sobressaem o branco português, o negro e o índio, mesclado com europeus e asiáticos que vieram posteriormente, todos miscigenados de forma perfeita, formando uma nova raça brasileira, com um cadinho de cada cultura, num processo vivo e que ainda está acontecendo, fazendo deste país um lugar diferente, onde a solidariedade e a fraternidade estão acima do materialismo e do individualismo, que imperam nos países ricos capitalistas. Somos um país pobre, em desenvolvimento, mas temos um espirito solidário, que permeia todas as atitudes do seu povo, tornando-o querido por todos os outros países do mundo.

Não podemos deixar que uma ideologia retrógrada, que não deu certo em lugar nenhum do mundo, venha a seduzir alguns poucos, que em nome dessa ideologia e do jogo de poder, querem transformar este país maravilhoso num local dividido, numa dualidade entre comunista e capitalista, entre petista e coxinha, entre vermelho e amarelo, de tal sorte que se tornem partes inconciliáveis, inimigos para serem destruídos pelas armas, numa guerra civil, cujo resultado ninguém sabe onde vai resultar. É só ver os americanos, onde ianques e confederados ainda hoje, passados quase 150 anos, têm uma desconfiança uns para os outros, como se não fossem membros de um mesmo país.

Temo muito pelo futuro do meu país. Como cristão, só me resta orar, pedir a Deus para que traga um pouco de sabedoria para os nossos líderes, para que desarmem seus espíritos, pois ao iniciarmos o terceiro milênio, temos que aspirar por um mundo onde saibamos conviver com as diferenças, onde cada ser tem a liberdade de ter e expressar suas opiniões, credos, religiões, time de futebol, etc, sem medo de ser destruído pelo inimigo ou pelo Estado.

Deste modo, não me cabe julgar a colega pediatra pelo seu ato de recusar o atendimento para uma criança, só porque sua mãe é militante do Partido dos Trabalhadores, mas apenas lamentar profundamente que tal fato tenha ocorrido. Uma criança não tem culpa alguma das escolhas feitas por seus pais. Pode ser que ela tenha incorrido em infração ao Artigo 23 do Código de Ética, que diz que é vedado ao médico: Tratar o ser humano sem civilidade ou consideração, desrespeitar sua dignidade ou discriminá-lo de qualquer forma ou sob qualquer pretexto.

A medicina é uma profissão muito difícil, aliás, eu digo sempre para os alunos das faculdades de medicina que a Medicina é uma arte, impregnada de ciência. É arte, pois o trato com outro ser humano necessita do emprego de vários dons, como o da paciência, da compassividade, da compaixão, do amor ao próximo, do respeito, da empatia, (ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro, do paciente, e sentir suas dores, seus medos, suas angustias), etc., de tal maneira que ela se soma ao conhecimento científico e técnico, para podermos assim prestar um bom atendimento. Existem muitos colegas que são verdadeiras sumidades em conhecimento técnico, mas uma negação em relacionamento humano. Serão ótimos pesquisadores, cientistas, mas nunca serão ótimos médicos. Já outros colegas, são políticos, os famosos “bagre ensaboados”, mas não estudam, não se atualizam e acabam cometendo erros por deficiência técnica. O equilíbrio entre estas duas constantes acabam formando um bom médico.

Quando um médico vai atender, é um ser humano que está diante de você. Poderá estar num mau dia, ter brigado com seu(ua) parceiro(a), estar preocupado com o saldo bancário, com a conta que não foi paga, sentir raiva do governante incompetente que onera sua vida com impostos, com cobranças injustas e, devido à essa humanidade, descarregar suas frustrações sobre o paciente. Não é certo, mas pode ocorrer. Parece que no caso em tela, a pediatra se recusou a atender a família, pois personalizou naquela mãe, militante do PT, todas as mazelas que afligem o país nos dias de hoje, com um escândalo de corrupção sem precedentes no mundo, tido como o maior caso de corrupção no mundo ocidental em todos os tempos. Com uma presidente incompetente como há séculos não se via neste país, que conseguiu arruinar pilares de economia, da indústria, do comércio, causando um retrocesso de décadas em toda a cadeia econômica. Com um ex-presidente acusado de enriquecimento ilícito e corrupção, que se esconde dos juízes e da Polícia Federal, ocupando um cargo de ministro de Estado, para adquirir foro privilegiado e tentar assim escapar das garras da justiça. Estas foram as alegações da pediatra, para cancelar a consulta do paciente.

Com certeza, a colega vai ter que assumir o ônus de sua postura, talvez ser julgada num processo ético profissional e acabar recebendo alguma penalidade, desde uma advertência até a suspensão do seu exercício profissional. Talvez isso a faça refletir se terá agido corretamente ou não.

A medicina como um todo está sendo julgada todos os dias, através do massacre impiedoso da imprensa, que se apega em alguns colegas desonestos, ou imperitos, ou negligentes, jogando todo o ônus dessa carga sobre todos os profissionais médicos, como se todos fossem mercenários, incompetentes, injustos, errados. O erro de um profissional não pode ser jogado na conta de toda a categoria. O profissional médico é fruto desta sociedade que nós temos. Se não temos médicos melhores, talvez seja o momento de nós nos perguntarmos o que precisa ser feito, para resgatarmos a ética, o respeito, a humanidade e a capacidade de exercer com amor esta profissão tão difícil, tão sacrificada, tão cansativa, mas ainda assim, maravilhosa, que nos preenche, que nos dá uma sensação de dever cumprido, de realização plena, quando bem exercida.

publicado por drtakeshimatsubara às 04:03 | comentar | favorito