BRASIL: UM PAÍS JOVEM

BRASIL: UM PAÍS JOVEM

 

Nós costumamos dizer que o Brasil é um pais jovem com 514 anos de história. Na verdade, a história do país tem 206 anos, a partir da vinda da família real portuguesa, em 1808, pois durante 300 anos, o nosso país continente se resumia a grandes fazendas, cheias de escravos, que produziam açúcar e outros produtos para subsistência e cujas leis eram determinadas pelos fazendeiros, que faziam e aconteciam. Eles eram os delegados, os promotores e os juízes, tudo numa mesma pessoa.  As tentativas de colonização ficaram restritos à costa litorânea, seja pela dificuldade de enfrentamento das grandes matas fechadas e das grandes barreiras de montanhas, seja pela presença de índios hostis, que não aceitavam o contato com o branco. A partir do século XVIII o descobrimento de veios auríferos deu origem ao ciclo do ouro em Minas Gerais, que levou populações para povoar as serras gerais.

Em 1808, a cidade do Rio de Janeiro, que era a maior cidade do país, contava com aproximadamente 60.000 almas, sendo a sua maioria negros escravos. Não havia estradas, nem ferrovias, nada. Qualquer forma de interiorização era feita pelos rios, em pequenas canoas, usadas pelos bandeirantes paulistas para desbravar o sertão em buscas de pedras preciosas e da caça aos índios, que eram vendidos como escravos nos “grandes centros” de então.

As grandes cidades do interior de hoje, são em sua maioria, cidades jovens, com menos de um século de história, que começaram o seu processo de crescimento há menos de 60 anos, quando finalmente houve um esforço para se interiorizar o país, cortando o país com rodovias e estradas de ferro em sentido ao sertão.

Portanto, somos realmente um país muito jovem, ainda em construção, com hábitos e culturas ainda muito incipientes, num processo de “fazimento”do país.

Quando Lula assumiu o governo, em 2002, trazia em seu bojo o desejo e a esperança da população, de que agora teríamos um dos “nossos”, um homem do povo, uma pessoa que tinha uma aura de metalúrgico, de líder sindical, que se orgulha de ter estudado até a quarta série primária, que fala de política usando a linguagem e as metáforas do futebol e que, mesmo assim, tem um certo carisma e uma liderança naturais.

Quando houve a descoberta do petróleo do pré-sal, finalmente o Brasil tinha tirado a sorte grande, pois teríamos uma das maiores reservas do líquido precioso do planeta, seria uma riqueza quase inesgotável, que nos permitiria sair de nossa condição de terceiro mundo para sermos alçados ao primeiro mundo, sem escalas.

Neste contexto, a realização da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas no Rio de Janeiro, em 2016, seriam nada mais do que a coroação desse Brasil Grande, rico, pujante, grandioso, com estádios luxuosíssimos, com avenidas largas cortando as cidades sede da Copa, com metrôs de superfície deixando o torcedor na porta dos estádios, etc.,

Porém, aos poucos, essas ilusões foram sendo desfeitas, uma a uma. O petróleo realmente está lá, a 7000 a 8000 metros de profundidade, embaixo de uma grossa camada de sal no fundo do oceano, num desafio tecnológico gigantesco, para se conseguir extrair o produto. A Petrobrás, mal gerenciada e com suas diretorias tomadas por afilhados políticos, perdeu totalmente o prumo e a capacidade de investir as dezenas de bilhões de dólares necessárias para se desenvolver a tecnologia de extração em níveis profundos, graças ao uso político da empresa por Dilma, que mantém o preço dos combustíveis congelados, numa vã tentativa de segurar a inflação que teima em permanecer no teto de 6,5% ao mês. E isso oficialmente, pois até esse índice está perdendo a credibilidade, com o IBGE sendo manipulado pelo governo também.

Ao manter um sistema de distribuição de renda forçada, fornecendo bolsas famílias para milhões de pessoas, o governo está tirando a dignidade e o estímulo para as pessoas saírem da situação de miséria em que vivem, criando uma geração acomodada, que não precisa trabalhar nem estudar, pois o sustento é fornecido pela “mãe” Dilma, num processo de compra de consciência e de voto que tenta eternizar esse sistema, através da ameaça de que se não votar na Dilma e no PT, tudo isso acaba.

Ao emprestar dinheiro a juros subsidiados do BNDES para empresas de amigos, como as empresas “X”de Eike Batista e as empresas JBS Friboi o governo petista tentou criar empreendimentos capitalistas, imitando o modelo chinês, onde somas vultosas de dinheiro oficial, do Tesouro, tentaram criar grandes conglomerados. A primeira empresa, a de Eike, já fez água por todos os lados e está afundando rapidamente. A segunda apresenta um crescimento irreal, sem lastro, e deve ter o mesmo fim. E nós todos, que somos os donos do BNDES,  ficamos com o prejuízo todo no final das contas.

Dilma tentou a todo custo combater a inflação e os juros, baixando a Selic por decreto, dando desconto de 20% na conta de energia elétrica e segurando artificialmente o preço dos combustíveis. Isso é mais uma das demonstrações de despreparo total para o cargo de nossa gerente.

Quando digo que nosso país é muito jovem, é porque nossas instituições políticas são muito precárias. Desde a nossa independência de Portugal em 1822, tivemos um português, Dom Pedro I que foi nosso primeiro mandatário. O seu filho, Dom Pedro II, foi um brasileiro que verdadeiramente amou este país e muito contribuiu para o desenvolvimento de nosso país, na economia, cultura, na saúde e em outras diversas áreas. Foi um imperador que foi amado e respeitado por seus súditos, por mais de quarenta anos, quando foi apeado por um golpe militar que implantou a República em 1889.

Por todo o século passado, nos seus primórdios, tivemos o predomínio político de lideranças mineiras e paulistas, na chamada política do “café com leite”, oligarquias que governaram apenas para satisfazer suas necessidades econômicas e políticas.  Tivemos diversos golpes de estado e quarteladas, a primeira de Getúlio Vargas, em 1930 e que em 1937 implantou um sistema ditatorial, o Estado Novo. Até 1964, tivemos diversas crises que desaguaram no golpe militar que governou o país por 21 anos. Desde 1985, estamos finalmente tentando um sistema democrático, com eleições em todos os níveis, com certa liberdade de imprensa e de expressão. Mas, sempre fica a sensação de que tudo isso é muito frágil, de que a qualquer momento, isso pode vir por água abaixo, pois nossas instituições são muito instáveis e mal ajambradas.

O Brasil hoje está cercado por ditaduras de esquerda, na Bolívia de Evo Morales, na Venezuela de Hugo Chaves e do seu caricato substituto, Nicolás Maduro, na Argentina de Cristina Kirschner e tantos outros, que tomaram o Estado para si e seus asseclas, que calam a imprensa, que conduzem a economia a seu bel prazer, como o socialismo bolivariano, numa condução desastrosa que está causando total desabastecimento de produtos básicos. Enquanto o mundo todo já compreendeu que o sistema socialista não dá certo, que acabou com a queda do muro de Berlim, temos essas republiquetas esquerdistas latino americanas na contramão, e, o que é pior,querendo ser imitado por Dilma, Lula e o PT.

Cabe a nós, brasileiros, resgatarmos essa nossa instituição jovem, a democracia, e darmos um basta em tudo isso que está sendo colocado goela abaixo por esse governo petista. Não precisamos chamar os militares para saírem dos seus quartéis para apearmos os nossos governantes e os políticos que aí estão. São nossos representantes, que nós colocamos no poder através do nosso voto, quatro anos atrás. Cabe a nós agora, democraticamente, darmos um cartão vermelho para eles todos e mandá-los para casa, para o chuveiro.

E viva a democracia!

publicado por drtakeshimatsubara às 14:51 | comentar | favorito