DILMA ROUSSEF

DILMA ROUSSEF

 

O Brasil está há quatro anos sob o governo de Dilma Roussef, indicada por seu antecessor, Lula, para ocupar o cargo máximo do país.

Diante do esfacelamento político de todas as possíveis lideranças que um dia poderiam suceder a Lula, tais como José Dirceu, Antonio Palocci, José Genoíno, e tantos outros, que ficaram pelo caminho, queimados por escândalos e graves acusações de corrupção, abuso de poder, enriquecimento ilícito e tantos outros, quando terminou o seu segundo mandato, não havia outro nome a quem Lula pudesse indicar para lhe suceder.

A gerentona, que tratava seus subordinados aos berros, passando descompostura em todos os seus auxiliares, mas nunca havia disputado um cargo eletivo, nunca tinha passado pelo teste das urnas, era um verdadeiro poste, que passou pelo processo de transferência da popularidade de Luis Inácio e se elegeu presidente da Republica. Esta mulher chega agora ao final do seu mandato, tendo que se esconder na cerimônia de abertura da Copa do Mundo, com medo de ser vaiada pela população brasileira.

O que aconteceu?

A grande verdade é que o PT nunca permitiu o surgimento de lideranças, pois todos idolatram  Lula, como seu grande patrono e líder único, insubstituível, soberano, um grande cacique no meio de tantos índios. Um grande timoneiro, que não pode ser ofuscado por nenhuma liderança outra.

Uma pessoa que passou a vida pisando nos seus subordinados, mas obedecia bovinamente ao seu chefe, quando passou a ser a maior autoridade do país, ficou totalmente perdida, sem saber o que fazer com tanto poder. E Dê-lhe meter os pés pelas mãos. Nomeou uma equipe quase toda remanescente do governo anterior, um ministério que prestava continência à Lula e não a ela própria.

De início, quando começaram a pipocar as denuncias de corrupção no seu ministério, demitiu diversos deles, dando a impressão de que seria um governo ético e preocupado em combater a corrupção, praga que grassou livremente no governo anterior. Porém, ao oferecer o ministério ao mesmo partido que antes a ocupava, trocava-se a figura de proa, mas a prática continuava a mesma, com os ministérios servindo como mecanismo para formar o caixa dos partidos e para enriquecimento de seus membros.

Talvez um dos maiores equívocos de Dilma tenha sido na composição de sua equipe econômica. Ao nomear Guido Mantega como ministro de Fazenda, e substituir Henrque Meireles no Banco Central por Alexandre Tombini, ambos muito fracos e sem catimba para ocupar tão altos cargos, ela selou o destino do país, que apresentou nesses quatro anos, o menor índice de crescimento econômico em todos os tempos, só se comparando com o de Floriano Peixoto, o segundo presidente da República, que governou um país quebrado pela troca do sistema político, pela mudança drástica da economia da época.

O Brasil, que viveu nos últimos anos do governo Lula, a ilusão de que finalmente se tornaria um país de primeiro mundo, voltava à dura realidade de ter que lidar com inflação em alta, economia em baixa, estradas entupidas, portos congestionados, enfim, um país de desgoverno.

A Copa do Mundo, quando Lula conseguiu convencer a FIFA a realizá-la em nosso país, em 2007 deveria ser o coroamento do Brasil Grande, um momento de apoteose, onde todos os estrangeiros ficariam surpresos com um país moderno, com aeroportos todos reformados, com avenidas largas, com metrôs de superfície, com estádios de primeira etc. Ficou quase tudo só na promessa. A falta de gerenciamento e de seriedade fez com que quase todas as promessas de infraestrutura ficassem no papel ou inacabadas, sem prazo para terminar. Para poder terminar os estádios, um grande esforço foi feito, com muita corrupção e com os orçamentos iniciais sendo inflados de maneira sem fim, a legislação trabalhista sendo jogada no lixo, com operários morrendo por falta de condições de segurança, tudo num esforço gigantesco para, pelo menos, poder entregar os estádios a tempo de se poder jogar a Copa. Todo o entorno dos estádios ficou para depois.

As pesquisas eleitorais têm mostrado uma queda contínua da popularidade de Dilma, hoje em torno de 33%, enquanto aumentam a popularidade de Aécio Neves e Eduardo Campos. Com isso, existe uma grande ala dentro do PT e de partidos aliados, que tem insistido no “Volta LULA”.  Porém, a popularidade de Lula também não anda tão alta, como antigamente, e ele corre o risco de, se providenciada a mudança na cabeça de chapa, ele e o PT se queimarem para sempre no jogo eleitoral e não conseguirem vencer estas eleições de outubro de 2014. Por isso, Lula tem resistido em aceitar a disputa eleitoral nesta eleição. Se ganha um governo do PSDB ou PSB, qualquer que seja o vencedor, teremos tempos difíceis no pais para colocar a casa em ordem, visto que as instituições que compõem o Estado estão todas anarquizadas, com a presença maciça de militantes petistas em vários níveis de direção dos ministérios e das empresas estatais. Em caso de fracasso do governo Aécio Neves ou  Eduardo Campos, em 2018, Lula teria as portas abertas para voltar, como salvador da Pátria, para reconduzir o pais por mais oito anos.

Porém, mesmo diante de todas estas constatações,  o comportamento do público, na cerimônia de abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão, em São Paulo, foi lamentável. Num primeiro momento, ao saber pela imprensa dos xingamentos e ofensas proferidas contra nossa presidente, pensei: Bem, ela fez por merecer. Mas amadurecendo um pouco melhor a ideia, a gente se dá conta de que a conduta dos torcedores excedeu os níveis de civilidade e de respeito que nós temos que ter com os entes públicos, por mais que não gostemos deles. Ao mandar “tomar no c.” a nossa presidente, numa cerimônia transmitida para o mundo todo, com a presença de presidentes de outros países, da ONU e da FIFA, e principalmente de sua filha, nós brasileiros, mostramos o quanto somos um país incivilizado, que não sabe se comportar adequadamente em público. Nós temos os nossos canais para manifestarmos nossas insatisfações, que são as urnas. Vamos reprovar Dilma Roussef, mandando-a para casa, votando nos candidatos adversários dela. Mas sem perder a compostura e a nossa linha.

Dizem que a democracia não é o melhor sistema político, mas é o que, no momento temos de menos imperfeito, o que é possível para obtermos os melhores resultados para todos. Vamos democraticamente, promover a alternância de poderes, para que o país possa experimentar outro tipo de governo, outra forma de lidar com a coisa pública, de administrar com responsabilidade o bem comum, que não é meu, mas pertence a toda uma coletividade. E vamos parar de acreditar em salvadores da Pátria, em intervenção do Exército e outras formas não democráticas, golpistas,  pois nós já experimentamos no passado e vimos que não dá certo, no médio e longo prazo. E que o poder que nós concedemos para nos governar, acaba se voltando contra nós mesmos. Chega de milagres. Vamos dar um passo de cada vez.

publicado por drtakeshimatsubara às 14:54 | comentar | favorito