O LEGADO DO PT

O LEGADO DO PT Parece que finalmente estamos assistindo aos estertores de uma era, que de acordo com as lideranças petistas, era para durar pelo menos vinte anos. Aos 13 anos dessa era, estamos assistindo pela tevê a um final melancólico, com grande parte de suas lideranças presas ou enroladas em diversos processos, principalmente na Lava Jato. Assistimos ao linchamento moral de uma presidente da República, num processo de impeachment que é baseado em argumentos extremamente frágeis, de pedaladas fiscais e empréstimos para bancos públicos, quando na verdade, deveria ter sido usado todas as provas abundantes de incompetência administrativa, de obstrução à justiça e outros, cometidos aos montes por Dilma Roussef e pelo seu antecessor Lula, para dar consistência a esse julgamento. Mas enfim, o Senado Federal cassa o mandato da presidente, dando fim a uma era que nós deveremos sempre lembrar, para não repetir o erro no futuro. O grande erro dos dirigentes e militantes do Partido dos Trabalhadores foi confundir o governo e suas instituições como propriedade privada, propriedade do partido. Que as empresas estatais, as instituições de justiça, os bancos públicos, todos devem servir aos propósitos do governo central petista. As instituições políticas deveriam ser obedientes aos comandos do governo. Se não, deviam ser comprados para que votassem de acordo com os interesses do partido. Em nome desse projeto, as comissões e propinas em todos os processos envolvidos deviam ser desviados para os cofres do partido, para comprar votos da população ou dos deputados e senadores, para poder manter esse processo de perpetuação. Desta forma, existem dois tipos de políticos corruptos, pela ótica petista: 1) Aqueles que roubam para o partido, são os heróis nacionais, aqueles que não usaram o dinheiro para enriquecimento próprio.2) E aqueles que usaram o dinheiro para si, estes não merecem a consideração e o respeito dos militantes. Mas Lula está num patamar acima de tudo isso, acima do bem e do mal, um senhor do Olimpo, um deus grego que deve ser venerado e ter seus pecados perdoados. Para Lula é permitido qualquer deslize, pois como senhor absoluto e grande líder, essas atitudes não são erradas. “Lula não rouba, ele capta dinheiro para a tesouraria do partido. Que mal existe num ex-presidente desfrutar de um final de semana num sítio em Atibaia? Ou descer como todo paulistano no verão para seu apartamentinho no Guarujá? Isso tudo é preconceito da direita, que não permite que uma pessoa do povo possa desfrutar as benesses do sistema capitalista. “ O mundo é cíclico. Após uma crise fiscal e monetária, em 1999, o governo FHC arrumou a casa, liberou o câmbio, estabeleceu projetos que mudaram a visão do governo, principalmente a Lei de responsabilidade fiscal, que estabeleceu punição para o governante que agisse sem responsabilidade econômica e fiscal. Mas o país estava cansado do governo do PSDB e quis experimentar um governo petista. Associado a uma fase de crescimento global, puxada por uma China com fome de matéria prima, que nós tínhamos em abundância. Minério de ferro, milho, soja, carnes e frangos foram vendidos em profusão para alimentar uma economia que crescia a uma média de 12 % ao ano. Foi nesta fase de bonança, que Lula navegou por longos 6 anos, sem nenhum projeto de governo para aproveitar os dólares que entravam aos borbotões para fazer reformas estruturais e estruturantes no país. Quando o mundo entrou em crise em 2008, Lula fez pouco caso dela, dizendo que seria apenas uma marolinha que não afetaria o país. Veio o término do segundo mandato e com todas as possíveis lideranças do PT presos ou queimados, não restou alternativa que não a de colocar um poste para dirigir o país. A gerentona Dilma Roussef, a ministra da Casa Civil, que havia sido a gerentona do PAC, o programa de Aceleração do crescimento, que nunca saiu do papel, foi vendida para o país como a solução para a continuidade dos projetos do PT. O militante de esquerda brasileiro vislumbrou a possibilidade de união das esquerdas da América Latina, quando foi criado o Fórum de São Paulo em 1990, no Memorial da América Latina. Capitaneados por Lula e Fidel Castro, foi criado uma estrutura arrecadadora, onde os países se ajudavam, para lançar lideranças no processo eleitoral de esquerda, para implantar um socialismo bolivariano, idealizado por Hugo Chaves. Inicialmente, com os petrodólares do petróleo venezuelano, financiou-se e criou-se uma rede de autoproteção, onde um líder auxiliava o outro em dificuldade. Houve uma época em que se sonhou com a possibilidade de se implantar pelas vias democráticas, participando do processo eleitoral, um sistema de governo socialista, que permitiria a arrecadação de dinheiro, através de comissões de empresas estatais e bancos públicos, que permitiria a perpetuação no poder desses grupos de esquerda, que implantariam aos poucos um sistema de governo totalitário, com controle da imprensa, com controle dos poderes políticos e judiciais, com nomeações de juízes para a Suprema Corte e os Tribunais Superiores, que estivessem alinhados com os ditames do poder constituído. Esse sistema seria isento de falhas, pois todo o sistema estaria nas mãos dos socialistas. Através de nomeações de militantes para os cargos comissionados, o partido teria o controle da burocracia de Estado, criando leis e regulamentações que seriam facilmente aprovados por deputados e senadores que haviam sido comprados, através da indicação de funcionários nas empresas estatais ou mesmo de mensalões. Todo esse sistema, onde todos os poderosos se banqueteavam e se locupletavam do dinheiro publico, acabou por destruir a máquina estatal e posteriormente, todo o sistema econômico e empresarial, pois só podiam participar da festa empresários alinhados ou que aceitassem o jogo de suborno, provocando uma quebradeira nas empresas e no sistema econômico como um todo. O desvario petista quis imitar o sistema chinês e sul-coreano, de se criar grandes conglomerados industriais e empresariais, com o apoio do governo. Injetou-se dinheiro aos borbotões do BNDES e dos bancos públicos nos projetos megalomaníacos de Eike Batista e suas empresas X. Gastaram-se fortunas para criar a Oi e sua rede de telefonia nacional. Outro tanto foi desperdiçado na Friboi. Além disso, a relação incestuosa com as empreiteiras, como Odebrecht, Andrade Gutierres, OAS e outras tantas permitiu o crescimento exponencial dessas empresas. Todas elas foram comprovadas como corruptoras e pagadoras de propinas para poder participar da divisão do bolo nas grandes obras e nas compras das empresas estatais. A grande questão que se coloca para o país hoje, é se poderemos realmente dar um fim em todo esse sistema de corrupção que grassou por todo o país, entregando o poder para os grupos que também participaram desse banquete, que sãos os líderes do PMDB, do PSDB, do DEM, do PSB e tantas outras agremiações que de um jeito ou outro, estiveram participando dos governos petistas e desembarcaram, quando viram que governo de Dilma estava indo a pique. Hoje, percebemos que o Brasil está se acomodando com o grupo remanescente, com Michel Temer à frente, colocando no ministério nomes de certo peso, como Henrique Meireles, José Serra, Eliseu Padilha, Ilan Goldfajn e outros, que tentam dar um novo rumo para a economia, tentando conter o endividamento público e os gastos públicos. Porém, os sinais que vêm de Brasília são extremamente confusos e contraditórios, pois ao mesmo tempo em que tenta pregar uma politica de austeridade, concede aumentos para o funcionalismo público, que explodem o déficit público. Tenta negociar projetos para diminuir o déficit da previdência, mas ao primeiro sinal de resistência dos sindicatos e organizações populares, mudanças vitais são adiados ou mudados, tornando inócuas as tais mudanças. Apesar de ser uma idéia que enfrenta pouco apelo popular, a única maneira de se começar tudo de novo seria através da convocação de novas eleições gerais, em todos os níveis de poder. Precisamos eleger políticos que estejam verdadeiramente interessados no bem comum, ao invés de se venderem para empreiteiras e grandes corporações, pois finda as eleições, a fatura é cobrada com juros, em forma de participação nos grandes projetos, perpetuando esse sistema corrupto nefasto, que tanto mal fez ao país nos últimos anos. Precisamos de novos prefeitos, novos vereadores, novos legisladores em todos os níveis. Precisamos rever o sistema de nomeação de juízes para as cortes de segunda e terceira instancias, pois o atual, com nomeação pelo presidente da República, mostrou que juízes sem nenhuma qualificação pudessem ocupar a mais alta corte do país, apenas pela proximidade política e obediência aos ditames do poder constituído. E, principalmente, precisamos dar um fim no sistema de urnas eletrônicas, pois as mesmas não são confiáveis, permitindo que fraudes sejam cometidas e governantes minoritários sejam eleitos, como o foi na última eleição presidencial. Quem sabe, tenhamos agora a chance de reescrever a nossa história e deixarmos para trás a vergonha de sermos considerados pela imprensa mundial um lugar onde pessoas despreparadas podem ocupar o mais importante cargo da nação, onde a corrupção seja institucionalizada e a impunidade grassa em todos os níveis, além de sermos tidos como um país extremamente violento e perigoso. Vamos aguardar o próximo capitulo...

publicado por drtakeshimatsubara às 02:06 | comentar | favorito