O MURO DA VERGONHA

O MURO DA VERGONHA

 

Quando em 1989 vimos a queda do muro de Berlim, acreditamos que o mundo havia dado um salto sem volta, onde nunca mais teríamos que construir muros para separar irmãos, por causa de ideologia política.

Hoje, vejo entristecido, que neste canto do planeta, neste país que tinha conseguido destituir um presidente da República impopular, em 1992, indo para as ruas e pintando suas caras, de repente, alguns grupos políticos e órgãos de informação, conseguiram produzir dois Brasis, um vermelho, outro amarelo, onde foi fomentando o ódio, a irracionalidade, a intransigência, culminando com a necessidade de separá-los, através de um muro, para que não se engalfinhassem, não partissem para as brigas e quem sabe até, o extermínio mútuo.

Terminado o processo de impeachment da Câmara dos Deputados, com 367 deputados votando a favor do impeachment e 137 contrários, é chegado o momento de se fazer algumas reflexões.

Para a presidente Dilma e para o PT, juntamente com o ex-presidente Lula, é preciso entender uma questão básica. Não se governa um país, com o apoio de 137 deputados. Sei que os argumentos podem até serem válidos, pois talvez as bases legais que sustentaram a tese de impeachment sejam bastante fracos, mas o que esteve em julgamento, não foram as pedaladas fiscais, mas sim a constatação de que Lula errou, ao indicar uma pessoa totalmente despreparada para o exercício da mais importante função política em nosso país, de governar uma nação. Aqui não está em jogo uma tese machista, porque ela é mulher, ou qualquer preconceito por ela ser petista. Simplesmente, o que ela demonstrou em todos os momentos, é que ela estava despreparada para tal exercício. Demonstrou que suas ideias de governo, seu modo simplista de achar que com uma canetada poderia diminuir a conta de luz, os juros do país ou fomentar o crescimento econômico, foram todos desastrosos para a economia. Além disso, cercou-se de pessoas totalmente incompetentes para comporem sua equipe de trabalho, nos mais de 39 ministérios, o que agravou ainda mais o processo. E finalmente, a sua personalidade irascível, a sua falta de trato com as pessoas, a maneira desequilibrada com que tratou e trata seus subalternos, demonstra a sua total falta de liderança. Portanto, o impeachment é apenas uma carta de demissão do povo brasileiro para a presidente mais despreparada, impopular e incompetente que já ocupou a cadeira de presidente, no Palácio do Planalto em Brasília.

Porém, se a tese de impeachment avançar e Michel Temer insistir em ocupar o cargo, até 2018, restará contra ele uma rejeição popular de mais de 60% da população brasileira ao seu nome. Além disso, ele estará impedido de sair de Brasília, principalmente para outros países, pois ninguém, em sã consciência, aceitará que se ocupe a cadeira de presidente da República, como vice-presidente, um Eduardo Cunha, réu em vários processos da Operação Lava Jato, com diversas provas de que o mesmo têm diversas contas secretas no exterior, com diversos denunciantes citando seu nome por envolvimento em diversos processos de suborno junto à empreiteiras e bancos corruptos e que se sustenta no cargo de Presidente da Câmara através de chicanas e de abuso do seu poder, impedindo que seu nome seja levado à Comissão de Ética e tenha seu mandato cassado, como de fato ele merece. Muito menos que Renan Calheiros, mais sujo que pau de galinheiro, com outra montanha de citações na Operação Lava Jato e também em vias de ser processado pelo Supremo Tribunal por diversas irregularidades, venha a ocupar o posto presidencial.

A simples recondução da chapa que ficou em segundo lugar, de Aécio Neves, do PSDB, tampouco será uma solução aceitável, pois pesam contra ele diversas citações e denúncias de recebimento de propinas na operação que lavou o país.

Além disso, é difícil aceitar que tenhamos centenas de políticos envolvidos em diversas irregularidades, com citações de recebimento de propinas, esquemas de lavagem de dinheiro, ou que tenham sido eleitos com dinheiro de corrupção em empresas estatais e obras públicas. Principalmente que esses mesmos políticos tenham a caradura de ocupar os microfones e anunciar com a maior candura do mundo, que votam pelo impeachment de Dilma, para varrer a corrupção, ou então, em defesa do mandato da presidente, como vimos ontem pela televisão.

Se essas questões não forem resolvidas, a seguir adiante este processo de impeachment e darmos posse a Michel Temer e mantivermos os políticos citados, teremos aí sim, todos os ingredientes para uma explosão de revolta popular, principalmente do lado derrotado, que poderá fazer com que o muro seja apenas o início da divisão do pais em dois lados inconciliáveis, com ódios crescentes e que poderão culminar sim numa guerra civil.

Portanto, eu vejo como a única solução, capaz de solucionar esse impasse, que se façam eleições gerais. Precisamos de um presidente novo, com apoio popular, e coragem para que possa implantar mudanças duríssimas, que mexerão em bolsos e interesses arraigados há séculos neste país. Precisamos eleger uma Assembleia Constituinte, para se elaborar uma nova Constituição, pois a cada dia fica evidente que a Constituição de 1988 criou um monstro, que onera dia a dia o contribuinte, levando a uma carga tributária crescente e sem fim, tamanha a quantidade de leis e benefícios criados, mas tendo se esquecido de um pequeno detalhe: Não existe almoço grátis. Uma constituição paternalista, após 21 anos de ditadura, cheio de direitos para todo mundo, mas sem uma preocupação maior com os custos desses direitos. Não se pode criar um sistema único de saúde, universalizando o acesso da população, sem que se tenha uma fonte financiadora, uma fonte pagadora. É inaceitável que os impostos sejam gerados num lugar, sejam mandados para Brasília e de lá seja redistribuídos para os locais que o originaram, gerando uma cadeia de lobistas, de políticos corruptos que se acostumaram a receber o seu “retorno”, a sua comissão pela liberação da verba, com a maior naturalidade do mundo, como se fosse uma taxa de corretagem, esquecendo-se que isso é corrupção. Precisamos repensar todo o sistema político, pois é inaceitável que tenhamos quarenta partidos, mantidos pelo fundo partidário, com horário gratuito no rádio e na televisão, a grande maioria deles sendo apenas legendas de aluguel, que participam de coligações espúrias, corruptas e sem nenhuma representatividade, sem ideologia, sem sequer ter um programa político. Precisamos repensar todo o sistema de leis trabalhistas, um código de leis elaborado por Getúlio Vargas, na década de 30 e 40 do século passado e que pouco ou quase nada foimodernizado ao longo do tempo, gerando uma série de benefícios ilusórios, que oneram o empregador, tornando a empregabilidade uma política de alto custo para as empresas. Precisamos rever o nosso sistema previdenciário, pois não é justo que um trabalhador da iniciativa privada tenha direitos diferentes de um servidor público, quando da aposentadoria. (E eu sou um funcionário federal, médico perito do INSS). Precisamos rever todas as nossas leis civis e criminais, todo este sistema jurídico, que favorece quem tem dinheiro para pagar um bom advogado, recorrendo em várias instâncias, enquanto um ladrão de galinhas fica preso por décadas, num sistema injusto.

Enfim, precisamos repensar o país e passa-lo a limpo, convocar eleições gerais para todos os cargos eletivos, de presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores, em um sistema eleitoral onde se fiscalize a origem do dinheiro usado no financiamento das campanhas, evitando o dinheiro sujo de empreiteiras e empresas que futuramente farão negócios com o governo, pois essa conta sempre será cobrada com juros salgados.

Acredito que tudo o que temos passado nos últimos tempos seja maravilhoso para todos nós, e principalmente para o nosso país, pois estamos desnudando as entranhas do jogo do poder, a sujeira que sempre existiu, talvez em menor escala, mas que foi levado ao extremo, pelos governos petistas e que se tornaram ostensivos demais, impossíveis de serem escondidos, tamanha a proporção que tomou. Isso tudo é ótimo, pois toda crise gera mudanças e este processo traumático pelo qual estamos passando, precisa dar origem a um novo país, onde a percepção de todos os políticos seja reconduzido para a verdade dos fatos, de que eles são servidores públicos, temporários, que ocupam um cargo com a única finalidade de servir à população que os elegeram e que seu único beneficio, ao final do seu mandato, seja o do reconhecimento de quão importante eles foram para o melhoramento daquela comunidade que era a sua base eleitoral. Sonho? Talvez. Mas precisamos mudar o país e precisamos dar passos gigantescos, para recuperar o atraso gerado pela administração desastrosa de Dilma e do PT.

Esperemos por um amanhã...

publicado por drtakeshimatsubara às 15:51 | comentar | favorito