O OCASO DE UMA SIGLA

 

O OCASO DE UMA SIGLA.

A passagem do PT pelo poder, no Brasil, está terminando, (se Deus quiser) de forma melancólica. O partido que se arvorava de defensor da moral e dos bons costumes, que sempre saia para a rua, contra os desmandos, que foi um dos líderes do movimento pelas Diretas Já em 1984 e depois pelo impeachment do presidente Fernando Collor, com o movimento dos “caras pintadas” que culminou com o presidente saindo pela porta dos fundos do Palácio do Planalto, em 1992, teve sempre a marca registrada da militância petista, aguerrida, idealista, sonhadora.

O PT, que surgiu da junção dos metalúrgicos, com os intelectuais das universidades paulistas e os movimentos eclesiais de base, da igreja católica, formou um partido que, durante muito tempo, fazia campanhas políticas com dinheiro arrecadado em promoções, em galinhadas, pucheiros, churrascos e bingos. Os comícios, onde meia dúzia de barbudos, vestindo camisetas vermelhas com a estrela do PT, fazia um barulho infernal, com carros de som emprestado por sindicatos, ou de amigos e simpatizantes. Naquela época, seu já grande líder, Lula, aparecia com seu boné e as camisetas, pois era proibido se falar em ternos, em gravatas.

A militância, formada pela junção de diversas correntes, alguns trotskistas-leninistas, outros estalinistas, bolchevistas, socialistas e alguns poucos moderados, numa miríade de movimentos de esquerda, que vinham se abrigar no guarda chuva do partido, liberado pelos militares, nos estertores da ditadura militar. Demorou, mas aos poucos, foi conquistando algumas prefeituras, principalmente na região da Grande São Paulo, berço do partido. Mais um pouco, conquistaram prefeituras de grandes capitais e finalmente, Estados, como o Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e o Acre. Por fim, em 2002, após inúmeras tentativas, eis que surge Lula, o candidato da esperança, negando o seu viés comunista e socialista e prometendo um governo que seguiria as regras do mercado de capitais, mantendo a dinâmica da economia e suas matrizes, alcançadas pelo governo que lhe antecedera. Em sua “ Carta ao Povo Brasileiro”, o candidato Lula prometia que não mudaria as regras da macroeconomia, mantendo o cambio livre, o controle dos gastos públicos e as metas inflacionárias dentro de margens estritas. Em virtude do desgaste sofrido pelo governo de FHC, que havia passado por um momento grave, que culminou com o “apagão”, com a insuficiência de geração de energia elétrica, por falta de planejamento e por falta de chuvas que tornaram as represas vazias, o povo decidiu finalmente dar um voto de confiança em Lula e no PT.

E assim, começou um ciclo, que apesar de altos e baixos, navegou por um longo ciclo de bonança da economia internacional, com o surgimento da potência mundial chamada China, que consumia as nossas commodities com voracidade, elevando os preços dos nossos produtos de exportação, como carne, soja, minério de ferro e outros. Aliado a isso, o ciclo de crescimento mundial e a poupança dos países ricos tinham grande voracidade para investir em países emergentes, como o nosso, causando recordes sucessivos de alta em nossa bolsa de valores. Por último, a descoberta de reservas quase incalculáveis de petróleo, no pré-sal, fazia com que todos os brasileiros tivessem a sensação de que, finalmente, estávamos fadados a cumprir uma profecia de nos tornarmos uma grande potencia mundial e ocuparmos um lugar de destaque no cenário mundial. Em nosso front interno, o viés socialista de Lula, ampliava os mecanismos de distribuição de renda, unificando e aumentando os diversos programas sociais, criando o Bolsa Familia e outros programas similares. Todo esse cenário positivo, fez com que os brasileiros mudassem de classe social, ampliando o universo da classe média, e criando um mercado ávido por consumir produtos e serviços.

Quando começaram as denúncias de corrupção, com a CPI dos Correios, que culminou com o mensalão, as pessoas não tinham uma dimensão desse problema, que parecia circunscrito a alguns políticos ligados ao PT, mas não ao seu líder.

Quando terminava o seu mandato de oito anos, Lula não tinha candidatos à altura para sucedê-lo. Antonio Palocci, José Dirceu, José Genoino e tantos outros foram ficando pelo caminho, bombardeados por denúncias de corrupção e/ou envolvimento com o mensalão. Restou para Lula apostar num poste, chamado Dilma Roussef, com fama de gerente durona, que mandava calar os seus subordinados, mas tinha uma obediência canina ao grande líder. E assim, após campanhas maciças de marketing político, eis que surge a “Mãe do PAC”, o Programa de Aceleração do Crescimento, que mudaria para sempre o Brasil, com grandes obras e projetos de Norte a Sul, que nos colocaria, a jato, no primeiro mundo. E assim temos a primeira mulher a comandar o nosso país, uma ex-guerrilheira que havia sido torturada pela repressão militar, que nunca havia governado absolutamente nada, galgando rapidamente cargos na burocracia estatal, desde uma gerente do Estado do Rio Grande do Sul, promovida para Ministra da Energia, depois ministra da Casa Civil e finalmente, Presidente da República. Ou Presidenta como gosta de falar os petistas.

Dilma assume a presidência, mas não mandava absolutamente nada, com todo o ministério praticamente intacto, herdado de seu antecessor e padrinho político. Aos poucos, as denuncias de corrupção foram pipocando, derrubando um a um os seus ministros, e ela, num jogo de cena incrível, substituía imediatamente o ministro corrupto, colocando outro, do mesmo partido, do mesmo jogo que se vislumbrava, com os partidos aliados indicando ministros e diretores de empresas estatais.

Já perto do final do seu mandato, uma avalanche de denúncias, envolvendo a Petrobrás, tomou de roldão o cenário político e as notícias diárias, através da investigação da Operação Lava-Jato da Polícia Federal. Associado a isso, denúncias de compra super (hiper) faturado de uma refinaria nos EUA, a de Pasadena, na época em que Dilma era a presidente do Conselho de Administração da estatal do petróleo.

Começam as eleições e Dilma, baseado nas técnicas de marketing, vende a imagem de uma pessoa que iria manter todos os privilégios que levaram a classe média ao paraíso. Vence Aécio Neves por margem estreita e toma posse para um segundo mandato.

Estamos hoje com dois meses completos do segundo governo de Dilma, e o que vemos hoje é uma presidente que despencou nos índices de popularidade, mostrando que suas ações, fazendo tudo aquilo que havia atribuído como ações do seu adversário político, era uma grande mentira e portanto, a população que votou nela se sente enganado, ludibriado e traído.

A eleição de Eduardo Cunha como presidente da Câmara dos Deputados, um desafeto antigo de Dilma, foi um dos fatos históricos relevantes neste momento político. Ao tomar decisões que contrariam os interesses do Palácio do Planalto, o poder legislativo finalmente tem tido algum poder de fiscalizar e oferecer um contraponto à conduta ditatorial da presidente.

A grande verdade é que Dilma brincou de ser presidente durante 4 anos. Bolou ideias mirabolantes, de controlar a inflação segurando o preço dos combustíveis, de baixar o preço da conta de luz por decreto, de continuar incentivos fiscais para determinados setores da economia, com favorecimentos de alguns empresários e grupos, com o dinheiro barato do BNDES. Esta gastança desenfreada causou um total desequilíbrio nas contas públicas. Estamos agora, começando a pagar a conta dessas “cacas” econômicas feitas por Dilma, no seu primeiro mandato. E ela está hoje completamente isolada, sem o apoio do PT, pois sempre foi vista com desconfiança por este partido, já que durante mais de 20 anos fora militante do PDT, sem um apoio parlamentar digno de nota, mesmo tendo leiloado 39 ministérios entre os ditos “partidos aliados”; sem apoio popular, com sua popularidade cada dia em queda, sem saber lidar com as dificuldades e sem apoiar com firmeza a sua única tábua de salvação que tem hoje, que é o seu ministro da Fazenda Levy, o único dentre os 39 que pode ser chamado de ministro, que precisa conduzir um processo de endurecimento e tomar medidas impopulares, para tentar resgatar a credibilidade econômica perdida ao longo do tempo. Com a inflação em disparada, com a economia em franca recessão, com o desemprego disparando, com o dólar em disparada, o cenário político e econômico para Dilma tem sido o pior possível.

Com o país parado politicamente, com as principais figuras da política emparedadas pela Operação Lava Jato, com as denúncias de corrupção pipocando todos os dias, com o povo saindo para a rua, restam poucas alternativas para Dilma. Neste momento, de “salve-se quem puder”, o criador de Dilma, Lula, parte para o tudo ou nada, convocando as milícias guerrilheiras do MST para o combate.

A figura de Lula, que já foi considerado um dia um grande estadista, mostra hoje a sua verdadeira face, de verdadeiro responsável por toda a roubalheira que se instalou nas empresas estatais pelo país, com os esquemas de corrupção institucionalizada que dilapidou o patrimônio público, permitindo o enriquecimento dele e de sua família. As suas últimas atitudes, de jogar a população uns contra os outros, dividindo o país em nós e eles, em nordestinos contra sulistas, em ricos contra pobres, em esquerda contra direita. Esse divisionismo, que só interessa a Lula e ao seu projeto de se perpetuar no poder, está se tornando um jogo extremamente perigoso. Ao incitar os seus aliados, infiltrados nos movimentos populares como o MST e os sem teto, para sair às ruas e combater a população, está criando um caldo de cultura, que pode culminar com uma guerra civil.

O maior perigo que ronda o país hoje, num momento histórico sem precedentes, com uma presidente despreparada, fraca, isolada e enclausurada no palácio, com medo de sair às ruas e ser vaiada e achincalhada, cercada de lobos por todos os lados, sem poder confiar em ninguém, com uma equipe de governo totalmente despreparada, com os políticos emparedados pela denúncia do escândalo da Petrobrás, com a população revoltada pelo engodo da campanha política e com os movimentos de esquerda armado até os dentes, com equipes dos movimentos populares treinados com táticas de guerrilha, com os militares em alerta máximo nos quartéis, tudo isso está cheirando a sangue!

A única alternativa viável neste momento, para desarmar todas essas armadilhas, seria a renúncia de Dilma Roussef. Seria a única forma de, por vias democráticas, permitir que os políticos fossem julgados, que a população se unisse para criar um governo de coalizão e buscar alternativas e saídas para as inúmeras crises que se instauraram no país.

Rezemos para que a presidente tenha um gesto de grandeza (talvez o único momento de lucidez em sua vida) que salve a nação brasileira. Tudo que nos resta neste momento é pedir a Deus que inspire essa mulher a ter o seu momento de realeza. Oremos...

publicado por drtakeshimatsubara às 14:01 | comentar | favorito