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Abr 20
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A POLÍTICA NO BRASIL

 

A POLITICA NO BRASIL

Nestes quase 58 anos de vida, pode-se dizer, que eu pude ver muita coisa acontecer neste meu Brasil amado.

Nasci em 18 de agosto de 1962 e menos de 2 anos depois, foi implantado o governo militar no Brasil. O meu testemunho pessoal, foi que nasci no Paraná, fronteira com o Estado de São Paulo, vizinho da região do Vale do Ribeira e quando pequeno, nos idos de 1969, pude assistir a barreiras do Exercito Brasileiro, caçando o bando de Lamarca, que implantou a guerrilha naquela região pobre do Estado de São Paulo, quase toda tomada pela mata atlântica, com cidades pequenas ao redor. Estudei medicina em Santo André, SP, no chamado ABC Paulista, de 1980 a 1985, nos estertores do governo militar, e pude assistir ao surgimento do Partido dos Trabalhadores, o qual, como estudante de medicina pobre, que andava de ônibus e trem, via com simpatia, como uma proposta nova, de se fazer politica, de maneira democrática e socialmente mais justa. Era um simpatizante, pois meus melhores amigos da faculdade eram pobres como eu e membros do Diretório Acadêmico, que já era, desde aquela época, dominado pelas esquerdas.

Formado médico, vim para Dourados e sempre busquei a humanização da medicina. Sempre acreditei que a minha profissão não era um trampolim para enriquecer, e sempre vi a medicina como forma de poder ajudar pessoas, de poder fazer o bem.

Ocupei diversos cargos na Associação médica da Grande Dourados, como secretário e finalmente presidente, de 1999 a 2001, onde nós, membros da diretoria, pudemos participar ativamente da implantação da Faculdade de Medicina da UFMS, hoje UFGD.

Fui secretário de saúde 2002 a 2003, e fiz vários amigos dentre os militantes do Partido dos Trabalhadores de Dourados. Vocês nunca irão me ver, falando mal do meu prefeito, Laerte Tetila, figura a quem eu sempre respeitei e respeito até os dias de hoje. Vejo ele ser perseguido pelos tribunais de contas, respondendo a vários processos daquela época em que fora prefeito. Nunca, assisti ou vi qualquer ato de corrupção cometido por ele que o desabonasse. Se erros houveram, foram por falhas de todas as equipes, desde secretários a superintendentes, mas não acredito que foram para enriquecimento ilícito do prefeito.

Apesar de hoje ser de direita, de ter votado e pedido voto para Jair Bolsonaro, mantenho as amizades daquele tempo, de maneira respeitosa. Mesmo vendo postagens que eles fazem, falando mal do presidente, eu respeito e sempre respeitei esse posicionamento, sem jamais retrucar ou brigar por causa desses posicionamentos.

Acredito que mesmo na politica, existem aqueles que têm ética e outros que não têm. Vi amigos meus seguirem a carreira política, muitos deles médicos e esses, em sua grande maioria, tiveram grandes prejuízos pessoais, após deixarem a carreira politica,  com perda da clientela, tendo que fechar seus consultórios, trabalhar como plantonistas em hospitais, mesmo com a cabeça branca. A grande maioria deles, são pessoas honradas, que sempre lutaram pela sociedade e pela comunidade. Enquanto alguns poucos, enriqueceram e acumularam fortuna, comprando apartamentos, fazendas, etc. Estes, felizmente, são a minoria.

Acredito que a politica esta passando por momentos ruins, está passando por um processo de renovação e de mudança.

Porque estou escrevendo isso tudo? Há alguns anos, estamos assistindo a um movimento maniqueísta, de mortadela contra coxinha, de petista contra bolsonarista, de eles contra nós. Vejo famílias em que irmãos brigaram durante as ultimas eleições, e não se falam!!!! Brigar por causa de politica é de uma burrice sem tamanho!!! Precisamos aprender a respeitar a posição politica e ideológica das pessoas. Vivemos numa democracia, e precisamos respeitar a posição das pessoas, principalmente quando elas pensam diferente de nós.

Precisamos parar de pensar de acordo com as opiniões dos outros.  O PT roubou? Sim, roubou e muito. Mas, vamos olhar para Dourados. Hoje, nós temos a UFGD, que foi implantando no governo do PT. Quem não conhece, deveria fazer uma visita na estrutura que está nossa cidade universitária, com uma infinidade de blocos, de ginásios, bibliotecas, piscinas, laboratórios! Durante muitos anos, fiz parte da Comissão pela implantação da Cidade Universitária de Dourados, capitaneado pelo Professor Biazotto, que tem uma particularidade, temos duas Universidades, uma Federal, já citada e temos a UEMS, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, cuja reitoria fica naquele campus.  O HU está aberto, funcionando e atendendo a população, permitindo a formação de acadêmicos de medicina, enfermagem, fisioterapia, etc, graças ao esforço de um governo petista. A Educação municipal está com saudades do governo doPT, onde ocorriam simpósios, congressos,  eventos , com palestrantes ilustres, renomados . Outro dia, vi uma foto do meu amigo Paulo Takarada, das ruas de Dourados, na época do governo Tetila, com o carro de boi na rotatória, ruas floridas, enfeitadas. É preciso ser justo e ético, mesmo hoje estando em posição ideológica contrária e dizer que o PT fez muita coisa por Dourados, pelo Estado e pelo país. Quando me desfiliei do PT, em 2003, estava no início do governo Lula e percebia alguns movimentos não muito republicanos de alguns assessores em Brasilia.

Ao mesmo tempo, precisamos parar de idolatrar figuras públicas. Jair Bolsonaro é um político, uma figura pública, que acerta e que erra. Falar dos erros do mesmo, não me transforma em esquerdista, em petista! Criticar alguns posicionamentos do presidente, discordar de suas falas, do seu discurso, não me torna um anti-bolsonarista! Nós vivemos numa democracia, e nos é dado o direito de ter um posicionamento, uma opinião política.

Estamos no meio de uma tempestade, de uma epidemia de Covid 19, que está servindo de pano de fundo para posicionamentos políticos, contra e a favor do governo. Espero, sinceramente, que o presidente esteja certo em seu posicionamento, contrário ao isolamento da população. Eu acredito que a troca do ministro da Saúde não se deu no momento correto, mas espero, em Deus, que o novo ministro possa fazer a sua parte e corrigir eventuais erros cometidos pela equipe anterior.

Meu partido é o Brasil. Amo este país e espero, do fundo do coração, que os seus dirigentes parem de fazer politicagem e façam a sua parte, conduzindo o país num porto seguro. Não gosto de Rodrigo Maia, não me parece um politico sério, assim como não gosto de Alcolumbre, Dias Toffoli, Gilmar Mendes. Vejo que João Dória se comporta de maneira antiética, bem como Jorge Witzel. Em minha opinião, são políticos de um mandato só, que serão esquecidos pela história, por causa de sua irrelevância. Quero crer que temos mecanismos democráticos pra manda-los para casa por incompetência. Mas, não venha me propor golpes, pois não acredito em sua eficácia.

Espero que alcancemos um grau de maturidade, onde possamos conviver com nossas diferenças de opinião e de não querermos destruirmo-nos, mutuamente, por questões politicas.

É o mínimo que se espera, de pessoas civilizadas.

publicado por drtakeshimatsubara às 01:28 | comentar | favorito
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Abr 20
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Abr 20

JANIO QUADROS E JAIR BOLSONARO: A HISTÓRIA SE REPETE?

 

JANIO QUADROS E JAIR BOLSONARO: A HISTÓRIA SE REPETE???

Em 1960, o Brasil estava terminando o mandato de Juscelino Kubitschek, um médico mineiro, que havia feito uma carreira politica apoteótica e havia sido eleito presidente da Republica. Sua obsessão era mudar o Brasil, em 5 anos de mandato. Seu lema: 50 anos em 5!

A sua principal obra fora mudar a capital federal para o planalto central, um sonho que vinha sendo acalentado desde a Constituição Federal de 1890 e que finalmente se materializava, a um custo elevado, tanto financeiro como politico. Construir uma cidade inteira, com uma urbanização moderna, com avenidas largas com setores comerciais separados, baseado num projeto urbanístico de Lucio Costa, com seus palácios arquitetados por Oscar Niemeyer, literalmente quebrou o Tesouro Nacional. Nesse periodo, começou a tomar corpo as empreiteiras como Odebrecht, Camargo Correia, Constran e tantas outras, que se especializaram em construir grandes obras no período militar, tornaram-se gigantescas, transnacionais e terminaram melancolicamente envolvidas em escândalos de corrupção nos governos do PT.

Em virtude das despesas gigantescas que foi a construção de Brasilia, bem como de outras obras estruturantes, como diversas BR federais, a hidrelétrica de Furnas e tantas outras obras, o governo JK terminou envolvido em acusações de corrupção e escândalos.

Isso foi combustível para o surgimento de uma candidatura presidencial de um professor de português, Janio Quadros, que havia sido governador de São Paulo e baseado numa campanha bem sucedida, onde empunhava uma vassoura, para varrer a suposta corrupção de JK. Com esse mote, Janio foi eleito presidente da Republica.

Poucos anos após, após brigas intermináveis com as forças politicas da época, Jânio renuncia, em agosto de 1961.

De acordo com historiadores da época e atuais, Janio Quadros esperava que sua renúncia causaria uma comoção nacional, e com isso, seria reconduzido ao seu mandato, ganhando poderes inimagináveis, para fechar o Congresso e o Senado e poder governar  como um ditador.

Mas, o restante da história é bem conhecida e Janio Quadros desembarcou na base aérea de Cumbica, em Guarulhos, então uma base aérea da Força Aérea Brasileira, sem que nenhum cidadão estivesse a esperar por ele e assim, terminou melancolicamente o seu golpe de Estado furado.

Vocês irão me perguntar : Tá, e aí, o que isso tem a ver com o nosso tempo atual?
Vejo o nosso presidente Jair Bolsonaro, que nunca escondeu seu pendão para o poder absoluto, agindo de uma maneira errática, nesta crise atual, que eu começo a ver um perigo de se tentar algo parecido.

A impressão que eu tenho é que o presidente Jair Bolsonaro quer, a todo custo, provocar uma cisão no Brasil. Ele quer mostrar o tempo todo, que a imprensa, que o Congresso Nacional, que o Senado Federal, o Supremo Tribunal Federal e agora também os governadores, não o deixam governar e tomar as suas decisões politicas que o pais precisa. A impressão que fica, é que Bolsonaro quer que ocorra o movimento que culmine com seu impeachment. Nesse momento, segundo sua avaliação, os militares se uniriam em torno dele e o reconduziriam ao poder, com plenos poderes quase ditatoriais, que lhe permitiriam fechar o Congresso, o Senado, destituir os juizes do Supremo e nomear novos membros. Seria algo à moda Hugo Chaves.

Porém, na minha humilde opinião, ele não conta com alguns fatores, cometendo os mesmos erros que Janio Quadros cometeu.

  • Hoje, o apoio popular ao presidente é muito menor do que no período eleitoral. Dados do Idea Big Data mostram que foram de 52% no auge do segundo turno de 2018 e hoje, ele conta com um apoio de 32% da população brasileira. Houve uma queda acentuada desse apoio, após o inicio da crise do Covid 19 pois sua postura, de ir contra as medidas adotadas por todos os lideres mundiais, de convocar o pais a se unir contra o vírus, quando nosso presidente segue o caminho oposto, de apoiar uma quarentena vertical, de segregar os idosos e a população de risco e todo o restante voltar ao trabalho. A grande maioria dos países que tentaram essa medida, tiveram que voltar atrás, devido à explosão de mortandade que ocorreu 2 semanas após essas medidas. O próprio presidente americano Donald Trump, que era um dos poucos que defendiam essa ideia, voltou atrás e hoje, defende o isolamento social. Pesquisas mostram que a população brasileira, em 76%, apoiam o isolamento social e a quarentena.
  • Os militares não embarcariam numa aventura, pois há anos, eles têm mostrado uma postura equilibrada, não incentivando golpes e outras medidas que contrariam o preceito da Constituição que eles juraram defender. Além disso, o vice presidente, General Mourão, goza de um apoio nas alas militares até maior do que o presidente. A postura equilibrada e serena do vice presidente, de apoiar a quarentena, de defender o ministro da Saúde, tem angariado apoios em setores importantes, tanto políticos como de militares e da simpatia geral da população, fazendo com que a iniciativa de Jair Bolsonaro perca respaldo popular.
  • O Brasil não é Venezuela, não é Cuba, não é Bolivia. Este pais, continental, que se tornou a quinta maior economia do mundo, tem instituições solidas, estruturadas e que não dão espaço para aventuras e golpes.
  • O grupo baseado na ideologia de Olavo de Carvalho, cujas ideias são totalitárias e defensoras do fechamento das instituições que se opõem ao presidente, está minguando, ao lado do presidente. O radicalismo desse grupo, que é defendido pelos filhos do presidente, tem perdido forças e não tem conseguido alcançar relevância politica.

A postura do presidente Jair Bolsonaro, que tem sido errática, ora de apoio à quarentena, ora de ataques aos governadores e prefeitos e principalmente ao Ministro da Saúde, Luis Henrique Mandetta, num claro sinal de ciúmes do protagonismo de seu subordinado, tem pegado muito mal para a grande maioria dos brasileiros, com exceção dos bolsonaristas raízes, os fanáticos defensores do presidente, que, graças a Deus, tem se mostrado num contingente insuficiente para permitir que  tais aventuras e arroubos do presidente possam oferecer perigo à democracia brasileira.

Com isso, corre-se o risco de se repetir o erro cometido por Janio Quadros e o presdiente Jair Bolsonaro, com sua atitude de enfrentamento e de provocações, acabar realmente sofrendo um impeachment, pois suas atitudes colocam em risco a vida e a segurança dos cidadãos brasileiros.

Espero sinceramente, estar errado e que nada disso esteja ocorrendo, sendo apenas ideias malucas na cabeça de um cidadão que está com tempo de sobra, nesses tempos de quarentena...

A se aguardar.

publicado por drtakeshimatsubara às 14:34 | comentar | favorito