DOM PEDRO II

DOM PEDRO II

 

Como alguns puderam notar, eu tenho uma admiração enorme pelo Imperador Dom Pedro II, que foi, em minha opinião, o maior líder que já pisou por estas terras, em todos os tempos. Tivemos presidentes posteriormente, que mudaram o pais, como Getúlio Vargas,  Juscelino Kubitschek, e tantos outros,  mas o conjunto da obra do imperador, durante os seus 49 anos em que esteve no poder, teve a capacidade de transformar um país atrasado, com mais de 90% da população analfabeta, num país desenvolvido, entre as 10 potências econômicas de sua época, com uma marinha pujante, com o país cortado por milhares de quilômetros de  linhas férreas, com uma industrialização que se iniciava, se tornando uma potência regional, temida e ao mesmo tempo, odiada por seus vizinhos latinos, pois todos temiam a sua hegemonia. O Brasil,  que em 1840 recém havia se tornado independente de Portugal, 18 anos depois, e que após um governo conturbado do seu pai, o imperador Dom Pedro I e de um periodo de regências, que haviam convulsionado o país em várias revoltas secessionistas, o país e sua população  sentiram a necessidade de entronar Dom Pedro II, então com 14 anos de idade, para governar este país continental. E assim, ainda um menino imberbe, ele assume o trono como imperador do Império brasileiro.

Quando assumiu o poder, logo em seguida, já se percebeu o seu jeito diferente de governar, pois ao mesmo tempo em que enviava tropas militares do governo imperial para sufocar os levantes em Rio Grande, hoje Rio Grande do Sul, na Bahia, em Pernambuco e em outras províncias, ele chamava os líderes para conversar, anistiava a todos de seus supostos crimes contra o Império e permitia que os mesmos pudessem exercer sua força politica, candidatando-se como políticos aos cargos da época, não aceitando que fossem presos ou fuzilados por traição, como seria de se esperar em outras ocasiões.

Era um homem tímido, extremamente simples, despojado e que não permitia gastos supérfluos, bem diferente dos imperadores e reis europeus, que despendiam fortunas em festas, em luxo na construção de palácios, de teatros, em salões de concertos e saraus onde a alta nobreza se esbaldava, enquanto a plebe morria de fome. A sua dotação anual, nunca sofreu aumento durante todo o período de seu mandato. Apesar da insistência dos amigos e de alguns familiares, o imperador jamais permitiu que esse dispêndio fosse aumentado, dizendo que vivíamos num pais pobre e que esse dinheiro seria mais útil empregado em escolas, hospitais, em revitalizações das cidades e outras despesas publicas, do que bancando o luxo da família imperial.

Era um grande estudioso, que falava fluentemente dezenas de línguas diferentes, lendo textos em seus originais, e um grande  defensor das artes e da cultura.  Alem de o governo imperial subvencionar diversas bolsas de estudo para músicos e artistas estudarem na Europa, o próprio imperador gastava quase a metade do seu “salário” para fazer o mesmo, ou seja, ajudava a manter os estudantes em escolas de artes e musicas por toda a Europa. A imperatriz Tereza Cristina era outra mulher extraordinária, também despojada e extremamente simples, que adorava cozinhar para o marido e para a família, alem de se vestir com extrema simplicidade. Os jornais e as revistas da época não se cansavam de satirizar, de fazer charges e caricaturas da família imperial, em virtude da simplicidade e do despojamento dos mesmos. Mas a imprensa brasileira, tinha total liberdade,  pois o imperador jamais admitiu a censura que outros governantes impunham para os meios de comunicação da época, podendo falar e criticar livremente o imperador e sua familia, além de dar voz aos movimentos republicanos, no período final de seu mandato.

Era um abolicionista convicto, e toda a sua família não admitia escravos nos palácios e nas fazendas imperiais, utilizando o trabalho de negros alforriados e assalariados para o trabalho pesado em suas propriedades. Defendia abertamente a abolição dos escravos, mas toda a força econômica da época era baseada nas grandes fazendas de plantações de cana e posteriormente, de café, baseados todas na mão de obra escrava. Os políticos eram todos oriundos dessa classe de fazendeiros  e jamais colocariam em votação leis que contrariassem seus interesses econômicos. Por isso, a luta pela abolição foi desigual, tendo demorado todo o período de seu mandato para ser implantado somente no seu final. Ele sabia que isso determinaria o seu destino de governante, que seria apeado do poder pelo poder econômico e politico, mas mesmo assim, preferiu tomar essa atitude.

O Brasil, em meados de 1860, apesar do crescimento econômico vertiginoso, ainda apresentava grandes deficiências em termos militares, pois o imperador não via com bons olhos as despesas neste setor. Quando ocorreu a Guerra do Paraguai, em seu inicio, o Paraguai contava com uma força militar 7 vezes maior do que o império. Este foi o fator decisivo que autorizou Solano Lopez à declarar guerra contra o Brasil, pois tinha claro a sua superioridade militar na época.  Mesmo a Tríplice Aliança, entre Brasil, Argentina e Uruguai, não era suficiente para contrabalançar esse desequilíbrio de forcas. O país se viu forçado a criar uma força militar, os chamados Voluntários da Pátria, para criar um exército de voluntários que pudesse ter soldados para lutar na guerra contra o inimigo paraguaio. Neste momento, os fazendeiros enviaram os seus negros para lutar na frente de batalha, em vez de enviar seus filhos. No inicio, isso causou uma luta desigual, com os soldados paraguaios bem treinados, contra um exercito predominantemente brasileiro de escravos mal preparados e mal treinados. Foi necessário convocar Caxias, que na época era senador do Império, para assumir o comando do Exército brasileiro e minimamente treinar os soldados e os oficiais, para aprenderem estratégia militar que permitisse o enfrentamento dos soldados paraguaios. Estes eram extremamente bravos e corajosos, lutando até a morte, não se entregando nem se rendendo, o que aos poucos, foi desequilibrando a força para o lado brasileiro. As batalhas navais da recém criada Marinha brasileira, liderados pelo Almirante Barroso, foi outra frente que obteve vitórias expressivas, destruindo a força naval paraguaia e abrindo caminho para a vitória da Tríplice Aliança.

Ao final da Guerra do Paraguai, tínhamos um pais endividado, com o fortalecimento dos militares, que se aliaram aos fazendeiros de café e com isso, implantaram a República, em 15 de novembro de 1889.

Apesar das inúmeras lutas politicas e dos embates que ocasionaram crises sem fins, com quedas de gabinetes e trocas de ministérios, a popularidade do imperador com a população em geral sempre foi muito elevada, na faixa dos 90% no período final de seu mandato. Por isso, dizemos que a Proclamação da Republica foi um grande golpe militar, sem nenhum apelo popular, pois a grande maioria da população estava alheia a essa luta politica.

O Marechal Deodoro, que se portou de maneira dúbia, ora defendendo o imperador, ora o movimento republicano, era a maior autoridade militar da época e quando decidiu-se pelo lado republicano, liderou o movimento militar que destituiu o imperador e exilou a sua família para a Europa. Muitos generais do Exército e almirantes da Marinha se mostraram fiéis ao imperador e decidiram enfrentar a revolta. Mas, mais uma vez, a grandeza do imperador não permitiu que o movimento contra-revolucionário seguisse adiante, pois ele não queria o derramamento de sangue de uma guerra civil entre brasileiros. E rumou para o exílio, levando consigo um saco cheio da areia das praias cariocas, para matar a saudade da pátria que amara mais do que a sua própria vida.

Debilitado, com a saude frágil por conta de um diabetes que foi minando as suas forças, ele morreu poucos anos depois, num quarto pobre de uma pensão em Paris. O seu velório praticamente parou a cidade luz, com vários reis e imperadores, além de representantes de quase todos os países mais importantes da época, comparecendo ou mandando representantes para as exéquias fúnebres do imperador, que fora amado e admirado pelo mundo todo.

A vida de Dom Pedro II rendeu diversos livros de vários autores, mas quase todos foram unânimes em reconhecer a grandeza de alma e a importância dos quase cinquenta anos de seu governo, para sedimentar o nosso jovem país e permitir que hoje, tenhamos um país pujante, forte, e o mais importante, unificado, não tendo sido fragmentado em vários países, como nossos vizinhos de língua espanhola da América do Sul e Central.

Infelizmente, as escolas brasileiras dão pouquíssima importância para esse grande líder e quase não reconhecem a sua importância histórica que ele teve para a fundação do Brasil!!!!

publicado por drtakeshimatsubara às 21:31 | comentar | favorito