HOMEOPATIA

HOMEOPATIA
Em 1990, poucos anos depois de formado e de ter iniciado minha carreira médica em Dourados, MS, aonde havia chegado com 25 anos de idade , com cara de guri, cheio de esperanças e de sonhos, ao atender os meus pacientes, ao interna-los na enfermaria do Hospital Evangélico, aos poucos fui me preocupando com a minha profissão.
Ao perceber que tudo que causava febre nos pacientes, era tratado por todos os meus colegas com no mínimo um, ou em média 2 antibióticos nas receitas, percebi que algo havia de errado. Os professores da faculdade e da residência médica eram bastante incisivos ao nos orientar para usarmos antibióticos com extrema cautela e precaução, por causa dos inúmeros problemas de resistência bacteriana, de perda de eficácia deles em pouco tempo de uso. Percebia que na prática, essas orientações e precauções não faziam parte da prática dos meus colegas. Além disso, qualquer balconista de farmácia era craque em dizer que toda febre era causada por problema de garganta e prescreviam antibióticos para todas as crianças com febre que os procuravam.Graças a Deus, essa prática melhorou muito hoje em dia, pois há uma proibição dos balconistas venderem antibioticos sem receita médica, em duas vias.
Além disso, percebia que a prática dos outros colegas que atendiam pacientes crônicos, como endocrinologistas, cardiologistas, reumatologistas, psiquiatras e tantos outros, tinham pacientes por dezenas de anos, até morrer, com prescrições que se repetiam ad nauseam e, no entanto, os pacientes nunca saravam de suas doenças.
Estava evidente que a medicina tradicional, alopática, tinha muitos bons resultados, mas pecava por alguns efeitos colaterais danosos, devido ao uso indiscriminado dos medicamentos e da prática médica de se usar remédios por anos a fio, com efeitos danosos ao organismo, o que nos chamamos hoje de iatrogenia, ou seja, o mal causado pelo próprio remédio ou pelo médico. Precisava buscar alternativas e um colega Mário Schwarzberg, me convidou para fazermos juntos um curso de homeopatia em São Paulo.
Num grupo de médicos e odontólogos da cidade, começamos a fazer um curso de homeopatia na capital paulista numa entidade dita brasileira de homeopatia. Em pouco tempo, percebemos que aquele curso era uma arapuca, e um de seus professores fundou outro curso e nós migramos junto com ele. Conseguimos nos formar especialistas em homeopatia e eu comecei a atender os meus pacientes exclusivamente na especialidade.
Nesse ínterim, quando começava a estudar a especialidade em São Paulo, conheci o dr. Archiduque Fernandes, pediatra famoso, que havia chegado na década de setenta e era conhecido pelas mães, por ser um médico disciplinador. Comecei a fazer estágios com ele todas as tardes, no Posto da Vila Rosa, onde ele atendia os seus pacientes. Ficava maravilhado com os seus resultados, pois além de ser ótimo médico, ele era extremamente corajoso e audacioso, e tratava casos graves com homeopatia, como broncopneumonias, infecções graves, diarreias etc. O resultado que ele obtinha era incrível, pois ele pedia retorno no dia seguinte e o paciente invariavelmente tinha melhorado os sintomas. Nós nos tornamos grandes amigos e, devido á diferença de idade, ele me adotou como seu filho adotivo. Foi uma longa e bela amizade, que só findou com seu desencarne, ocorrido em 2007, quando teve câncer de próstata. Escrevi em meu blog, 2 artigos sobre o dr. Archiduque, em sua homenagem.
Juntamente com dr.Archiduque, dr. Ailton Salviano, Dr Leidniz, Dr. Nelson Kozoroski, depois dra .Maristela e a dra Waldenil, psicóloga, formamos o grupo que fundou o Centro Homeopático de Saúde Publica de Dourados, Dr. Santiago Martinez dos Santos, na Rua João Vicente Ferreira, onde passamos a atender pacientes com homeopatia pelo SUS. Foi um empreendimento pioneiro, que contou uma historia linda, que culminou depois com a construção do prédio próprio, na Rua Monte Castelo, esquina com a Avenida Liberdade e que hoje está completamente abandonado, mais uma das belas obras da administração passada em nossa cidade.

  • Continua no próximo capítulo.
publicado por drtakeshimatsubara às 15:54 | favorito